Notícias
Situação Atual e Projeção Hidrológica para o Sistema Cantareira 01/08/2025 Ano 11 Nº 107
Esta edição do boletim traz um resumo da situação referente ao mês de julho de 2025, e projeções hidrológicas de agosto a dezembro de 2025. Os reservatórios do Sistema Cantareira encerraram o mês de julho com 41% de seu volume útil, na faixa de operação “atenção” (armazenamento entre 40% e 60%)[1]. Isto representa uma redução de 6% em comparação ao final do mês anterior, e um valor inferior ao registrado no mesmo período de 2024, quando o armazenamento alcançou 62%. A precipitação e a vazão registradas no Sistema Cantareira, no mês de julho foram equivalentes a 48% e 53% da média histórica do mês, respectivamente. Atualmente, o Sistema Cantareira encontra-se classificado em seca hidrológica de intensidade moderada, de acordo com o Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI) nas escalas temporais de 6 e 12 meses. Em comparação com o mês anterior, a situação da seca hidrológica no Sistema Cantareira manteve-se estável, com o TSI ligeiramente menos negativo, em ambas as escalas temporais. As projeções hidrológicas (Tabela 01) indicam que, no cenário hipotético de precipitação na média histórica durante os últimos dois meses secos de 2025, a vazão afluente média aos reservatórios do Sistema Cantareira deverá oscilar em torno de 16 m³/s, o que corresponde a 76% da média histórica para o período. Nesse mesmo cenário, o modelo hidrológico projeta um volume armazenado de 33% ao final de setembro, na faixa de operação “Alerta”. Para um horizonte de tempo mais amplo, incluindo os meses chuvosos de outubro a dezembro de 2025, o modelo indica uma vazão média de 35 m³/s — equivalente a 98% da média histórica — e um armazenamento de 41% ao final de dezembro, na faixa de operação “Atenção” [2].

- Tabela 01. Projeções de vazões médias entre o período de agosto a dezembro de 2025 e volume armazenado no final de setembro e dezembro de 2025, considerando cinco cenários de precipitação: 50% e 25% abaixo da média histórica, na média histórica e 25% acima da média histórica e cenário crítico. As faixas de operação do reservatório estão de acordo com a resolução conjunta da ANA/DAEE Nº 925/2017. Nessas simulações, foi considerado o aporte de 5,13 m3/s proveniente da interligação do Sistema Paraíba do Sul para Sistema Cantareira, de acordo com a Resolução conjunta ANA 1.931/17.
[1] De acordo com a Resolução conjunta ANA/DAEE Nº 925/2017.
[2] Ressalta-se que as projeções podem ser modificadas de acordo com mudanças na vazão de interligação com a bacia do rio Paraíba do Sul, bem como as extrações do Sistema a serem praticadas pelo operador, nos próximos meses.
Situação atual do Sistema Cantareira
A precipitação acumulada durante os meses secos de 2025, de abril a julho, foi 214 mm, representando 86% da média histórica desse período (248 mm) e 59% da média histórica da estação seca (abril-setembro, 362 mm). No mês de julho, a precipitação acumulada foi 20 mm, equivalente a 48% da média histórica para este mês (42 mm) (Figura 1).

- Figura 1: Precipitação mensal na bacia do Sistema Cantareira, em mm, de acordo com os dados do CEMADEN, entre janeiro e julho de 2025 (linha magenta). Ano hidrológico: outubro – setembro. As linhas em preto, laranja e vermelho representam, respectivamente, a precipitação média histórica (1983-2023), a precipitação ocorrida no ano de 2024 e a precipitação mínima mensal do histórico. Os pluviômetros operantes atualmente: 26 do CEMADEN (pontos verdes) e 7 do DAEE/ SAISP (pontos magentas).
A média de vazão afluente aos reservatórios do Sistema Cantareira (Sistema Equivalente + Paiva Castro), de abril a julho de 2025, de acordo com dados da SABESP[3] e da ANA[4] foi, de aproximadamente, 19 m3/s (Figura 2). Esse valor corresponde a 57% da média do período (33 m3/s) e 67% da média histórica da estação seca (29 m3/s). Para o mesmo período, a extração total média dos reservatórios foi 38 m³/s, enquanto a média de extração de água do Sistema Cantareira para o elevatório Santa Inês (Qesi), que abastece a região metropolitana de São Paulo, foi 32 m³/s. No mês de julho, a vazão média afluente registrada foi de 13 m3/s (Figura 2), o que representa cerca de 53% da média mensal histórica (24 m3/s). Neste mesmo período, a Qesi atingiu aproximadamente 32 m3/s, enquanto a vazão de jusante (Qjus), que contribui com as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Região do PCJ), ficou em torno de 9 m³/s. Somadas, essas duas vazões resultaram em uma extração total de 40 m³/s do Sistema Cantareira, o que representa um aumento de 1 m³/s em relação ao mês anterior. Ainda em julho, a contribuição do reservatório da Usina Hidrelétrica (UHE) Jaguari, localizado na bacia do rio Paraíba do Sul, para o reservatório do rio Atibainha, que faz parte do Sistema Cantareira, foi cerca de 5 m3/s.

