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Uma dose de ciência contra o sensacionalismo: diretora e coordenadores-gerais do Cemaden publicam artigo sobre El Niño 2026-2027
Os impactos previstos para o El Niño, no biênio 2026-2027, incluem secas no Norte e Nordeste, ondas de calor no Sudeste e Centro-Oeste e chuvas intensas no Sul do país (ilustração gerada por IA).
A diretora e os coordenadores-gerais do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) publicaram, nesta sexta-feira (15/5), um artigo no site The Conversation Brasil para esclarecer o que é evidência científica e o que é especulação em relação ao fenômeno El Niño previsto para o biênio 2026-2027. No texto, Regina Alvalá (diretora), Jose Marengo (coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento) e Marcelo Seluchi (coordenador-geral de Operações e Monitoramento) oferecem um panorama baseado em dados meteorológicos robustos – e, assim, se contrapõem ao sensacionalismo que, por vezes, contamina parte da cobertura sobre o assunto.
Projeções e probabilidades
De acordo com os especialistas do Cemaden, dados da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam uma probabilidade de 60% de desenvolvimento do fenômeno para o trimestre de maio a julho, com chances que “se elevam a mais de 90% a partir da próxima primavera, em setembro”. Embora o desenvolvimento do fenômeno na segunda metade de 2026 seja considerado "praticamente certo", os autores alertam que a previsão de sua intensidade com tanta antecedência tende a apresentar maior grau de incerteza.
Impactos esperados no Brasil
Os autores do artigo reforçam que o El Niño é um fenômeno climático-oceânico que altera o regime de chuvas e temperaturas globalmente. Para o Brasil, os impactos típicos incluem:
- Aumento de chuvas no Sul;
- Secas na Amazônia e no Nordeste;
- Maior frequência de ondas de calor na porção central do Brasil.
O texto enfatiza que o fenômeno não causa desastres diretamente, mas influencia as probabilidades de eventos extremos. Além disso, os autores lembram que a gravidade dos desastres depende, também, da combinação entre a vulnerabilidade e a exposição da população, e não apenas do fator climático.
El Niño 2026-2027
Para o ciclo compreendido entre a primavera de 2026 e o verão de 2027, os especialistas do Cemaden recorrem a fontes oficiais para indicar que há “25% de chance de ocorrer um El Niño de intensidade forte e outros 25% de probabilidade de se configurar um fenômeno de intensidade muito forte, o que ocorre quando a temperatura na porção central do Oceano Pacífico supera em mais de 2°C o valor normal”. No entanto, o Instituto Internacional de Pesquisa em Clima e Sociedade (IRI) ressalta, ainda segundo os autores do artigo publicado no site The Conversation Brasil, que é necessário aguardar até o inverno para obter previsões mais precisas quanto à intensidade e aos possíveis impactos do El Niño.
Os doutores Alvalá, Marengo e Seluchi reforçam a necessidade de atualizar estudos da década de 1990 diante da nova realidade das mudanças climáticas, além de manter o monitoramento contínuo para subsidiar ações preventivas em áreas estratégicas. Para os especialistas do Cemaden, informações não sustentadas por dados científicos confiáveis, “em muitas ocasiões, resultam de meras especulações”. O artigo completo pode ser lido aqui.