Notícias
Situação Atual e Projeção Hidrológica para o Sistema Cantareira 06/02/2026 Ano 12 Nº 113
Esta edição do boletim traz um resumo da situação referente ao mês de janeiro de 2026, e projeções hidrológicas de fevereiro a setembro de 2026. Em janeiro, os reservatórios do Sistema encerraram o mês com cerca de 23% do volume útil, situando-se na faixa de operação "Restrição" (entre 20% e 30%)[1]. O volume atual é 3% superior ao registrado no final de dezembro de 2025, mas permanece abaixo do observado no mesmo período de 2025 (52%). Desde outubro de 2025, esse patamar configura o menor nível desde a crise hídrica de 2014/2015. Durante o mês de janeiro de 2026, a precipitação acumulada foi de 72% da média, enquanto a vazão afluente ficou em torno de apenas 50% da média para o período. Esses resultados evidenciam a persistência de um déficit hídrico, conforme indicado pelo Índice de Seca Bivariado Precipitação–Vazão (TSI), que enquadra o Sistema em condição de seca hidrológica de intensidade extrema, nas escalas de 6 e 12 meses. As projeções hidrológicas (Tabela 01) indicam que, considerando um cenário de chuvas na média, o volume útil estimado nos reservatórios ao final de março é de 39%, classificando o Sistema Cantareira na faixa de operação “Alerta” (entre 30% e 40%). Em um horizonte mais longo, ao final de setembro, as simulações para esse mesmo cenário apontam para um agravamento da situação, com volumes estimados em 32%, também na faixa de operação “Alerta”[2]. Ainda nesse cenário de precipitação na média, as simulações indicam vazão afluente média ao Sistema Cantareira de 55 m³/s (90% da média histórica) entre fevereiro e março de 2026 e de 25 m³/s (87% da média) entre abril e setembro. Ressalta-se que, mesmo sob condições pluviométricas médias, as vazões ao longo de todo o período permanecem abaixo dos valores históricos, indicando a persistência de déficit ao final da atual temporada chuvosa e ao longo da estação seca subsequente.

- Tabela 01. Projeções de vazões médias entre fevereiro e setembro de 2026 e volume armazenado no final de março e setembro de 2026, considerando cinco cenários de precipitação: 50% e 25% abaixo da média histórica, na média histórica e 25% acima da média histórica e cenário crítico. As faixas de operação do reservatório estão de acordo com a resolução conjunta da ANA/DAEE Nº 925/2017. Nessas simulações, foi considerado aporte médio diário de 5,13 m3/s proveniente da interligação do Sistema Paraíba do Sul para Sistema Cantareira, de acordo com a Resolução conjunta ANA 1.931/17.
[1] De acordo com a Resolução conjunta ANA/DAEE Nº 925/2017.
[2] Ressalta-se que as projeções podem ser modificadas de acordo com mudanças na vazão de interligação com a bacia Paraíba do Sul, bem como extrações do Sistema a serem praticadas pelo Operador, nos próximos meses
Situação hidrológica atual do Sistema Cantareira
A precipitação acumulada durante os meses chuvosos da temporada 2025/2026, entre outubro e janeiro, foi 553 mm, representando 74% da média do período (743 mm) e 50% da média histórica da estação chuvosa (outubro-março, 1112 mm). No mês de janeiro, em plena temporada chuvosa na região, a precipitação acumulada foi 187 mm, equivalente a 72% da média histórica para este mês (261 mm) .
A média de vazão afluente aos reservatórios do Sistema Cantareira (Sistema Equivalente + Paiva Castro), de outubro a janeiro de 2026, de acordo com dados da SABESP[3] e da ANA[4] foi, de aproximadamente, 20 m3/s. Esse valor corresponde a cerca de 48% da média histórica desse período (42 m³/s), evidenciando um acentuado quadro de déficit hídrico, e representa cerca de 42% da média da estação chuvosa (49 m³/s). No mês de janeiro de 2026, a vazão média afluente registrada foi de 32 m3/s, o que representa cerca de 50% da média mensal histórica (65 m3/s). No mesmo mês, a Qesi foi de 24 m³/s, superando o limite máximo de 23 m³/s previsto para a faixa de operação “Restrição”, conforme a Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925/2017. A vazão de jusante (Qjus), que contribui com as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Região do PCJ), ficou em torno de 7,5 m³/s. Somadas, essas duas vazões resultaram em uma extração total de 32 m³/s do Sistema Cantareira, o que representa um aumento de 7% em relação ao mês anterior. Ainda em janeiro, a contribuição do reservatório da Usina Hidrelétrica (UHE) Jaguari, localizado na bacia do rio Paraíba do Sul, para o reservatório do rio Atibainha, que faz parte do Sistema Cantareira, foi 8,4 m3/s.
