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Colóquio Histórias e Acervos do Abolicionismo e do Pós-Abolição encerra com homenagem e apresentação de livro
Em celebração à data de nascimento do abolicionista Joaquim Nabuco, patrono da instituição, a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) realizou nos dias 18 e 19 de agosto o primeiro Colóquio Histórias e Acervos do Abolicionismo e do Pós-Abolição. Com o tema “Biografias e Ativismos”, o evento se estendeu nos dois dias com uma mesa de abertura, três mesas temáticas, uma homenagem à historiadora Joselice Jucá e uma sessão especial do documentário “Retratos Fantasmas”, com apresentação do diretor Kleber Mendonça Filho. O colóquio é uma realização do Centro de Documentação e Estudos da História Brasileira Rodrigo Melo Franco de Andrade (Cehibra) da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca).
Confira o primeiro dia do colóquio: https://www.gov.br/fundaj/pt-br/centrais-de-conteudo/noticias-1/fundaj-inicia-o-coloquio-historias-e-acervos-do-abolicionismo-e-do-pos-abolicao
Na terça-feira (19), o evento começou com a mesa redonda “O papel das mulheres na luta pelo fim da escravidão”. O debate contou com apresentações de Maria Helena Pereira Toledo Machado, historiadora e professora da Universidade de São Paulo (USP); e de Adriana Santana, jornalista e professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A mediação ficou por conta de Maria Emília Vasconcelos, historiadora e professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
A historiadora Maria Helena Machado trouxe à discussão observações sobre violência de gênero na sociedade brasileira, maternidade e escravidão, além da dificuldade da historiografia em reconstituir as vidas de pessoas silenciadas, em especial as mulheres negras escravizadas. “Escrever sobre mulheres é um passo muito desafiador, quase revolucionário, que é você ser capaz de reconstituir a visão de mundo das mulheres”, disse a coautora do livro “Geminiana e seus filhos”.
Já a jornalista Adriana Santana, que atualmente pesquisa para a publicação de um livro sobre mulheres abolicionistas pernambucanas, fez um resgate da história dessas mulheres negras e brancas que protagonizaram o movimento no estado, como Olegária Gama Carneiro da Cunha — a Dona Olegarinha — e Gertrudes Maria de Jesus. “Devemos trazer um olhar contemporâneo sobre esses arquivos salvaguardados pelas instituições e ressaltar o papel que essas mulheres tiveram. Sejam elas de estratos sociais abastados ou não, foram elas que fizeram, no fim das contas, a abolição acontecer.”
Homenagem à historiadora Joselice Jucá e apresentação da publicação sobre o abolicionista André Rebouças
Após a terceira mesa redonda do colóquio, houve ainda uma homenagem à historiadora e pesquisadora Joselice Jucá (in memoriam) — que integrou o quadro de servidores da Fundaj. A sessão foi acompanhada da apresentação da publicação “André Rebouças — minutas de uma reforma inconclusa”, que será lançada pela Editora Massangana. A mesa foi formada por Cristiano Borba, coordenador da Editora; Cibele Barbosa, pesquisadora da Fundaj; Henrique Cruz, museólogo do Muhne; e Múcio Jucá, arquiteto, professor da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e filho da homenageada.
Cibele Barbosa destacou a relevância da homenagem à pesquisadora e sua importância na salvaguarda dos acervos e estudos sobre o abolicionismo: “Nada mais central do que lembrarmos da figura de Joselice Jucá, mulher pesquisadora, porque também foi ela a principal articuladora que levou à vinda dos acervos de André Rebouças”. Por sua vez, Henrique falou sobre o processo geral que culminou na publicação e também sobre seus desdobramentos para o desenvolvimento da próxima exposição de longa duração do Museu do Homem do Nordeste. “Este é um momento muito propício para a Fundação Joaquim Nabuco falar sobre os acervos de abolicionistas.”
Cristiano Borba apresentou o projeto gráfico da publicação e falou sobre o que o livro representa para os estudos do abolicionismo. “[A publicação] inicia uma série de outras realizações que queremos fazer, com Rebouças e com Joselice, e esta foi a maneira de dar início a esses dois processos que confluíram, mas que depois podem seguir por caminhos mais independentes.” Múcio Jucá fez uma breve narração da trajetória pessoal, acadêmica e profissional de sua mãe, Joselice Jucá. “Esse livro, sem dúvida, nos deixa muito felizes, porque reforça a compreensão de que, hoje, Rebouças é reconhecido por esse papel. Então a publicação é muito importante, emblemática e tenho certeza de que ela estaria muito feliz por isso estar acontecendo aqui [na Fundaj], que sempre foi a casa dela.”