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Situação Atual e Projeção Hidrológica para o Sistema Cantareira 03/10/2025 Ano 11 Nº 109

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Publicado em 03/10/2025 13h54
cemaden_catareira_capa_relatorio.jpg
Esta edição do boletim traz um resumo da situação referente ao mês de setembro de 2025, e projeções hidrológicas de outubro de 2025 a março de 2026. Em setembro, os reservatórios do sistema encerraram o mês com 28% do volume útil, situando-se na faixa de operação "Restrição" (armazenamento entre 20% e 30%)[1]. Esse valor representa uma queda de 6% em relação a agosto e está significantemente abaixo do registrado no mesmo período de 2024 (66%). Durante o mês de setembro, os índices de chuva e vazão se mantiveram bem abaixo da média histórica. A precipitação acumulada foi de apenas 58% da média, enquanto a vazão afluente ficou em torno de 41% da média para o período. Esses números refletem a persistência de um quadro de déficit hídrico, confirmada pelo Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI), que classifica o Sistema em seca hidrológica de intensidade moderada para as escalas temporais de 6 e 12 meses. As projeções hidrológicas (Tabela 01) indicam que, mesmo em um cenário favorável, com chuvas próximas à média histórica, os reservatórios devem permanecer em faixas mais críticas, pelo menos até o final de 2025. Para o último trimestre de 2025, que são meses chuvosos, projeta-se uma vazão média de 30 m³/s, correspondente a 85% da média histórica. Nesse cenário, o volume útil ao final de dezembro deve atingir 37%, mantendo o Sistema Cantareira na faixa de operação “Alerta” (armazenamento entre 30% e 40%). Em outras palavras, mesmo com a retomada das chuvas, não se espera uma recuperação expressiva nos níveis de armazenamento nos primeiros meses. Para o trimestre chuvoso seguinte (janeiro a março de 2026), o modelo aponta uma vazão média de 60 m³/s, valor próximo da média histórica (95%). A estimativa de volume útil para o final de março é de 63%, o que classifica o Sistema na faixa de operação “Normal” (armazenamento superior a 60%). Cenários com chuvas abaixo da média apontam para um agravamento da situação. Em um cenário com 25% menos precipitação, o volume ao final de março pode cair para 35%, enquanto um cenário com déficit de 50% aponta para apenas 17% de armazenamento —classificados entre as faixas de “Alerta” e “Emergência” (armazenamento inferior a 20%)[2].
tabela1.jpg
Tabela 01. Projeções de vazões médias entre o período de outubro de 2025 a março de 2026 e volume armazenado no final de dezembro de 2025 e março de 2026, considerando cinco cenários de precipitação: 50% e 25% abaixo da média histórica, na média histórica e 25% acima da média histórica e cenário crítico. As faixas de operação do reservatório estão de acordo com a resolução conjunta da ANA/DAEE Nº 925/2017. Nessas simulações, foi considerado aportes de 7,60 m3/s (outubro a dezembro/25) e 5,13 m3/s (janeiro a março/2025) proveniente da interligação do Sistema Paraíba do Sul para Sistema Cantareira, de acordo com a Resolução conjunta ANA 1.931/17 e demais normas legais vigentes.

[1] De acordo com a Resolução conjunta ANA/DAEE Nº 925/2017.

[2] Ressalta-se que as projeções podem ser modificadas de acordo com mudanças na vazão de interligação com a bacia do rio Paraíba do Sul, bem como as extrações do Sistema a serem praticadas pelo operador, nos próximos meses.


Situação atual do Sistema Cantareira

Entre abril e setembro, foi 267 mm, representando 74% da média histórica (abril-setembro, 362 mm). No mês de setembro, a precipitação acumulada foi 47 mm, equivalente a 58% da média histórica para este mês (81 mm).

