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Pesquisa do Cemaden propõe método de investigação forense em desastres com participação da comunidade local
Pesquisador Adriano Mota Ferreira orientando atividade de cartografia social realizada com alunas(os) de Educação de Jovens e Adultos (EJA), em Poços de Caldas-MG.
O método FORIN (Investigação Forense em Desastres), atualizado em 2024, aponta que para a compreensão de “como” e “por que”, socialmente, é construído o risco de desastre, deve-se examinar as causas profundas da vulnerabilidade (desigualdade de renda e falta de acesso a poder político, por exemplo) e os fatores de risco de desastres (como ineficiência do planejamento territorial, expansão urbana, desmatamento, falta de saneamento básico, entre outros).
Com a proposta principal da combinação dessa Investigação Forense em Desastres aliada aos métodos participativos de pesquisa — como a cartografia social, na promoção da colaboração entre a comunidade e diferentes instituições em nível local — foi publicado um estudo científico no periódico internacional ‘Disaster Prevention and Management: An International Journal’, Editora Emerald, intitulado “Participatory forensic investigations of disasters (PARFORIN): including people in collective disaster risk analysis through social cartography” (Investigações forenses participativas de desastres “PARFORIN”: incluindo as pessoas na análise coletiva de risco de desastres por meio da cartografia social).
A publicação tem a participação do sociólogo Victor Marchezini, pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) – unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Participam, ainda, a pesquisadora e professora Tatiana Sussel Gonçalves Mendes, do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (ICT/Unesp) e Alan dos Santos Pimentel, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Desastres (PGDN/ICT-Unesp/Cemaden).
A pesquisa foi liderada pelo pesquisador Adriano Mota Ferreira, integrante do Projeto Capacidades Organizacionais de Preparação para Eventos Extremos (COPE), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP, processos 2022/02891-9 e 2023/16922-6) como parte das atividades propostas no projeto.
Abordagens forenses para desastres
As metodologias forenses em desastres ganharam notoriedade em 2010, quando o Programa Científico Internacional “Integrated Research on Disaster Risk” (IRDR), apoiado pelo International Science Council (ISC) e pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres — (United Nations Office for Disaster Risk Reduction-UNDRR) — lançou o projeto Forensic Investigations of Disasters-FORIN (Investigação Forense de Desastres). O intuito do projeto, atualizado em 2024, é examinar as causas profundas da vulnerabilidade e os fatores de risco de desastres para a compreensão de como e por que é construído, socialmente, o risco de desastre.
Ferreira, líder do estudo científico, explica que, após análises dos diferentes tipos de eventos perigosos e de desastres — em termos de tempo e espaço (análise longitudinal retrospectiva) e da integração com as mudanças no uso do solo urbano e rural e com o crescimento populacional — a equipe de pesquisa selecionou um bairro para pesquisa de campo, utilizando questionários e mapeamento participativo.

- Infraestrutura urbana e distribuição espacial de ameaças e desastres, entre 1980 e 2021, em Poços de Caldas-MG.
Ao todo, a pesquisa envolveu 37 participantes em atividades de extensão, incluindo estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), uma entidade socioassistencial, uma universidade e a comunidade local. O pesquisador salienta: “nossos resultados mostram a importância do envolvimento das pessoas em nível local para a compreensão de elementos institucionais e de governança.”, frisa Ferreira e complementa: “Assim, também, ocorrem as dinâmicas sociais, as quais vão além da compreensão estática do ambiente físico, geralmente destacada em mapas convencionais”, ressalta o pesquisador.
Marchezini, que é coordenador do Projeto COPE, aponta que a pesquisa está alinhada às agendas internacionais que destacam o papel das abordagens centradas nas pessoas e da participação social na redução do risco de desastres. “Em uma análise anterior de 156 artigos científicos, identificamos uma lacuna de estudos sobre metodologias participativas nas investigações forenses de desastres. Nessa nova metodologia, suprimimos parte dessa lacuna.”, destaca o pesquisador do Cemaden. “Envolvemos uma universidade mineira na construção de uma base de dados locais sobre registros de ocorrências e desastres. Também utilizarmos outras metodologias para compreender o risco de desastre, que se materializa no território ao longo do tempo, não dependendo de um evento extremo para começarmos a agir”, pondera Marchezini.
O artigo intitulado “Participatory forensic investigations of disasters (PARFORIN): including people in collective disaster risk analysis through social cartography” (Investigações forenses participativas de desastres (PARFORIN): incluindo as pessoas na análise coletiva de risco de desastres por meio da cartografia social) está disponível (mediante assinatura) no endereço:
Fonte: Ascom/Cemaden (MRO)