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Interatividade na TV digital
A interatividade da TV é uma realidade para os brasileiros e promete revolucionar o mercado e os hábitos de milhões de espectadores, a partir de dezembro deste ano. Na disputa pelo mercado brasileiro venceu o padrão de tecnologia japonesa (ISDB-T), que oferece um sistema tecnologicamente superior e proporciona uma transmissão em alta definição, mobilidade (via celular) e interatividade com os usuários. De acordo com o cronograma do Fórum Nacional de TV Digital, na primeira etapa e em caráter experimental, o lançamento do sistema deve chegar ao mercado paulista ainda este ano e, no Rio de Janeiro, em dezembro de 2008. O software de interatividade, conhecido como "Ginga", é genuinamente brasileiro e desenvolvido por duas universidades brasileiras: a Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Ewerton Madruga participou de projetos na área de sistemas móveis, patrocinados pelo Departamento de Defesa (DoD) do governo norte-americano. Autor de vários artigos publicados em conferências e jornais científicos internacionais. Atuou por vários anos na área de P&D;, no Vale de Silício, na Califórnia, Estados Unidos.
O pesquisador do Inmetro e PhD em Engenharia de Computação pela Universidade da Califórnia, Ewerton Madruga, esclarece os aspectos, as vantagens e as novas relações de consumo que surgem com o novo cenário tecnológico da TV digital brasileira. O Governo acertou na escolha do padrão de tecnologia japonesa?
Madruga – Na verdade, a escolha atendeu basicamente ao critério operacional, pois o padrão japonês é tecnicamente superior aos demais. Na época da assinatura do Decreto, que regulamentou o novo sistema (29 de junho de 2006), o padrão japonês já oferecia, além das facilidades do padrão americano e europeu, a possibilidade de transmissão via celular, o que viria a se tornar um plus da tecnologia japonesa.O que muda com a conversão do sistema analógico para o digital ?
Madruga - É importante ressaltar que num primeiro momento, a implantação do sistema trará uma considerável melhora na recepção da imagem. Depois dessa fase inicial, gradativamente, a questão da interatividade será inserida neste contexto e o aparelho de TV será um instrumento de interatividade real à serviço das necessidades do usuário comum. Na realidade, a utilização do Ginga tratá uma série de benefícios, além do potencial de tornar-se uma alternativa para padronização na América Latina. De que forma o Inmetro contribuirá para a nova realidade que surge para os consumidores brasileiros ?
Madruga – O papel do Inmetro é de extrema importância nesse processo, uma vez que estabelecerá, com a Associação Brasileira de Normas Técnicas, as normas e os regulamentos para receptores e outros dispositivos utilizados pelo sistema, assim como auxiliar na estruturação de uma Programa de Avaliação da Conformidade de receptores, garantindo ao consumidor que os produtos e aplicativos de diferentes fabricantes atendam às questões técnicas, de segurança e de conformidade. Em quanto tempo o Brasil estará pronto para substituir, definitivamente, o sistema analógico pelo digital?
Madruga – O primeiro passo rumo à tecnologia digital já foi dado. A segunda fase é experimental e reservada às adaptações necessárias para que, num terceiro momento, todas as condições e ambientes estejam preparados para receber integralmente todos os benefícios que a nova tecnologia pode oferecer. De acordo com o cronograma do Fórum Nacional de TV Digital, a previsão é de que todo o sistema analógico seja convertido para o digital em 10 ou 12 anos. Até lá, os usuários com televisores convencionais (analógicos) poderão escolher entre ver a novela e assistir ao noticiário na forma tradicional ou no formato interativo digital, com o auxílio de um conversor (set top box).