Notícias
Com diagnósticos e sugestões de soluções para problemas de inundações e alagamentos, CEMADEN participa de CPI na Câmara Municipal de São Paulo
Na última quinta-feira (26/3), a diretora do CEMADEN, Regina Alvalá, a pesquisadora Luz Adriana Cuartas e o tecnologista Jorge Barbarotto estiveram presentes na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Jardim Pantanal, na Câmara Municipal de São Paulo. A CPI investiga as causas e busca soluções para os problemas de enchentes, alagamentos e inundações que atingem a região do bairro Jardim Pantanal, localizado no extremo leste da capital paulista. Situada em área de várzea do Rio Tietê e assolada por alagamentos que eventualmente se prolongam por dias após as chuvas fortes, a região (distrito de Jardim Helena) é considerada altamente suscetível a inundações e alagamentos na cidade de São Paulo, de acordo com informações apresentadas pela equipe do CEMADEN. Os especialistas destacaram, ainda, a existência de inúmeras escolas na região e a expansão urbana em direção a áreas mais suscetíveis a inundações ao longo das últimas décadas, informações estas providas pelos Drs. Lucrencio Silvestre Macarringue, Rita Márcia Vieira e Viviana Aguillar Muñoz.
Durante o evento, a diretora do CEMADEN apresentou a missão institucional do Centro e detalhou as atividades de monitoramento e emissão de alertas de riscos de deslizamentos de terra, inundações e enxurradas para os 1.295 municípios prioritários monitorados. Ela destacou, ainda, que o número de cidades monitoradas será ampliado para 2.095, bem como elucidou que os alertas emitidos pelo Centro são encaminhados para a Defesa Civil nacional, concomitantemente com o envio para as defesas civis dos municípios alertados. Alvalá complementou informando que o Centro provê boletins de previsão de riscos geo-hidrológicos (considerando recortes territoriais associados a mesorregiões), os quais são publicados duas vezes ao dia no site do CEMADEN.
Concluindo a apresentação sobre a missão do CEMADEN, a diretora ressaltou as colaborações nacionais e internacionais; a formação de recursos humanos especializados por meio das atividades do Programa de Pós-Graduação em Desastres; a prioridade em conhecer os riscos, monitorar e alertar antecipadamente – além da atuação com foco na educação para a prevenção de riscos de desastres, por meio do Programa Cemaden Educação. Especificamente sobre o tema da CPI, Regina Alvalá destacou o evento ocorrido em fevereiro de 2025 na região do Jardim Pantanal e os impactos associados, considerando reportagem apresentada à época do evento e mencionando um evento similar registrado em 1995 – o que evidencia a recorrência de alagamentos na região do Jardim Pantanal ao longo das últimas décadas.

- Da esquerda para a direita: Luz Adriana Cuartas, pesquisadora; Jorge Barbarotto, tecnologista; e Regina Alvalá, diretora do CEMADEN. Foto: Lucas Bassi (Câmara Municipal de São Paulo).
Diagnóstico demonstra suscetibilidade da região e alto volume de chuvas no início de 2025
Na mesma sessão da CPI Pantanal, o tecnologista do CEMADEN Jorge Barbarotto apresentou dados específicos do monitoramento hidrológico da região, além de abordar possíveis causas para os alagamentos. “Quando há uma barragem, ela serve para controle da vazão – pode-se segurar a água represada, até mesmo para aumentar o nível de reservatórios, ou pode dar vazão a essa água. É preciso investigar qual é o efeito do represamento da barragem da Penha na ocorrência dos alagamentos do Jardim Pantanal. Outra hipótese é que o próprio sistema de drenagem do Jardim Pantanal seja insuficiente para suportar as chuvas que caem na região, como ocorre com sistemas de drenagem de várias cidades do Brasil”. O especialista esclareceu que, considerando os dados de monitoramento do bairro pelo CEMADEN entre 2015 e 2026, o acumulado de chuvas em 24 horas no dia 01/02/2025 (que ocasionou os alagamentos dos dias subsequentes) foi o segundo maior da série histórica. Diante da situação, foram enviados alertas de risco hidrológico do CEMADEN nos dias 30/01/2025 (moderado), 01/02 (alto) e 02/02 (moderado), ressaltando que os alertas são emitidos não para bairros específicos, mas para o município (no caso, município de São Paulo). Somente no dia 04/02/2025 que o alerta para o município foi cessado pelo Centro.
Questionado sobre como o CEMADEN chega aos dados que resultam na emissão de alertas, Barbarotto explicou que o Centro se municia de informações sobre previsões de chuvas providas por modelos meteorológicos, de imagens de satélites; de dados de radares meteorológicos; de dados de descargas elétricas e de acumulados de chuvas captados pelas plataformas de coleta de dados pluviométricos e hidrológicos da rede observacional do Centro e de parceiros. Além disso, o CEMADEN recebe informações de outras fontes que incrementam o monitoramento nacional, como aqueles providos por defesas civis municipais, assim como com o retorno dos municípios acerca da ocorrência de eventos climáticos nas localidades que receberam os alertas do Centro.
Na sequência, a pesquisadora em hidrologia do CEMADEN Luz Adriana Cuartas Pineda apresentou as análises sobre a expansão urbana no Distrito Jardim Helena, desde 1995 a 2023, ressaltando que, ainda que o crescimento não tenha sido substancial, ele ocorreu em locais mais próximos das margens do rio Tietê. Segundo as análises realizadas pela equipe, essa expansão aconteceu nas áreas mais baixas – e, portanto, mais suscetíveis a inundações. E é nestas áreas mais baixas que está localizado o bairro Jardim Pantanal.
Educação para a prevenção de desastres e soluções baseadas na natureza contribuem para mitigar impactos das chuvas
Luz Adriana Cuartas também contribuiu para a CPI com a apresentação de possíveis soluções baseadas na natureza para amenizar os problemas enfrentados pela população da região. As intervenções sugeridas se dividem em três eixos: retenção (armazenamento temporário de água pluvial, para reduzir alagamentos rápidos); infiltração (relacionado à permeabilidade do solo, de modo a reduzir o volume de água que sobrecarrega o sistema de drenagem); e preservação (relativo à manutenção do equilíbrio hidrológico natural e à proteção de áreas sensíveis). “A Prefeitura poderia, por exemplo, favorecer a infraestrutura e incentivar que os moradores acumulassem a água de chuva nos telhados, o que ajudaria a dispor de água em períodos de seca. Temos que pensar nos dois eventos”, ressaltou Cuartas.
O Programa CEMADEN Educação, que envolve a aprendizagem e a mobilização de comunidades para lidar melhor com os problemas decorrentes das mudanças climáticas e riscos de desastres, também foi apresentado pela diretora do CEMADEN. Ela ressaltou aos membros da CPI que a nona edição da campanha do Programa, cujo tema é “Cidades sem Risco”, está, neste momento, realizando as itinerâncias em diferentes partes do país (inclusive no ABC e litoral paulista). Os encontros formativos da campanha, que envolvem educadores, estudantes e lideranças comunitárias, incentivam a elaboração e a aplicação de iniciativas dentro das comunidades mais suscetíveis, considerando a realidade e os desafios de cada localidade. Durante as respostas às perguntas dos parlamentares, a equipe do CEMADEN mencionou a relevância dos Núcleos de Proteção e Defesa Civil (Nupdecs) para a prevenção e mitigação de impactos dos desastres socioambientais.