Notícias
Cemaden participa de documentário sobre preservação de recursos hídricos e produção alimentar sustentável
Na tarde da última sexta-feira (30/1), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) recebeu a visita de documentaristas do Canal Futura para gravação da segunda temporada da série documental Água de Plantar, que trata das formas como comunidades tradicionais se relacionam com recursos hídricos e como suas práticas ancestrais impactam a preservação de ecossistemas. A equipe gravou uma entrevista com climatologista Jose Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden e também visitou a Sala de Situação do Cemaden, recebida pelo meteorologista Marcelo Seluchi, que explicou sobre monitoramento e emissão de alertas de risco de desastres.
Marengo explicou a história e o trabalho desenvolvido no Cemaden, especialmente quanto ao monitoramento de riscos e possíveis impactos sociais de desastres climáticos, tanto aqueles ocasionados pelo excesso quanto pela escassez de água.
Um dos temas da entrevista com Jose Marengo foi o contexto de mudanças climáticas, cada vez mais perceptível no cotidiano. “As chuvas têm sido mais irregulares e concentradas em poucos dias. As secas têm ficado mais intensas, e temos tido ondas de calor não apenas no Brasil, mas em outras partes do mundo. Agora, por exemplo, os Estados Unidos estão vivendo uma onda de frio. O clima está ficando mais irregular e os extremos, mais intensos”, analisa.
Ao mesmo tempo em que os esforços devem ser articulados e transnacionais, Marengo avalia que os diferentes níveis de vulnerabilidade das populações são um fator a ser considerado quanto aos impactos das mudanças do clima. “A agenda climática precisa ser independente de governos e sustentável a longo prazo. Todos somos seres humanos e todos seremos afetados. Estamos perto de uma situação de crise hídrica em São Paulo, por exemplo”, destaca o climatologista, que aprova iniciativas que buscam amenizar os riscos de escassez hídrica. “Temos experiências que mostram a contribuição do reflorestamento em áreas de mananciais para a recuperação desses mananciais, por exemplo”, ressalta Marengo.
Ações de médio e longo prazo, no entanto, devem ser combinadas com o monitoramento e as medidas de redução de riscos imediatos. É nesse contexto que ganham importância os alertas emitidos pelo Cemaden, que embasam ações de mitigação de riscos adotadas por outros órgãos junto às populações vulneráveis. “Por que a população tem que ter os alertas? Porque pessoas que moram em uma área de risco – onde antes era o leito de um rio e hoje existe um conjunto habitacional, por exemplo – precisam ter a percepção de que vivem em áreas de risco. Quando emitimos um alerta, é para que a população possa salvar sua vida”, avalia Marengo, que destaca a importância de uma cultura de prevenção e proteção às vidas.
Marengo também exemplifica a relevância do monitoramento e da emissão de alertas com as chuvas no Rio Grande do Sul, em 2024. Ele ressalta, ainda, que a comunicação é fundamental para que os alertas consigam ocasionar comportamentos voltados à preservação das vidas. “O Cemaden já havia identificado e emitido alertas, e a Defesa Civil estadual também atuou. Ainda assim, víamos notícias de pessoas que não acreditavam nos alertas. Naquele momento, assistimos à negação da ciência. Não adianta ter as melhores previsões se os alertas não forem transmitidos e se a população não conseguir entender e acreditar neles”, observa o climatologista.

- Durante a visita da equipe da TV Futura, o coordenador-geral de Operações e Modelagem, meteorologista Marcelo Seluchi, apresentou a Sala de Situação do Cemaden, explicando seu funcionamento no monitoramento e emissão de alertas de risco de desastres geo-hidrológicos.
A partir de outro exemplo – as chuvas e mortes em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, em 2022 –, os limites das previsões também foram destacados pelo especialista do Cemaden. “Havia sido feita a previsão, mas choveu muito mais que o previsto. Temos que lembrar que a previsão do tempo é uma ação humana, mas a natureza segue seu próprio curso. O córrego subiu, as pessoas em áreas mais baixas não sabiam o que fazer e não foram instruídas; talvez pudessem ter saído por outro lugar”, reflete Marengo, para quem a percepção de risco precisa abranger tanto as populações quanto os governos. “Se a ameaça está aumentando como consequência das mudanças climáticas e se nada é feito para reduzir a exposição e a vulnerabilidade da população, o risco de desastres no futuro será muito maior”, finaliza.
Sobre a série
Água de Plantar é uma série documental sobre produção sustentável e proteção das águas. Dirigida por Eder Santos e André Hallak, a segunda temporada terá 13 episódios e pretende destacar o potencial da agrofloresta na transformação ambiental e produção sustentável de alimentos. A primeira temporada, também exibida no Canal Futura, contou com 26 episódios e trouxe enfoques na valorização da agricultura familiar e no diálogo entre saberes tradicionais e científicos.
Fonte: Ascom/Cemaden (MRO e NL)