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Série de Debates
Projeto COPE do Cemaden promove discussões com Institutos Federais sobre a contribuição em redução de risco de desastres
As experiências e projetos de extensão em Redução de Risco de Desastres (RRD) — envolvendo ações participativas de estudantes do ensino médio, pesquisadores, Defesas Civis, comunidades e prefeitura municipal — foram apresentadas pelas pesquisadoras e professoras Sammya Chaves, do Instituto Federal do Piauí (IFPI) e Fabiana Souza Ferreira, do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), transmitido pelo Canal YouTube da Série de Debates do Cemaden, nesta quarta-feira (15).
O debate foi promovido pelo Projeto Capacidades Organizacionais de Preparação para Eventos Extremos (Projeto COPE), coordenado pelo pesquisador Victor Marchezini, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) – unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).
Foi o primeiro encontro da série de diálogos virtuais intitulada “O potencial dos Institutos Federais para a Redução de Risco de Desastres : comunicação de riscos e vulnerabilidade”, organizada a partir de pesquisa desenvolvida por Janaina Alencar Mota e Silva, docente do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), pesquisadora associada ao Projeto COPE e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Desastres, pela Unesp/Cemaden. A pesquisadora também fez a mediação do debate.
Por meio do Projeto COPE, essa série de diálogos virtuais tem o objetivo de reunir os debates e experiências dos docentes e pesquisadores dos Institutos Federais em Redução de Risco de Desastres (RRD). Posteriormente, serão disponibilizados como subsídio para futuras ações de extensão, ensino, pesquisa e articulação institucional. Pretende, também, contribuir para a sistematização de recomendações voltadas ao fortalecimento do papel dos Institutos Federais na prevenção, preparação e resposta a desastres.
Capacidades mal aproveitadas pelo poder público nas ações de redução de riscos de desastres
Sammya Chaves, docente do Instituto Federal do Piauí (IFPI) apresentou os tipos de desastres que ocorrem em seu estado, pela falta ou excesso de chuva. Além da seca e estiagem, as chuvas intensas e temporais provocam ocorrências hidrológicas (principalmente, inundações em áreas de rios) e também eventos geológicos. Entre as causas dos desastres, estão a urbanização desordenada, a pressão demográfica, especulação imobiliária e políticas públicas ineficientes. “As ações de RDD do instituto estão no programa de pós-graduação Mestrado Profissional em Análise e Planejamento Espacial do IFPI. Foi criado um grupo de estudos e pesquisas em Clima, Riscos, Desastres e Vulnerabilidades Socioambientais (Projeto Climarisco).”, frisa a docente do IFPI. “ As ações integradas dos docentes e expertises na pós-graduação também contribuem para os resultados e ações participativas das comunidades.”, afirma a pesquisadora.
Mostrou o trabalho desenvolvido junto aos estudantes e comunidades, como a proposta de intervenção ambiental na formação de corredores verdes, em Teresina, e na identificação de áreas de riscos de incêndios florestais. Apresentou o Plano Comunitário de Redução de Riscos e Adaptação Climática (PCRA), desenvolvido como instrumento de reinvindicação coletiva, que orientou soluções mitigadoras de enfrentamento a riscos de desastres.
“Conseguimos trazer a discussão de nosso cotidiano em sala de aula, o que contribui para o engajamento de todos, além do trabalho participativo das comunidades”, destaca Sammya Chaves. “Somos mal aproveitados na região, não só os especialistas do Instituto Federal, mas também de outras universidades da região. Os órgãos públicos preferem pagar consultoria externa para questões ambientais e urbanas. Somos convidados apenas para chancelar o documento pronto.”, enfatiza a pesquisadora, sugerindo que especialistas da Academia poderiam contribuir como voluntários às demandas de pesquisa e de subsídios para ações do poder público. “Além de conhecermos nossa região, temos pesquisas, mapeamentos, ações e articulações junto às comunidades participativas”, afirma a professora que fala das capacidades como contribuição voluntária da Academia ao poder público. Como sugestão, deu o exemplo de possível contrapartida, como o apoio para melhoria dos laboratórios e de equipamentos de pesquisa, como drones. “O trabalho em RRD precisa do estreitamento das relações entre o poder público e as Universidades”, finaliza a professora do IFPI.
