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Método desenvolvido pelo Inmetro pode ajudar no combate ao comércio ilegal de madeira
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Um novo método desenvolvido por pesquisadores do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) pode tornar mais rápida a identificação de espécies de madeira. A tecnologia é capaz de apoiar ações de fiscalização e contribuir para o combate ao comércio ilegal, especialmente de espécies protegidas por lei.
A pesquisa foi realizada no Laboratório de Análise Orgânica (Labor), da Divisão de Metrologia Química (Dquim), e publicada na revista científica internacional ACS Omega. O estudo apresenta uma abordagem baseada em espectrometria de massas para identificar espécies florestais a partir do perfil químico da madeira.
O Brasil possui cerca de 16 mil espécies de árvores, sendo algumas delas protegidas pela legislação ambiental, como o pau-brasil e o mogno. Após o corte, no entanto, a madeira perde características botânicas importantes, como folhas, flores e frutos, o que dificulta a identificação da espécie.
Atualmente, uma das principais técnicas utilizadas é a análise macroscópica da madeira, que exige treinamento especializado e nem sempre permite uma identificação conclusiva. Por isso, métodos instrumentais, como a quimiotipagem por espectrometria de massas, podem ser empregados em análises mais detalhadas.
O método desenvolvido pelo Inmetro usa uma pequena amostra da madeira para identificar seu perfil químico. Em cerca de um minuto, o equipamento gera uma espécie de “impressão digital química” da amostra. Depois, esse resultado é comparado com um banco de dados já construído pelos pesquisadores.
Segundo a pesquisadora Maíra Fasciotti, que coordenou o trabalho, a proposta é facilitar a identificação das espécies em situações ligadas à fiscalização.
“Em cerca de um minuto, é possível obter o perfil químico da amostra e comparar esse resultado com um banco de dados, permitindo a classificação da espécie analisada”, explica Maíra.
O equipamento usado na pesquisa é compacto e tem custo menor, custando cerca de 20% do valor do equipamento empregado atualmente por alguns países que utilizam a quimiotipagem de madeiras em ações de controle.
A técnica foi pensada para ser simples e rápida, com possibilidade de uso em postos de controle, como portos, aeroportos e laboratórios móveis. Com isso, pode ajudar os órgãos de fiscalização a verificar se a madeira transportada corresponde às informações apresentadas nos documentos de origem florestal.
O estudo teve colaboração do Laboratório de Produtos Florestais do Serviço Florestal Brasileiro (LPF/SFB), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), do Museu Paraense Emílio Goeldi e da empresa Waters Technologies do Brasil.
O trabalho também integra a tese de doutorado da pesquisadora Thays V. C. Monteiro, do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia do Inmetro.
A pesquisa contou com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

