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Série de Debates
Cemaden promove debate sobre gênero e diversidade em redução de risco de desastres
Com o objetivo de promover a compreensão mútua e a troca de informações e boas práticas sobre Redução do Risco de Desastres (RRD), bem como a adaptação às mudanças climáticas (com foco na perspectiva de gênero e diversidade), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) — unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação (MCTI) — promoveu o debate “ Gênero e diversidade em redução de risco de desastres: lições aprendidas a partir da experiência japonesa - Brasil e Moçambique".
Participaram como palestrantes: a representante de Moçambique, Nelma de Araújo, do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD-Moçambique), a pesquisadora Silvia Saito, do Cemaden/MCTI e Ricardo Branco, da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC), do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR). A moderação do debate foi feita pela pesquisadora Monique Sampaio, do Programa de Pós-Graduação do Programa de Pós-Graduação em Ciência do Sistema Terrestre, do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE/MCTI).
Os palestrantes apresentaram as ações e modelos japoneses de prevenção e resposta a desastres, informações obtidas durante o curso técnico-científico sobre “Gênero e Diversidade em Redução de Risco de Desastres e Mudança Climática”, realizado no Japão, promovido pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA). O curso foi realizado no período de 21 de outubro a 14 de novembro de 2025, com aulas expositivas, atividades em grupo e visitas técnicas.
O debate foi transmitido pelo Canal YouTube da Série de Debates do Cemaden, no último dia 30 de março. Os palestrantes interagiram com o público participante respondendo as perguntas feita pelo Chat. O público era integrado por representantes de agências governamentais e sociedade civil que atuam RRD, mudanças climáticas e igualdade de gênero.
Mulheres são mais vulneráveis e a importância dos grupos minoritários na gestão de desastres
Nelma de Araújo, do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD-Moçambique ressalta que os desastres afetam homens e mulheres de forma diferente, com impactos que variam de acordo com o contexto social, político, econômico e cultura. “As mulheres são frequentemente mais vulneráveis, devido à construção cultural e aos papéis sociais como cuidadora social” afirma Araújo e complementa: “É crucial a participação das mulheres em espaços de decisão política para enfrentar as questões de impactos provocados pelas mudanças climáticas”.
A representante de Moçambique apresentou, também, os eventos extremos que ocorrem em Moçambique e as competências do instituto INGD.
Sobre as experiências e conhecimentos obtidos no curso técnico-científico do Japão, Nelma Araújo destaca a promoção de uma cultura de prevenção, os mapas de risco e rotas de evacuação para zonas seguras, os simuladores de eventos extremos e sobre os procedimentos de alerta. Destacou o fortalecimento das capacidades japonesas em nível local, a organização comunitária, com capacitação e participação das mulheres na Gestão e Redução do Risco de Desastres.
Entre as considerações, ressaltou a necessidade de se criarem oportunidades para que as mulheres e os grupos minoritários possam ser ativos em todas as fases do ciclo de gestão de desastres. “É importante as conexões entre os diferentes atores que representam os diversos grupos minoritários. Dessa forma, assegura o cumprimento de seus direitos e contribui para igualdade de gênero na gestão de desastres”, finaliza Nelma de Araújo.
Abrigos humanizados, evacuação inclusiva e formação de lideranças femininas em prevenção e respostas a desastres
Ricardo Branco, coordenador de Inovação e Suporte para Disseminação de Alertas, da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC/MIDR), destacou alguns temas tratados no curso, com as experiências japonesas na prevenção e resposta a desastres. Abordou sobre os abrigos inclusivos, o projeto Hiratsuka Powers (formação de lideranças femininas, semelhante ao Núcleo Comunitário de Defesa Civil, adotado no Brasil), o projeto I-BOSAI (Redução Inclusiva de Riscos de Desastres), os protocolos de alertas e os Planos de evacuação comunitária dos inclusivos.
O coordenador do SEDEC relatou as experiências japonesas para resolver os problemas de gerenciamento de Abrigos, principalmente, pela falta de privacidade, vergonha das pessoas para buscar material de higiene, locais para amamentação, além dos atos de violência, principalmente, contra crianças e mulheres. “Destaco as experiências japonesas para melhorias do ambiente da vida nos abrigos e as propostas de um abrigo mais humanizado” afirma Branco, informando as medidas como a instalação de divisórias, salas de amamentação, separação de banheiros (masculino e feminino). Enfatizou, também, a preocupação de incluírem áreas de secagem de roupa, vestiários, áreas de descanso, e áreas específicas de distribuição de produtos de higiene feminina, além de elaborarem Cartilhas de orientação para as pessoas no abrigo.
Iniciativas de proteção, valorização do papel das mulheres e enfrentamento aos impactos dos desastres e mudanças climáticas
A pesquisadora do Cemaden, Silvia Saito abordou as iniciativas para a proteção e representação de gênero, com as lições após o tsunami de 2011, ocorrido no Japão. Também citou os problemas dos abrigos, com os casos de assédio, insegurança, violência de gênero (física, psicológica, econômica e sexual), o desrespeito à dignidade, entre outros. “Foi necessário aumentar a participação das mulheres nos processos de tomadas de decisão em todos os níveis” afirma a pesquisadora e enfatiza “Outra ação foi a de criar mecanismo para garantir representação de gênero e diversidade na reconstrução do país”
Silvia Saito ressaltou, entre as iniciativas japonesas, a criação da Rede de Mulheres do Japão para RRD. “A falta de sensibilidade de gênero e a discriminação contra as mulheres foi demonstrada na tomada de decisões após o desastre”, afirma a pesquisadora, informando que foi adotada uma política básica para a igualdade de gênero e empoderamento das mulheres, em 2025, com planos de governo para incentivar maior representação feminina e produção de guias e manuais para os governos locais.
“Outras iniciativas também foram importantes como a promoção da defesa dos direitos de todas as pessoas, o incentivo ao empreendedorismo e independência feminina, além de oferecerem estrutura para promover a igualdade de gênero”, salientou a pesquisadora do Cemaden.
A valorização do papel das mulheres para a construção da memória coletiva — mostrada em museus, memoriais, vídeos, áudios — também foi abordada: “A mulher destaca-se como protagonista e não como grupo vulnerável”, enfatiza Saito.
Citou os impactos dos desastres e das mudanças climáticas no Japão, que afetou as terras agricultáveis, provocou redução das taxas de nascimento com decréscimo da população em cidades pequenas, além do impacto na indústria pesqueira. “Para o enfrentamento desses impactos, aumentou-se a liderança das mulheres nas tomadas de decisão, no protagonismo de empreendimentos econômicos e na criação de oportunidades locais.”, enfatizou a pesquisadora Silvia Saito, ressaltando: “Se a medida de resiliência não for adotada em tempos normais, não poderá ser feita em emergência. Resiliência precisa ser construída, considerando perspectiva interseccional de gênero e diversidade” , afirma a pesquisadora do Cemaden.
O debate na íntegra pode ser acessado no Canal YouTube da Série de Debates do Cemaden, pelo link:
https://www.youtube.com/live/1lAK2Toc0RI?si=BHb8cZCgQN57WFuB
Fonte: Ascom/Cemaden (MRO)

- Série de Debates aborda as questões de gênero e diversidade na redução de risco de desastres e mudanças climáticas.

- Curso "Gênero e Diversidade em Redução de Risco de Desastres e Mudanças Climáticas", realizado no Japão, promovido pela Agência JICA.