Cemaden Educação foi a semente para o Projeto de Extensão no IFSP: a comunicação e o protagonismo das comunidades
Fabiana Souza Ferreira, pesquisadora e docente do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), apresentou o potencial dos Institutos Federais em Redução de Risco de Desastres, ressaltando as experiências e ações do Projeto de Extensão “Áreas de Risco e Mudanças Climáticas”. Esse Projeto de Extensão foi criado e desenvolvido em 2019, a partir do contato e participação no Programa Cemaden Educação. “O Cemaden Educação foi a semente plantada para a criação do Projeto de Extensão do IFSP. Era necessário não só para as ações saírem de dentro da universidade, mas para se conectar com a população, com o público externo, além das formas de comunicar o risco de desastres”, relata a professora do IFSP, destacando: “Precisávamos ouvir mais e ter como protagonistas as pessoas e moradores das áreas de risco.”
A pesquisadora salientou que a Extensão tem transdisciplinaridade, ou seja, cooperação entre todas as disciplinas e interdisciplinas, promovendo o conhecimento e diálogo entre várias áreas, com pessoas e especialistas de dentro e fora da região. A professora Fabiana Ferreira evidenciou as várias ferramentas usadas com pessoas de todas as idades, no trabalho sobre áreas de risco de desastres. Pelo projeto Áreas de Risco, foi criado um Podcast, que promove debates e conversas, além de Fanzines (revistas e publicações independentes), para abordagem da temática com personagens populares. Como o do cachorro que vive no campus (Pirulito). As publicações são estendidas em varais dentro do campus. Nas comunidades, as crianças e adolescentes criaram Fanzines com o “Caramelo” local.
Trabalha, também, com literaturas regionais que envolvem temas sociais e de clima; vídeos explicando e resumindo a obra literária; utilização de teatro na encenação de obras literárias; além da utilização de filmes de cinema, os quais ajudam nos debates.
“Na Favela Eucaliptos de Santo André (SP), trabalhamos a Cartografia Social com as crianças, as quais são disseminadoras dentro da comunidade. Por esse trabalho, houve a participação direta dos moradores da comunidade na alteração de um capítulo inteiro sobre vulnerabilidades, durante a audiência pública para elaboração do Plano Diretor Municipal”, evidencia a pesquisadora Fabiana Ferreira, que também participou ativamente, como voluntária, na construção desse plano, dentro de sua especialidade. O trabalho de mapeamento dos becos e vielas da comunidade, realizado pelas crianças pelo projeto de Extensão, ganhou o Prêmio Periferia Viva, no ano de 2025. “Entre os desafios, nós pesquisadores precisamos ‘amassar o barro’ e conhecer o território. Precisamos fazer essa união (universidade-comunidade e poder público) e criar vínculos para a construção de políticas públicas em Redução de Risco de Desastres.
No final das apresentações, houve a interação com o público participante, de pesquisadores e profissionais em gestão de desastres, respondendo as perguntas pelo Chat.
A íntegra desse primeiro encontro está disponibilizada no link do Canal YouTube da Série de Debates do Cemaden:
https://www.youtube.com/live/No5w9cX8a8E?si=Ntb36er46BjFyxeM
Serviço
Série de Debates Cemaden
Tema: O potencial dos Institutos Federais para a Redução de Risco de Desastres
Datas: 30/04 e 13/05/2026
Horário: 10h (horário de Brasília)
Transmissão: Canal da Série de Debates Cemaden no YouTube
Link de transmissão do 2º Encontro, no dia 30/04/2026 às 10h: https://www.youtube.com/live/cS3LY7nnlfU?si=K67iOJZydGPjF06j
Link de transmissão do 3º Encontro, no dia 13/05/2026 às 10h: https://www.youtube.com/live/XGIWCEJbMak?si=dBSzQLX0IWeuhk_G
Fonte: Ascom/Cemaden (MRO)


- Crianças da periferia de Santo André elaboram o mapeamento de sua comunidade, dentro do Projeto de Extensão do Instituto Federal de São Paulo.

- Jovens das comunidades identificam áreas vulneráveis a risco de desastres, em Teresina

- Cartografia Social - crianças mapeiam a favela (Santo André-SP) e são convidadas a apresentarem o trabalho em seminário internacional.