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Estudo acadêmico discute integração entre agendas de cidades inteligentes, resilientes e descarbonizadas
Foi publicado na revista científica Visioni LatinoAmericane (Ano XVIII, número 35, julho de 2026) o artigo "Transformative state capacity and governance arrangements for smart, resilient, and decarbonized cities" (Capacidade estatal transformativa e arranjos de governança para cidades inteligentes, resilientes e descarbonizadas). A pesquisa é liderada por Sérgio Pulice (Bolsa Fapesp, Processo 2025/13377-2) e conta com a participação de Victor Marchezini, Evandro Branco e Camila Guimarães, pesquisadores vinculados a instituições de pesquisa brasileiras.
O artigo discute como as agendas de cidades inteligentes, cidades resilientes a desastres e cidades descarbonizadas, hoje tratadas de forma fragmentada na literatura e nas políticas urbanas, poderiam ser melhor articuladas a partir do conceito de capacidade transformadora do Estado, entendida como a habilidade de reconfigurar estruturas, instituições e relações de poder para viabilizar mudanças estruturais frente à crise climática.
Com base no arcabouço teórico de Marc Wolfram (2016)[1], que descreve dez capacidades associadas à transformação urbana (governança inclusiva, liderança transformadora, experimentação, aprendizagem reflexiva, entre outras), na literatura de transição para sustentabilidade Geels (2024)[2] e na literatura sobre processos políticos e integração (Cairney, 2025)[3], os autores propõem que essas capacidades podem funcionar como ponte conceitual entre as três agendas mencionadas (cidades inteligentes, resilientes e descarbonizadas).
Desafios apontados
O artigo destaca dois desafios centrais discutidos na literatura científica: a diferença entre mudanças meramente adaptativas e mudanças efetivamente transformadoras, que implicam romper com estruturas vigentes; e as disputas de poder inerentes a qualquer processo de transformação, que podem reproduzir injustiças se não forem tratadas sob a ótica da justiça climática (distributiva, procedimental e de reconhecimento).
Recomendações apresentadas no artigo
Os autores sintetizam quatro recomendações voltadas a pesquisadores e formuladores de políticas, no plano estritamente acadêmico:
- Incluir diversidade de atores no debate público, incluindo grupos historicamente afastados das decisões;
- Criar espaços de diálogo entre grupos com posições distintas;
- Adotar metodologias que incorporem ideias divergentes e integração entre diferentes níveis de governança;
- Permitir experimentações, priorizando processos de aprendizagem contínua sobre resultados imediatos.
Sobre a publicação
A publicação está associada ao Projeto Cidades Carbono Neutro, que é apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - Fapesp (Processo 2024/01115-0). O artigo é de acesso gratuito no site da Revista Visioni LatinoAmericane, que é organizada pela Universidade de Trieste (Itália): https://www.openstarts.units.it/server/api/core/bitstreams/cdc47751-04f9-4a8c-85e4-15edee954c18/content
[1] Wolfram M., Conceptualizing Urban Transformative Capacity. A Framework for Research and Policy, «Cities», 51, 2016, pp.121-130, https://doi.org/10.1016/ j.cities.2015.11.011
[2] Geels, F. (2024). Advanced Introduction to Sustainability Transitions (first, Vol. 1). Edward Elgar.
[3] Cairney P., Policymaking Integration, Policy Coherence, and Whole-of-Government Approaches. A Qualitative Systematic Review of Advice for Policymakers, «Open Research Europe», (5)75, 2025a, pp.1-49, https://doi.org/10.12688/openreseurope. 19864.1