- Figura 2. Vazão afluente à bacia do Sistema Cantareira (Sistema Equivalente + Paiva Castro), em m³/s, no período de janeiro a julho de 2025 (linha magenta). As linhas preta, laranja e vermelha representam, respectivamente, as vazões médias mensais histórica (1983–2023), as observada em 2024 e as mínimas mensais do histórico. Fonte dos dados: SABESP.
O Sistema Cantareira encontra-se classificado em seca hidrológica de intensidade moderada, de acordo com o Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI) para as escalas temporais de 6 e 12 meses (TSI-6 = -1,13 e TSI-12 = -1,15, respectivamente) (Figura 3a e 3b). A condição da seca hidrológica no Sistema Cantareira permaneceu estável em comparação com o mês anterior, em ambas as escalas temporais, no entanto, com valor numérico do TSI ligeiramente menos negativo.

- Figura 3. Índice de Seca Bivariado Precipitação-Vazão (TSI) para o Sistema Cantareira, nas escalas temporais de 6 (a) e 12 (b) meses, entre janeiro de 1981 a julho de 2025. As faixas coloridas indicam as categorias de seca hidrológica variando entre fraca à excepcional, na seguinte ordem: amarelo (fraca); bege (moderada); laranja (severa); vermelho (extrema) e bordô (excepcional).
O Sistema operou no dia 31 de julho de 2025 com 41% do volume útil total, na faixa de operação “Atenção” (nível de armazenamento entre 40% e 60%), de acordo com o estabelecido pela Resolução conjunta ANA/DAEE Nº 925/2017. O volume atual no Sistema Cantareira representa uma queda de 6% comparativamente ao mês anterior, quando o Sistema também estava classificado na faixa de operação "Atenção" (Figura 4).

- Figura 4. Evolução diária do nível de armazenamento (%) do Sistema Cantareira entre o período de março de 2014 a julho de 2025. Fonte dos dados: SABESP. Área marrom claro corresponde à primeira cota do volume morto (182,5 hm³) e em marrom escuro à segunda cota do volume morto (105 hm³). As faixas coloridas referem-se às faixas de operação do reservatório de acordo com a resolução conjunta da ANA/DAEE Nº 925/2017, com volume útil de 982 hm³.
[3] SABESP: Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo/Situação dos Mananciais.
[4] ANA: Agência Nacional de Águas.
Previsão de chuva
A região da bacia de captação do Sistema Cantareira está no auge do período seco, caracterizado por chuvas esparsas, geralmente associadas à passagem de frentes frias. Especificamente para os próximos 7 dias (Figura 5a), as previsões do modelo GEFS/NOAA (resolução de 50 x 50 km) indicam pouca ou nenhuma precipitação. Durante a segunda semana (Figura 5b), espera-se a ocorrência de alguma chuva, embora com acumulados pouco significativos.

