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Cemaden é homenageado na ExpoEpi e reforça papel central da ciência no enfrentamento da crise climática e seus impactos na saúde
Diretora do Cemaden recebe homenagem na ExpoEpi
A 18ª ExpoEpi, promovida pelo Ministério da Saúde por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, adotou como tema central "Saúde e Mudanças Climáticas" e reuniu especialistas, gestores, pesquisadores e profissionais de saúde de todo o Brasil para debater os impactos crescentes das transformações ambientais sobre a saúde pública.
A presidente da ExpoEpi, Mariângela Simão, abriu o evento ressaltando a urgência da agenda climática para o país. "Já estamos vivendo um momento em que doenças surgem e outras desaparecem por causa das mudanças climáticas", alertou, sinalizando que isso já é uma realidade presente — e não apenas uma projeção futura.
O debate foi aprofundado por autoridades nacionais que destacaram a dimensão sanitária e econômica da crise ambiental. O ministro Alexandre Padilha destacou que o aquecimento global não somente altera a dinâmica das doenças, mas compromete diretamente o atendimento hospitalar. Com base em dado apresentado na COP 28, ele informou que 1 em cada 12 hospitais no mundo teve suas atividades paralisadas em decorrência de tragédias climáticas.
"A crise de saúde pública, decorrente da crise climática, é a face, talvez, mais dolorosa e visível para a sociedade do risco que é o mundo não se organizar para que a gente possa ter um mapa do caminho para garantir que a gente impacte fortemente nesse ciclo gravíssimo de mudanças climáticas que o mundo vive." - Ministro Alexandre Padilha
O ministro também apontou o nexo entre a degradação ambiental e a crise econômica: "Mudanças climáticas demandam muito da saúde. A crise climática gera também uma crise econômica", afirmou. Pesquisa da Fiocruz citada durante o evento reforça essa dimensão: o aumento da temperatura média está associado ao crescimento do número de nascimentos prematuros no Brasil e ao aumento do risco de morbidade entre gestantes.
A deputada federal Marina Silva também marcou presença no debate, reforçando que o custo do cuidado preventivo é sempre inferior ao custo do reparo. Ela alertou ainda para a subnotificação das mortes relacionadas a eventos extremos: "Por causa de mudanças climáticas, perdemos em torno de 500 mil vidas por ano no mundo. Isso sem contar muitas áreas que são subnotificadas".
O cenário descrito pelos especialistas converge para um ponto central: a alteração do clima planetário faz com que enfermidades se manifestem em regiões onde antes não existiam, exigindo de todos os setores — e especialmente do sistema de saúde — uma adaptação contínua e acelerada.
Papel do Cemaden
O Cemaden — Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) — recebeu homenagem durante o evento, reconhecimento celebrado pela diretora da instituição, Regina Alvalá.
"O Cemaden agradece pela homenagem e por participar de um evento sobre clima e saúde, discutindo as emergências climáticas. E o Cemaden tem um papel fundamental, junto com o Ministério da Saúde, no sentido de prover informações sobre as ameaças naturais — secas e inundações. Além disso, o Cemaden pode subsidiar o Ministério da Saúde com informações de modo que o órgão se prepare com antecedência para esses eventos climáticos." - Regina Alvalá, diretora do Cemaden
A parceria estratégica entre o MCTI e o Ministério da Saúde se traduz, na prática, em dados e análises que permitem antecipar respostas sanitárias a eventos extremos. O Cemaden monitora continuamente ameaças naturais em todo o território nacional, com foco especial em secas e inundações — dois dos fenômenos que mais afetam populações vulneráveis e sobrecarregam o sistema público de saúde.
Entre os principais serviços e pesquisas que o Cemaden desenvolve que pode subsidiar o trabalho preventivo da saúde pública com base científica, destacam-se:
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Monitoramento em tempo real de riscos de deslizamentos, enxurradas, inundações e seca, com emissão de alertas antecipados para municípios prioritários em todo o Brasil.
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Mapas de risco e vulnerabilidade que identificam populações expostas a desastres naturais, permitindo ao setor de saúde planejar a resposta com antecedência.
A diretora Regina Alvalá concluiu sua fala com um chamado à ação coletiva: "As mudanças climáticas são uma realidade, os eventos estão cada vez mais frequentes e intensos, e a parceria entre o setor de ciência e tecnologia e o setor de saúde é fundamental para que a gente possa mitigar os impactos e salvar vidas."
A homenagem à instituição na ExpoEpi reafirma o papel insubstituível que a ciência — e em especial o monitoramento baseado em evidências — tem no fortalecimento da capacidade de resposta do Brasil diante dos crescentes desafios impostos pela emergência climática global.