A vazão média afluente aos reservatórios de acordo com dados da SABESP[3] e da ANA[4]  foi de 16 m³/s entre abril e setembro, equivalente a 55% da média histórica. Em setembro, essa vazão caiu para 9,2 m³/s, cerca de 41% do valor esperado. Nesse mesmo mês, a extração total de água do sistema foi de 40 m³/s, sendo 30 m³/s destinados ao abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo (Qesi) e 10 m³/s para as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí -Região do PCJ- (Qjus).

O Sistema está classificado em condição de seca hidrológica, com intensidade moderada, segundo o Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI). Na escala temporal de 6 meses, a seca regrediu de severa para moderada (TSI-6 = -1,19 ). Já na escala temporal de 12 meses, manteve-se na categoria moderada (TSI-12 = -1,12), porém com uma leve melhora.

Em 30 de setembro de 2025, o volume armazenado era de 28% da capacidade total, enquadrando o Sistema Cantareira na faixa de operação "Restrição", conforme a Resolução ANA/DAEE nº 925/2017. Isso representa uma queda de 6% em relação ao mês anterior, quando o sistema ainda operava na faixa "Alerta". Adicionalmente, o volume atual também representa um valor bastante inferior quando comparado com o mesmo período de 2024 quando registrou armazenamento de 51%, na faixa operação “Atenção”.

[4] ANA: Agência Nacional de Águas.


Previsão de chuva

O mês de outubro se caracteriza, do ponto de vista meteorológico, como o período de transição para a estação chuvosa. Assim, a primeira parte de outubro costuma ter menos chuva e ser mais quente, sendo que na segunda quinzena, normalmente ocorrem as primeiras pancadas da pré-transição, geralmente de forma localizada e irregular.  Especificamente para os próximos 7 dias (Figura 1a), as previsões do modelo GEFS/NOAA (resolução de 50 x 50 km) indicam escassa precipitação, com valores acumulados inferiores à média histórica da época. Já para a segunda semana (Figura 1b), espera-se um ligeiro aumento da precipitação, totalizando, provavelmente, volumes ainda levemente inferiores aos valores médios.

figura1.jpg
Figura 2. Previsão de precipitação acumulada em milímetros (mm) nos próximos 7 (esquerda) e 14 (direita) dias para a bacia de captação do Sistema Cantareira, segundo a previsão do modelo numérico GENS/NOAA. A área da bacia de captação do Sistema Cantareira é indicada no centro da figura com linha preta espessa.
 

Projeções de vazão afluente para os próximos meses

A Figura 2  apresenta as médias mensais de vazão afluente observada e, na sequência, projeções de vazão usando a média dos membros de previsão (01 a 10 de outubro de 2025) e, a partir do dia 11 de outubro foram considerados cinco cenários hipotéticos de precipitação: média histórica (1981-2024), 25% acima da média, 25% e 50% abaixo da média histórica e cenário crítico (outubro/2013 a março/2014). As simulações indicam que, para o primeiro trimestre chuvoso de 2025, no cenário de chuvas na média histórica, a vazão afluente média será de 30 m³/s (85% da média histórica). Com precipitações 25% e 50% abaixo da média, as vazões projetadas são de 18 m³/s (52%) e 10 m³/s (29%), respectivamente. No cenário crítico, o modelo aponta vazão média de 12 m³/s (35%). Em um cenário otimista, com chuvas 25% acima da média, a vazão estimada é de 42 m³/s (120%). Considerando um horizonte de tempo maior, considerando os meses chuvosos de janeiro a março de 2026, no cenário de chuvas na média histórica, a vazão média nesse período será de 60 m³/s (95%). Para reduções de 25% e 50% nas chuvas, os valores caem para 30 m³/s (48%) e 11 m³/s (17%), respectivamente. No cenário crítico, a projeção é de 13 m³/s (21%). Já no cenário otimista, com 25% a mais de chuva, a vazão projetada é de 91 m³/s, 45% acima da média histórica. Um resumo de tais valores também podem ser visualizado na Tabela 1.
figura2.jpg
Figura 2. Histórico e simulações de vazão média mensal (m³/s) afluente ao Sistema Cantareira. As linhas tracejadas mostram projeções baseadas em cinco cenários de precipitação: 50% (verde) e 25% (azul claro) abaixo da média histórica; na média histórica (cinza); 25% acima da média (azul escuro); e um cenário crítico (laranja). As linhas contínuas espessas representam os dados observados pela SABESP: média histórica (preto), mínimos mensais (marrom), série de abril de 2024 a março de 2025 (magenta) e de abril a setembro de 2025 (roxo).

