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Situação Atual e Projeção Hidrológica para o Sistema Cantareira 04/09/2025 Ano 11 Nº 108

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Publicado em 04/09/2025 11h46
cemaden_catareira_capa_relatorio.jpg
Esta edição do boletim traz um resumo da situação referente ao mês de agosto de 2025, e projeções hidrológicas de setembro a dezembro de 2025. Em agosto, os reservatórios do sistema encerraram o mês com 35% do volume útil, situando-se na faixa de operação "Alerta" (armazenamento entre 30% e 40%)[1]. Esse valor representa uma queda de 6% em relação a julho e está bem abaixo do registrado no mesmo período de 2024 (57%). Durante o mês de agosto, os índices de chuva e vazão se mantiveram bem abaixo da média histórica. A precipitação acumulada foi de apenas 17% da média esperada, enquanto a vazão afluente ficou em 44% da média para o período. Esses números refletem a persistência de um quadro de déficit hídrico, confirmada pelo Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI), que classifica o Sistema em seca hidrológica variando entre intensidade severa e moderada para as escalas temporais de 6 e 12 meses, respectivamente. As projeções hidrológicas (Tabela 01) indicam que, mesmo em um cenário favorável, com chuvas dentro da média histórica, os reservatórios continuarão operando em faixas que exigem atenção. Para setembro, último mês do período seco, projeta-se uma vazão média de 16 m³/s, correspondente a 72% da média histórica. Nesse cenário, o volume útil ao final do mês deve atingir 31%, mantendo o Sistema Cantareira na faixa de operação “Alerta”. Para o trimestre chuvoso (outubro a dezembro de 2025), o modelo aponta uma vazão média de 34 m³/s, valor próximo da média histórica (96%). Ainda assim, a estimativa de volume útil para o final de dezembro é de apenas 38%, o que mantém o Sistema na mesma faixa de operação. Em outras palavras, mesmo com a retomada das chuvas, não se espera uma recuperação expressiva nos níveis de armazenamento nos primeiros meses. Cenários com chuvas abaixo da média apontam para um agravamento da situação. Em um cenário com 25% menos precipitação, o volume ao final de dezembro pode cair para 30%, enquanto um cenário com déficit de 50% aponta para apenas 22% de armazenamento —classificados entre as faixas de “Alerta” e “Restrição” (armazenamento entre 20% e 30%)[2].
tabela1.jpg
Tabela 01. Projeções de vazões médias entre o período de setembro a dezembro de 2025 e volume armazenado no final de setembro e dezembro de 2025, considerando cinco cenários de precipitação: 50% e 25% abaixo da média histórica, na média histórica e 25% acima da média histórica e cenário crítico. As faixas de operação do reservatório estão de acordo com a resolução conjunta da ANA/DAEE Nº 925/2017. Nessas simulações, foi considerado o aporte de 5,13 m3/s proveniente da interligação do Sistema Paraíba do Sul para Sistema Cantareira, de acordo com a Resolução conjunta ANA 1.931/17.

[1] De acordo com a Resolução conjunta ANA/DAEE Nº 925/2017.

[2] Ressalta-se que as projeções podem ser modificadas de acordo com mudanças na vazão de interligação com a bacia do rio Paraíba do Sul, bem como as extrações do Sistema a serem praticadas pelo operador, nos próximos meses.


Situação atual do Sistema Cantareira

Entre abril e agosto de 2025, o volume de chuvas acumulado na bacia do Cantareira foi de 220 mm, o que representa apenas 78% da média histórica do período. O mês de agosto foi especialmente crítico, com apenas 5 mm de precipitação, ou 17% da média esperada para o mês.

A vazão média afluente aos reservatórios de acordo com dados da SABESP[3] e da ANA[4]  foi de 17 m³/s entre abril e agosto, equivalente a 57% da média histórica. Em agosto, essa vazão caiu para 9 m³/s, cerca de 44% do valor esperado. Nesse mesmo mês, a extração total de água do sistema foi de 41 m³/s, sendo 32 m³/s destinados ao abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo (Qesi) e 9 m³/s para as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí -Região do PCJ- (Qjus).

O Sistema está classificado em condição de seca hidrológica, com intensidade variando entre moderada e severa, segundo o Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI). Na escala de 6 meses, a seca evoluiu de moderada para severa (TSI-6 = -1,41). Já na escala de 12 meses, manteve-se na categoria moderada (TSI-12 = -1,17), porém com uma leve piora.

Em 31 de agosto de 2025, o volume armazenado era de 35% da capacidade total, enquadrando o Sistema Cantareira na faixa de operação "Alerta", conforme a Resolução ANA/DAEE nº 925/2017. Isso representa uma queda de 6% em relação ao mês anterior, quando o sistema ainda operava na faixa "Atenção".


[3] SABESP: Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo/Situação dos Mananciais.

[4] ANA: Agência Nacional de Águas.


Previsão de chuva

O mês de setembro se caracteriza, do ponto de vista meteorológico, como o período de início do longo processo de transição para a estação chuvosa, que geralmente ocorre durante o mês de outubro. Assim, a primeira parte de setembro costuma ser seca, e as vezes quente, sendo que na segunda quinzena, normalmente ocorrem as primeiras pancadas da pre-transição, geralmente de forma localizada e irregular.  Especificamente para os próximos 7 dias (Figura 1a), as previsões do modelo GEFS/NOAA (resolução de 50 x 50 km) indicam escassa precipitação, com valores acumulados inferiores à média histórica da época. Já para a segunda semana (Figura 1b), espera-se um ligeiro amento da precipitação, totalizando, provavelmente, volumes levemente superiores aos valores médios.

