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Equipes técnicas do CEMADEN prosseguem na manutenção de equipamentos na região de Juiz de Fora
Desde o dia 26/2, quando fortes chuvas atingiram a mesorregião da Zona da Mata mineira e ocasionaram a ocorrência de desastres com dezenas de mortos e milhares de desabrigados, duas equipes do CEMADEN têm atuado na avaliação das plataformas de coleta de dados (PCDs) pluviométricas e hidrológicas instaladas nos municípios de Juiz de Fora e Ubá. O trabalho tem sido realizado em parceria com as defesas civis locais, que sugerem pontos de instalação de equipamentos – que são posteriormente avaliados pela coordenação-geral de Operações e Modelagem do CEMADEN. Esses equipamentos são fundamentais para o monitoramento de chuvas intensas e níveis dos rios e para a emissão de alertas de risco de desastres (quando são alcançados limiares críticos pré-definidos); as PCDs verificadas neste trabalho estão em dois dos municípios mais impactados pelas chuvas intensas que atingiram a região, no fim de fevereiro de 2026.
Atualmente, Juiz de Fora conta com 24 PCDs pluviométricas e uma hidrológica instaladas, enquanto Ubá possui dez equipamentos de monitoramento das chuvas (também conhecidos como pluviômetros) e tinha uma PCD de acompanhamento de nível de rios integrada à Rede Nacional de Monitoramento. No momento do evento extremo que ocasionou o desastre, 21 equipamentos estavam operando em Juiz de Fora e outros sete estavam funcionais em Ubá. Em Juiz de Fora, o trabalho da equipe do CEMADEN incluiu a limpeza dos pluviômetros e o restabelecimento de todos os pontos inativos. Já em Ubá, após cerca de 15 dias sem acesso para a verificação dos equipamentos (em virtude da extensão da destruição e das decorrentes dificuldades de acesso), a equipe do Centro conseguiu chegar aos equipamentos e verificou que a PCD hidrológica do município havia sido levada pela enxurrada. Os demais equipamentos instalados em Ubá estão passando por manutenção e avaliação de possíveis pontos de realocação, a partir de sugestões da Defesa Civil municipal.

- A plataforma de coleta de dados (PCD) hidrológica que estava instalada nesta ponte, em Ubá, foi levada pela enxurrada, em fevereiro de 2026.
O Coordenador Municipal da Defesa Civil de Ubá, Anderson Almeida, avalia que o trabalho desempenhado pelo CEMADEN é fundamental para os municípios suscetíveis a riscos de desastres. “Diante desse cenário de prejuízos e destruição sem precedentes, é extremamente importante o monitoramento de volumes de chuvas e o acompanhamento da elevação do nível de cursos d'água, razão pela qual o CEMADEN exerce um papel de extrema relevância no contexto do monitoramento através de seus equipamentos instalados em toda a cidade, possibilitando a adoção de medidas preventivas para proteger vidas”. Ele destaca, ainda, a agilidade na manutenção dos equipamentos de monitoramento instalados no município. “Os profissionais foram muito atenciosos e prestativos, visitaram locais rapidamente, realizaram o serviço de manutenção de maneira célere e restaneleceram prontamente os equipamentos que se encontravam indisponíveis”, enfatiza o coordenador municipal.
O que são e como funcionam os pluviômetros automáticos?
Os pluviômetros são instrumentos projetados para medir a quantidade e a intensidade das chuvas. Na rede de monitoramento ambiental do CEMADEN, os sistemas automáticos desempenham um papel crucial: eles coletam dados e os transmitem diretamente para o Sistema de Alertas e Visualização de Áreas de Risco (Salvar), uma plataforma computacional desenvolvida para monitorar dados ambientais. Essa plataforma de visualização de áreas de risco, disponibilizada na Sala de Situação e utilizada pelos operadores que trabalham durante 24 horas por dia, sete dias por semana.
Quando há ocorrência de chuva, o equipamento envia informações sobre o acumulado, em milímetros, a cada 10 minutos. Em períodos sem a ocorrência de chuva, a conexão ocorre uma vez por hora, apenas para confirmar o estado do sensor. Esses dados são fundamentais para a emissão e o envio de alertas quando necessário – somados a outras informações, como características geodinâmicas, hidrológicas e as vulnerabilidades do município.
Durante eventos da magnitude dos que ocorreram recentemente em Minas Gerais, fatores como as chuvas intensas, rajadas de vento, descargas elétricas atmosféricas, acúmulo de detritos e instabilidade do solo podem comprometer o funcionamento adequado das estações. Danos estruturais, obstrução de sensores ou falhas de comunicação podem alterar o comportamento operacional dos equipamentos, impactando a qualidade dos dados transmitidos em tempo real. Diante desse cenário, as equipes técnicas foram enviadas para:
- Realizar inspeção completa das PCDs;
- Verificar integridade estrutural, sensores e sistemas de transmissão;
- Restaurar equipamentos eventualmente danificados;
- Garantir que todas as estações operem nas melhores condições técnicas possíveis;
- Reforçar a confiabilidade dos dados utilizados na sala de situação do Centro.
Essa ação imediata assegura que o CEMADEN continue fornecendo informações precisas e tempestivas para a tomada de decisão pelas Defesas Civis municipais, estaduais e demais órgãos responsáveis pela gestão de risco de desastres.
Compromisso com a proteção da população vulnerável
Em momentos pós-desastre, a manutenção da rede observacional é estratégica. Além de subsidiar a Sala de Situação do CEMADEN, os dados coletados contribuem para:
Avaliação de risco residual em encostas e áreas alagadas;
- Planejamento de ações emergenciais e de reconstrução;
- Revisão de limiares críticos de chuva para futuros alertas.
Expansão da rede: Novo PAC ampliará cobertura na região
A atuação emergencial ocorre paralelamente ao processo nacional de expansão da rede observacional no âmbito do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), iniciativa do governo federal brasileiro. Dentro desse programa, a região imediata de Juiz de Fora e Ubá será contemplada com até 114 novos equipamentos, distribuídos em 39 novos municípios. Essa ampliação representa:
Maior densidade espacial de monitoramento;
- Aumento da capacidade de detecção precoce de eventos extremos;
- Redução do tempo de resposta para emissão de alertas;
- Fortalecimento da integração entre monitoramento nacional e defesas civis locais.
Monitoramento contínuo como política de Estado
O desastre recente evidencia a importância estratégica de uma rede observacional robusta, moderna e bem mantida. O trabalho técnico realizado em campo demonstra que o monitoramento não se limita à emissão de alertas, mas envolve uma atuação contínua de manutenção, calibração, verificação e aprimoramento tecnológico.
Em um contexto de eventos climáticos cada vez mais intensos e frequentes, aprimorar o monitoramento ambiental é fortalecer a capacidade do Estado brasileiro de proteger suas comunidades – especialmente aquelas em situação de maior vulnerabilidade.