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CULTURAS TRADICIONAIS E POPULARES
Encontro de Mestras e Mestres consolida articulação nacional e reconhece novos detentores do Notório Saber
Foto: Naila Eveline
O Encontro de Mestras e Mestres do Notório Saber no Brasil foi encerrado nesta sexta-feira (3), em Maceió (AL), consolidando três dias de debates, apresentações culturais e articulações voltadas ao fortalecimento das culturas tradicionais e populares e ao reconhecimento dos saberes ancestrais nas instituições de ensino superior.
Realizado pelo Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural (SCDC) e da Diretoria de Promoção das Culturas Tradicionais e Populares (DPCTP), em parceria com o Instituto Federal do Ceará (IFCE), por meio do Consórcio do Notório Saber, o encontro reuniu representantes das 27 unidades da Federação, pesquisadores, docentes, estudantes, gestores públicos e instituições parceiras em torno da construção de políticas públicas voltadas ao reconhecimento dos conhecimentos tradicionais.
Cultura e educação caminham juntas
O segundo dia da programação foi dedicado ao fortalecimento do diálogo entre cultura e educação. A mesa "Diálogos entre Políticas Públicas de Educação e Cultura" reuniu a secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Márcia Rollemberg; a coordenadora-geral de Extensão da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Sandra Nogueira, que participou remotamente; o chefe da Divisão de Arte e Cultura do Campo do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Luiz Portela; e o professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Eduardo Machado. A mediação foi conduzida pelo coordenador-geral de Articulação de Políticas de Cultura e Educação do MinC, Alexandre Falcão de Araújo.
O debate abordou o acordo de cooperação técnica entre os ministérios da Cultura e da Educação, além da integração das políticas públicas voltadas às comunidades tradicionais do campo, das águas e das regiões litorâneas, reforçando a importância da atuação interinstitucional para ampliar o acesso aos direitos culturais e educacionais.
Experiências do Notório Saber
Ainda pela manhã, a mesa Experiências do Notório Saber apresentou iniciativas desenvolvidas em instituições públicas de ensino superior que vêm incorporando mestras e mestres das culturas tradicionais às atividades de ensino, pesquisa, extensão e cultura.
Participaram da mesa o mestre Robério, do Piauí; a mestra Fatinha do Jongo, do Rio de Janeiro, representando a Universidade Federal Fluminense (UFF); o mestre Wilson Santos, de Alagoas, pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal); a mestra Carla Mara, do Ceará, pela Universidade Estadual do Ceará (Uece); e o mestre Adiel Luna, de Pernambuco. A mediação foi realizada pela professora Lana Nascimento, da Universidade Estadual do Ceará.
Os participantes compartilharam experiências que demonstram como o reconhecimento do Notório Saber vem contribuindo para aproximar os conhecimentos produzidos nos territórios tradicionais das práticas acadêmicas e da formação universitária.
Direitos autorais e valorização dos saberes tradicionais
No período da tarde, a mesa Culturas Populares, Direitos Autorais e Notório Saber: Desafios e Perspectivas reuniu a líder indígena Fernanda Kaingang, a mestra Marta Arruda, o diretor da Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC Ricardo Nascimento e a professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Luciana de Oliveira, com mediação do coordenador-geral de Articulação de Políticas para as Culturas Tradicionais e Populares do MinC, José Pedro da Silva Neto.
A discussão destacou a necessidade de proteger os conhecimentos tradicionais diante das transformações tecnológicas, reconhecendo essas práticas como produções intelectuais fundamentais para a diversidade cultural brasileira.
Na sequência, o presidente da Federação das Organizações da Cultura Popular e do Artesanato Alagoano (Focuarte), João Lemos, apresentou experiências desenvolvidas pela entidade e pelo programa Patrimônio Vivo de Alagoas. O encerramento das atividades da tarde contou ainda com a apresentação do Projeto Educação Antirracista, conduzida pelo coordenador Alfredo Dacal.
As atividades foram intercaladas por apresentações do Trio Pé de Serra, das Cambindas de Porto de Pedras, do Fandango do Pontal da Barra e do Pastoril da Mestra Doura, reafirmando a riqueza das manifestações culturais alagoanas.

- Foto: Naila Eveline
Título de Notório Saber reconhece mestres da cultura popular
Um dos momentos mais marcantes do encontro foi a Solenidade de Concessão do Título de Notório Saber, realizada pelo Centro Universitário Cesmac. Receberam o reconhecimento a Mestra Maria das Graças Correia Gomes e o Mestre José Miguel da Silva Lima, homenageados por suas trajetórias dedicadas à preservação, transmissão e valorização dos saberes tradicionais e populares.
A programação do segundo dia foi encerrada com o Forroarte, confraternização realizada na sede da Focuarte, reunindo participantes do encontro e grupos culturais alagoanos.
Rede Nacional fortalece articulação entre universidades e mestres
O terceiro e último dia do encontro teve início com a apresentação "Consórcio do Notório Saber: Pesquisa e Vivências", conduzida pelas pesquisadoras Danielle Rodrigues e Amanda Tenório, do Instituto Federal do Ceará, e pelos professores Sara Barreto e João Paulo Arcelino Rego, além do mestre Erasmo Barreira, do Ceará. A atividade foi mediada pelos professores Eduardo Machado e Aterlane Martins, coordenador do Consórcio do Notório Saber.
Na sequência, foi realizada a Assembleia de criação da Rede Nacional de Universidades e Institutos para o Notório Saber de Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares, reunindo integrantes do Conselho Gestor do Consórcio.
A iniciativa representa um importante avanço na consolidação de uma rede permanente de cooperação entre universidades, institutos federais, poder público e detentores dos saberes tradicionais, fortalecendo ações de ensino, pesquisa, extensão e cultura em todo o país.
O encerramento do encontro foi marcado por apresentações da Roda de Coco Samba Tadei, de Piranhas, do Reisado do Mestre Edson, de São José da Tapera, e das Cirandeiras do Sertão, de Água Branca, celebrando a diversidade cultural alagoana e reafirmando o papel das mestras e dos mestres como guardiões da memória, da identidade e dos conhecimentos que atravessam gerações.