- Figura 5. Previsão de precipitação acumulada em milímetros (mm) nos próximos 7 (esquerda) e 14 (direita) dias para a bacia de captação do Sistema Cantareira, segundo a previsão do modelo numérico GENS/NOAA. A área da bacia de captação do Sistema Cantareira é indicada no centro da figura com linha preta espessa.
Projeções de vazão afluente para os próximos meses
A Figura 6 apresenta as médias mensais de vazão afluente observada e, na sequência, projeções de vazão usando a média dos membros de previsão (01 a 10 de agosto de 2025) e, a partir do dia 11 de agosto foram considerados cinco cenários hipotéticos de precipitação: média histórica (1981-2024), 25% acima da média, 25% e 50% abaixo da média histórica e cenário crítico separado entre meses secos (agosto a setembro de 2012) e chuvosos (outubro a dezembro de 2013). As simulações indicam que, para os últimos dois meses secos de 2025, no cenário de chuvas na média histórica, a vazão afluente média será de 16 m³/s (76% da média histórica). Com precipitações 25% e 50% abaixo da média, as vazões projetadas são de 13 m³/s (58%) e 10 m³/s (44%), respectivamente. No cenário crítico de 2012, o modelo aponta vazão média de 8 m³/s (35%). Em um cenário otimista, com chuvas 25% acima da média, a vazão estimada é de 20 m³/s (93%). Considerando um horizonte de tempo maior, incluindo os meses chuvosos de outubro a dezembro de 2025, no cenário de chuvas na média histórica, a vazão média será de 35 m³/s (98% da média histórica). Para reduções de 25% e 50% nas chuvas, os valores caem para 20 m³/s (56%) e 10 m³/s (30%), respectivamente. No cenário crítico de 2013, a projeção é de 15 m³/s (44%). Já no cenário otimista, com 25% a mais de chuva, a vazão projetada é de 51 m³/s, 45% acima da média histórica. Um resumo de tais valores também podem ser visualizado na Tabela 1.
- Figura 6. Histórico e simulações de vazão média mensal (m³/s) afluente ao Sistema Cantareira. As linhas tracejadas mostram projeções baseadas em cinco cenários de precipitação: 50% (verde) e 25% (azul claro) abaixo da média histórica; na média histórica (cinza); 25% acima da média (azul escuro); e um cenário crítico (laranja). As linhas contínuas espessas representam os dados observados pela SABESP: média histórica (preto), mínimos mensais (marrom), série de janeiro a dezembro de 2024 (magenta) e de janeiro a julho de 2025 (roxo).
Projeções de volume armazenado para os próximos meses
A Figura 7 apresenta as projeções de volume útil armazenado no Sistema Cantareira, considerando: (i) as previsões e projeções de vazão afluente; (ii) a vazão de extração para a estação elevatória Santa Inês (Q_esi), conforme as regras condicionais da Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925/2017 (valores médios entre faixas); (iii) aporte médio de 5,13 m³/s da interligação com o Sistema Paraíba do Sul para o reservatório Atibainha, de agosto a dezembro de 2025, conforme a Resolução Conjunta ANA nº 1.931/2017; (iv) vazões defluentes (Q_jusante) para os rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), de 4,9 m³/s na estação chuvosa e 9,4 m³/s na seca, com base nas médias de 2023/2024.
Em um cenário de precipitação na média histórica, as projeções indicam que os reservatórios do Sistema Cantareira estarão, ao final da estação seca de 2025 (30 de setembro), na faixa de operação “Alerta” (armazenamento entre 30% e 40%), com 33% do volume útil. Para cenários com 25% e 50% de redução na precipitação, os volumes projetados são de 29% e 27%, respectivamente, na faixa de operação “Restrição” (armazenamento entre 20% e 30%). No cenário crítico, o volume estimado também é de 29%, mantendo-se nessa faixa. Mesmo com chuvas 25% acima da média, o Sistema ainda se manteria na faixa “Alerta”, com 38% de armazenamento. Para um horizonte mais longo, até 31 de dezembro de 2025, no cenário de chuvas na média histórica, os reservatórios atingiriam 41% do volume útil, voltando para a faixa de operação “Atenção” (armazenamento entre 40% e 60%). Com reduções de 25% e 50% na precipitação, os volumes projetados seriam de 30% e 22%, enquadrando o Sistema Cantareira nas faixas “Alerta” (armazenamento entre 30% e 40%) e “Restrição” (armazenamento entre 20% e 30%), respectivamente. No cenário crítico, o volume previsto é de 25%, também na faixa “Restrição”. Em um cenário mais favorável, com chuvas 25% acima da média, os reservatórios alcançariam 55% da capacidade total, dentro da faixa “Atenção” [5].

- Figura 7. Projeções de armazenamento do Sistema Cantareira (linhas tracejadas) para cinco cenários de precipitação: 50% (verde) e 25% (azul claro) abaixo da média histórica, na média histórica (cinza), 25% acima da média (azul escuro) e cenário crítico (laranja). Considera-se uma vazão média de interligação com a bacia do rio Paraíba do Sul de 5,13 m³/s entre agosto e dezembro de 2025, conforme Resolução Conjunta ANA nº 1.931/2017. A linha magenta mostra o armazenamento observado entre janeiro e dezembro de 2024, e a roxa, de janeiro a julho de 2025. As faixas coloridas indicam as zonas de operação segundo a Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925/2017.
[5] É importante destacar que, as projeções podem ser modificadas de acordo com mudanças na vazão de interligação com a bacia do Rio Paraíba do Sul, bem como as extrações do Sistema a serem praticadas pelo operador, nos próximos meses.