O Sistema Cantareira encontra-se classificado em seca hidrológica de intensidade extrema, de acordo com o Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI) para as escalas temporais de 6 e 12 meses (TSI-6 = -1,92 e TSI-12 = -1,67, respectivamente) (Figura 1a e 31). Foi registrado uma ligeira atenuação do quadro de seca hidrológica em relação ao mês anterior, quando a condição variava entre seca excepcional e extrema nas escalas de 6 e 12 meses, respectivamente.
O Sistema operou no dia 31 de janeiro de 2026 com 23% do volume útil total, na faixa de operação “Restrição” (nível de armazenamento entre 20% e 30%), de acordo com o estabelecido pela Resolução conjunta ANA/DAEE Nº 925/2017. O volume atual representa um aumento de 3% comparativamente ao final do mês anterior, período em que o Sistema também operava na faixa de “Restrição”. Adicionalmente, o volume atual é inferior ao observado no mesmo período de 2025, quando se registrava 52% do volume útil total, enquadrando-se na faixa de operação “Atenção” (armazenamento entre 40% e 60%). Ressalta-se que, desde outubro de 2025, o Sistema Cantareira atingiu seu menor patamar desde a crise hídrica de 2014/2015.
Ressalta-se que, a situação crítica no Sistema Cantareira não decorre apenas das condições hidroclimáticas de 2025 – chuvas 23% abaixo da média, e alguns episódios de ondas de calor. O quadro é agravado pelo aumento das retiradas do sistema em 2025, que superaram em 30% a média praticada no período pós-crise hídrica (2016–2023).
[3] SABESP: Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo/Situação dos Mananciais.
[4] ANA: Agência Nacional de Águas.
Previsão de chuva
A quadra chuvosa na bacia de captação do Sistema Cantareira encontra-se no seu auge, inclusive com um aumento considerável dos totais pluviométricos acumulados sobre a bacia nas últimas semanas. Para os próximos sete dias (Figura 2a), as previsões do modelo GEFS/NOAA (resolução de 50 × 50 km) indicam a continuidade do cenário de chuvas persistentes e volumosas, totalizando valores superiores à média histórica. Já na segunda semana (Figura 2b), espera-se uma redução considerável das precipitações e um aumento das temperaturas. Mesmo assim, o total de chuva acumulado para as próximas duas semanas deve ser próximo ou superior à média histórica da época.

- Figura 2. Previsão de precipitação acumulada em milímetros (mm) nos próximos 7 (a) e 14 (b) dias para a bacia de captação do Sistema Cantareira, segundo a previsão do modelo numérico GENS/NOAA. A área da bacia de captação do Sistema Cantareira é indicada no centro da figura com linha preta espessa.
Projeções de vazão afluente para os próximos meses
A Figura 3 apresenta as médias mensais de vazão afluente observada e, na sequência, projeções de vazão usando a média dos membros de previsão (04 a 17 de fevereiro de 2026) e, a partir do dia 18 de fevereiro foram considerados cinco cenários hipotéticos de precipitação: média histórica (1981-2025), 25% acima da média, 25% e 50% abaixo da média histórica e cenário crítico (fevereiro a setembro de 2026).
As simulações indicam que, para os últimos dois meses chuvosos desta temporada, entre fevereiro e março de 2026, no cenário de chuvas na média histórica, a vazão afluente média seria da ordem de 55 m³/s, correspondendo a 90% da média histórica. Com precipitações 25% e 50% abaixo da média, as vazões projetadas são de 41 m³/s (67%) e 29 m³/s (48%), respectivamente. No cenário crítico, o modelo aponta vazão média de 37 m³/s (61%). Considerando um cenário mais otimista, com chuvas 25% acima da média, a vazão estimada é de 68 m³/s (112%). Considerando um horizonte de tempo maior, incluindo os meses secos de abril a setembro de 2026 no cenário de chuvas na média histórica, a vazão afluente média será de 25 m³/s (87% da média histórica). Com precipitações 25% e 50% abaixo da média, as vazões projetadas são de 16 m³/s (54%) e 9 m³/s (31%), respectivamente. No cenário crítico de 2018, o modelo aponta vazão média de 15 m³/s (50%). Em um cenário otimista, com chuvas 25% acima da média, a vazão estimada é de 34 m³/s (119%). Ressalta-se que, mesmo sob condições de precipitação na média, as vazões projetadas a partir de fevereiro permaneceriam abaixo da média histórica no período analisado. Um resumo de tais valores podem ser visualizado na Tabela 1.