Imagem5.jpg
Figura 1. Previsão de precipitação acumulada em milímetros (mm) nos próximos 7 (esquerda) e 14 (direita) dias para a bacia de captação do Sistema Cantareira, segundo a previsão do modelo numérico GENS/NOAA. A área da bacia de captação do Sistema Cantareira é indicada no centro da figura com linha preta espessa.

Projeções de vazão afluente para os próximos meses

A Figura 2  apresenta as médias mensais de vazão afluente observada e, na sequência, projeções de vazão usando a média dos membros de previsão (02 a 11 de setembro de 2025) e, a partir do dia 12 de setembro foram considerados cinco cenários hipotéticos de precipitação: média histórica (1981-2024), 25% acima da média, 25% e 50% abaixo da média histórica e cenário crítico separado entre período seco (setembro de 2024) e chuvoso (outubro a dezembro de 2013). As simulações indicam que, para o último mês seco de 2025, no cenário de chuvas na média histórica, a vazão afluente média será de 16 m³/s (72% da média histórica). Com precipitações 25% e 50% abaixo da média, as vazões projetadas são de 12 m³/s (52%) e 8 m³/s (36%), respectivamente. No cenário crítico de 2024, o modelo aponta vazão média de 5 m³/s (21%). Em um cenário otimista, com chuvas 25% acima da média, a vazão estimada é de 20 m³/s (91%). Considerando um horizonte de tempo maior, incluindo os meses chuvosos de outubro a dezembro de 2025, no cenário de chuvas na média histórica, a vazão média nesse período será de 34 m³/s (96%). Para reduções de 25% e 50% nas chuvas, os valores caem para 20 m³/s (56%) e 11 m³/s (30%), respectivamente. No cenário crítico de 2013, a projeção é de 15 m³/s (43%). Já no cenário otimista, com 25% a mais de chuva, a vazão projetada é de 49 m³/s, 40% acima da média histórica. Um resumo de tais valores também podem ser visualizado na Tabela 1.
Imagem6.jpg
Figura 2. Histórico e simulações de vazão média mensal (m³/s) afluente ao Sistema Cantareira. As linhas tracejadas mostram projeções baseadas em cinco cenários de precipitação: 50% (verde) e 25% (azul claro) abaixo da média histórica; na média histórica (cinza); 25% acima da média (azul escuro); e um cenário crítico (laranja). As linhas contínuas espessas representam os dados observados pela SABESP: média histórica (preto), mínimos mensais (marrom), série de janeiro a dezembro de 2024 (magenta) e de janeiro a agosto de 2025 (roxo).

Projeções de volume armazenado para os próximos meses

A Figura 3 apresenta as projeções de volume útil armazenado no Sistema Cantareira, considerando: (i) as previsões e projeções de vazão afluente; (ii) a vazão de extração para a estação elevatória Santa Inês (Q_esi), conforme as regras condicionais da Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925/2017 (valores médios entre faixas); (iii) aporte médio de 5,13 m³/s da interligação com o Sistema Paraíba do Sul para o reservatório Atibainha, de setembro a dezembro de 2025, conforme a Resolução Conjunta ANA nº 1.931/2017; (iv) vazões defluentes (Q_jusante) para os rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), de 4,9 m³/s na estação chuvosa e 9,4 m³/s na seca, com base nas médias de 2023/2024.

Em um cenário de precipitação na média histórica, as projeções indicam que os reservatórios do Sistema Cantareira continuarão, ao final da estação seca de 2025 (30 de setembro), na faixa de operação “Alerta” (armazenamento entre 30% e 40%), com 31% do volume útil. Para cenários com 25% e 50% de redução na precipitação, os volumes projetados são de 30% e 29%, respectivamente, nas faixas de operação “Alerta” e “Restrição” (armazenamento entre 20% e 30%). No cenário crítico, o volume estimado é de 28%, mantendo-se também na faixa de “Restrição”. Mesmo com chuvas 25% acima da média, o Sistema ainda se manteria na faixa “Alerta”, com 32% de armazenamento. Para um horizonte mais longo, até 31 de dezembro de 2025, no cenário de chuvas na média histórica, os reservatórios atingiriam 38% do volume útil, ainda na faixa de operação “Alerta”. Com reduções de 25% e 50% na precipitação, os volumes projetados seriam de 30% e 22%, enquadrando o Sistema Cantareira nas faixas “Alerta” e “Restrição”, respectivamente. No cenário crítico, o volume previsto é de 25%, também na faixa de “Restrição”. Em um cenário mais favorável, com chuvas 25% acima da média, os reservatórios alcançariam 52% da capacidade total, voltando novamente para a faixa de operação “Atenção” (armazenamento entre 40% e 60%) [5].

Imagem7.jpg
Figura 3. Projeções de armazenamento do Sistema Cantareira (linhas tracejadas) para cinco cenários de precipitação: 50% (verde) e 25% (azul claro) abaixo da média histórica, na média histórica (cinza), 25% acima da média (azul escuro) e cenário crítico (laranja). Considera-se uma vazão média de interligação com a bacia do rio Paraíba do Sul de 5,13 m³/s entre setembro e dezembro de 2025, conforme Resolução Conjunta ANA nº 1.931/2017. A linha magenta mostra o armazenamento observado entre janeiro e dezembro de 2024, e a roxa, de janeiro a agosto de 2025. As faixas coloridas indicam as zonas de operação segundo a Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925/2017.

[5] É importante destacar que, as projeções podem ser modificadas de acordo com mudanças na vazão de interligação com a bacia do Rio Paraíba do Sul, bem como as extrações do Sistema a serem praticadas pelo operador, nos próximos meses.

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