Projeções de volume armazenado para os próximos meses

A Figura 3 apresenta as projeções de volume útil armazenado no Sistema Cantareira, considerando: (i) as previsões e projeções de vazão afluente; (ii) a vazão de extração para a estação elevatória Santa Inês (Q_esi), conforme as regras condicionais da Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925/2017 (valores médios entre faixas); (iii) aporte médio de 7,60 m³/s e 5,13 m³/s, provenientes da interligação com o Sistema Paraíba do Sul para o reservatório Atibainha, nos períodos de outubro a dezembro de 2025 e de janeiro a março de 2026, respectivamente, em conformidade com a Resolução Conjunta ANA nº 1.931/2017 e demais normas legais vigentes; (iv) vazões defluentes (Q_jusante) para os rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), de 4,9 m³/s na estação chuvosa e 9,4 m³/s na seca, com base nas médias de 2023/2024. Em um cenário de precipitação na média histórica, as projeções indicam que os reservatórios do Sistema Cantareira estarão ao final de 2025 (31 de dezembro), na faixa de operação “Alerta” (armazenamento entre 30% e 40%), com 37% do volume útil. Para cenários com 25% e 50% de redução na precipitação, os volumes projetados são de 29% e 23%, respectivamente, na faixa de operação “Restrição” (armazenamento entre 20% e 30%). No cenário crítico, o volume estimado é de 24%, mantendo-se também na faixa de “Restrição”. Em contrapartida, com chuvas 25% acima da média, o Sistema alcançaria a faixa “Atenção” (armazenamento entre 40% e 60%), com 46% de armazenamento. Para um horizonte mais longo, até 31 de março de 2026, no cenário de chuvas na média histórica, os reservatórios atingiriam 63% do volume útil, voltando a operar na faixa de operação “Normal (armazenamento superior a 60%)”. Com reduções de 25% e 50% na precipitação, os volumes projetados seriam de 35% e 17%, enquadrando o Sistema Cantareira nas faixas “Alerta” e “Emergencial” (armazenamento inferior a 20%), respectivamente. No cenário crítico, o volume previsto é de 21%, também na faixa de “Restrição”. Em um cenário mais favorável, com chuvas 25% acima da média, os reservatórios alcançariam 91% da capacidade total, na faixa de operação “Normal” [5].

figura3.jpg
Figura 3. Projeções de armazenamento do Sistema Cantareira (linhas tracejadas) para cinco cenários de precipitação: 50% (verde) e 25% (azul claro) abaixo da média histórica, na média histórica (cinza), 25% acima da média (azul escuro) e cenário crítico (laranja). Considerou-se aportes de 7,60 m3/s (outubro a dezembro/25) e 5,13 m3/s (janeiro a março/2025) provenientes da interligação do Sistema Paraíba do Sul para Sistema Cantareira, de acordo com a Resolução conjunta ANA 1.931/17 e demais normas legais vigentes. A linha magenta mostra o armazenamento observado entre abril de 2024 a março de 2025, e a roxa, abril a setembro de 2025. As faixas coloridas indicam as zonas de operação segundo a Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925/2017.

[5] É importante destacar que, as projeções podem ser modificadas de acordo com mudanças na vazão de interligação com a bacia do Rio Paraíba do Sul, bem como as extrações do Sistema a serem praticadas pelo operador, nos próximos meses.

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