- Figura 3. Histórico e simulações de vazão média mensal (m³/s) afluente ao Sistema Cantareira. As linhas tracejadas mostram projeções baseadas em cinco cenários de precipitação: 50% (verde) e 25% (azul claro) abaixo da média histórica; na média histórica (cinza); 25% acima da média (azul escuro); e um cenário crítico (laranja). As linhas contínuas espessas representam os dados observados pela SABESP: média histórica (preto), mínimos mensais (marrom), série de outubro de 2024 a setembro de 2025 (magenta) e de outubro de 2025 a janeiro de 2026 (roxo).
Projeções de volume armazenado para os próximos meses
A Figura 4 apresenta as projeções de volume útil armazenado no Sistema Cantareira, considerando: (i) as previsões e projeções de vazão afluente; (ii) a vazão de extração para a estação elevatória Santa Inês (Q_esi), conforme as regras condicionais da Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925/2017 (valores médios entre faixas); (iii) aporte médio 5,13 m³/s, provenientes da interligação com o Sistema Paraíba do Sul para o reservatório Atibainha, no período de fevereiro a setembro 2026, em conformidade com a Resolução Conjunta ANA nº 1.931/2017; (iv) vazões defluentes (Q_jusante) para os rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), de 5,1 m³/s na estação chuvosa e 7,6 m³/s na seca, com base nas médias de 2024/2025.
Em um cenário de precipitação na média histórica, as projeções indicam que os reservatórios do Sistema Cantareira estariam ao final de março de 2026, na faixa de operação “Alerta” (armazenamento entre 30% e 40%), com 39% do volume útil. Com reduções de 25% e 50% na precipitação, os volumes projetados seriam de 33% e 27%, enquadrando o Sistema Cantareira nas faixas “Alerta” e “Restrição” (armazenamento entre 20% e 30%), respectivamente. No cenário crítico, o volume estimado é de 32%, também na faixa “Alerta”. Em contrapartida, em um cenário mais favorável, com chuvas 25% acima da média, os reservatórios alcançariam 46% da capacidade total, retornando para a faixa de operação “Atenção” (armazenamento entre 40% e 60%) [5]. Ressalta-se, portanto, que, devido ao acentuado déficit hídrico acumulado nos meses chuvosos entre outubro e janeiro, mesmo em um cenário com chuvas 25% acima da média, não se projeta o retorno à faixa de normalidade até o final da atual temporada chuvosa. Para um horizonte mais longo, até 30 de setembro de 2026, no cenário de chuvas na média histórica, os reservatórios atingiriam 32% do volume útil, ainda na faixa de operação “Alerta”. Com reduções de 25% e 50% na precipitação, os volumes projetados seriam de 19% e 9%, enquadrando o Sistema Cantareira na faixa “Especial” (armazenamento inferior a 20%). No cenário crítico (chuvas do ano de 2018), o volume previsto é de 19%, também na faixa de “Especial”. Em contrapartida, para um cenário mais favorável, com chuvas 25% acima da média, os reservatórios alcançariam 51% da capacidade total, operando na faixa de operação “Atenção”.

- Figura 4. Projeções de armazenamento do Sistema Cantareira (linhas tracejadas) para cinco cenários de precipitação: 50% (verde) e 25% (azul claro) abaixo da média histórica, na média histórica (cinza), 25% acima da média (azul escuro) e cenário crítico (laranja). Considerou-se o aporte de 5,13 m3/s proveniente da interligação do Sistema Paraíba do Sul para Sistema Cantareira, de acordo com a Resolução conjunta ANA 1.931/17. A linha magenta mostra o armazenamento observado entre outubro de 2024 e setembro de 2025, e a roxa, outubro de 2025 e janeiro de 2026. As faixas coloridas indicam as zonas de operação segundo a Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925/2017.
[5] É importante destacar que, as projeções podem ser modificadas de acordo com mudanças na vazão de interligação com a bacia do Rio Paraíba do Sul, bem como as extrações do Sistema a serem praticadas pelo operador, nos próximos meses.