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Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais - Cemaden/MCTI
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RiSAF - RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR JUL/26

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Publicado em 04/08/2026 15h44 Atualizado em 04/08/2026 15h49
Capa site risaf.png

SEVERIDADE DA SECA PARA AGRICULTURA

De acordo com o calendário de plantio da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) para as culturas de feijão e milho, dezessete estados encontram-se com calendário de plantio vigente (Figura 1).

As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, no entanto, não necessariamente um impacto na produção. Por outro lado, secas variando nas classes de moderada a excepcional podem sinalizar algum impacto, dependendo do período em que ocorre o déficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e, caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar redução significativa na safra.

Assim, referente ao mês de julho, na região Nordeste, 9 municípios apresentaram condição de seca extrema, sendo 7 no estado de Sergipe e 2 em Alagoas. Além disso, a região registrou 130 municípios com condição de seca severa, distribuídos entre Alagoas (73), Sergipe (48) e Pernambuco (9). Também foram observados 99 municípios com condição de seca moderada, sendo 57 em Pernambuco, 20 em Alagoas, 20 em Sergipe e 2 no Ceará.

Na região Norte, 12 municípios apresentaram condição de seca severa, todos no estado do Amazonas. Além disso, a região registrou 101 municípios com condição de seca moderada, sendo 81 no Tocantins e 20 no Amazonas.

A região Centro-Oeste apresentou 30 municípios com condição de seca moderada, sendo 26 em Mato Grosso e 4 em Mato Grosso do Sul.  Já a região Sudeste apresentou 82 municípios com condição de seca moderada, todos localizados no estado de São Paulo.

Por fim, em relação à região Sul, para o mês de julho, segundo o calendário da CONAB, apenas o estado do Rio Grande do Sul encontrava-se com calendário vigente para plantio, apresentando 4 municípios com condição de seca moderada.

Sev_Jul_26.png
Figura 1 - Severidade da Seca (IIS1) Referente ao mês de julho considerando apenas os estados com calendário vigente.

O monitoramento da severidade da seca no contexto da agricultura familiar é realizado por meio do Índice Integrado de Seca (IIS), tal índice combina informações sobre o déficit de precipitação na escala de um mês (SPI1), umidade do solo (anomalia da umidade do solo considerando um metro de profundidade) e o índice de saúde da vegetação (VHI), que combina dados de temperatura e condição do vigor vegetativo. A partir do IIS é possível inferir áreas com maior potencial de impactos em razão da seca. As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, mas não necessariamente um impacto na produção, por outro lado, secas nas categorias moderada a excepcional já podem sinalizar algum impacto, dependendo do período do deficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar a quebra de safra.


RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR

O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.

As Figuras 2, 3 e 4 mostram, respectivamente, o risco de seca para os plantios realizados nos meses de julho/26, junho/26 e maio/26. Para o plantio realizado no mês de julho (Figura 2), 17 municípios apresentaram risco muito alto, sendo 16 na região Nordeste e 1 na região Norte. Outros 196 municípios apresentaram risco alto, distribuídos entre as regiões Nordeste (158), Norte (34) e Centro-Oeste (4). Além disso, 109 municípios apresentaram risco moderado, sendo 56 na região Nordeste, 44 na região Norte, 6 na região Centro-Oeste e 3 na região Sudeste.

Considerando o plantio realizado em junho (Figura 3), 3 municípios apresentaram risco muito alto, todos localizados na região Nordeste. Outros 152 municípios apresentaram risco alto em relação à seca, distribuídos entre as regiões Nordeste (95), Norte (30), Sudeste (15) e Centro-Oeste (12). Além disso, 187 municípios apresentaram risco moderado, distribuídos entre as regiões Nordeste (97), Norte (50), Centro-Oeste (28) e Sudeste (12).

Para os municípios que iniciaram o plantio no mês de maio (Figura 4) e, portanto, encerraram seu ciclo no mês de julho, 5 municípios apresentaram risco muito alto em relação à seca, todos na região Nordeste. Outros 142 municípios apresentaram risco alto, distribuídos entre as regiões Nordeste (87), Norte (33), Centro-Oeste (11) e Sudeste (11). Além disso, 168 municípios apresentaram risco moderado, sendo 85 na região Nordeste, 48 na região Norte, 29 na região Centro-Oeste e 6 na região Sudeste.

Risco_Jul_26.png
Figura 2 – Risco da Seca na Agricultura Familiar. Plantio: jul/26.
Risco_jun_26.png
Figura 3 – Risco da Seca na Agricultura Familiar. Plantio: Jun/26
Risco_Maio_26.png
Figura 4 – Risco da Seca na Agricultura Familiar. Plantio: mai/26.

O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.


IMPACTO DA SECA NA AGRICULTURA

O impacto da seca na agricultura considera o boletim da CONAB e traz os destaques para o plantio de grãos no geral, possibilitando a comparação de estimativa de safra inicial e do mês corrente, panorama geral e as principais commodities.

Na primeira estimativa para a safra de grãos 2025/26, divulgada em outubro de 2025, previa-se uma produção total de 322,5 milhões de toneladas. Entretanto, a décima estimativa da safra, elaborada em junho de 2026 e divulgada em julho de 2026, aponta uma produção de 360,1 milhões de toneladas. Em comparação com a primeira estimativa, observa-se um acréscimo de aproximadamente 11,7%, correspondente a cerca de 37,6 milhões de toneladas.

A Tabela 1 indica os estados, as culturas impactadas e a variação da produção estadual divulgada em julho de 2026 em comparação com a primeira estimativa (outubro de 2025). Além da seca, outros fatores, como a diminuição ou o aumento da área semeada, a migração para culturas mais rentáveis e a infestação de pragas, podem influenciar a variação na produção.

TABELA.png
Tabela 1 - Culturas impactadas pela seca nos estados e variação total da produção divulgada em junho de 2026 comparado a primeira estimativa de outubro de 2025. As culturas consideram a produção total (Fonte: CONAB).

 Atualmente, conforme a Conab os impactos na produção agrícola em alguns estados se destacam:

Pernambuco: Feijão cores  2ª safra: A restrição hídrica durante a fase reprodutiva da cultura limitou o potencial produtivo das lavouras.

Pernambuco: Feijão-caupi  2ª safra: A redução das chuvas durante as fases reprodutivas comprometeu o desenvolvimento da cultura e limitou seu potencial produtivo.

Paraná Feijão preto 2ª safra: A estiagem, associada às altas temperaturas em março e abril e à ocorrência de geadas no início de maio, afetou lavouras em fases sensíveis, especialmente no enchimento de grãos, resultando em perdas localizadas.

Rio Grande do Sul: Milho  1ª safra: A irregularidade espacial das chuvas durante o verão e a estiagem registrada entre novembro e dezembro reduziram o potencial produtivo da cultura, embora a produtividade estadual tenha permanecido próxima à da safra anterior.

Rio Grande do Sul: Feijão preto 2ª safra: A irregularidade das chuvas durante a semeadura e a insuficiência hídrica no desenvolvimento vegetativo comprometeram o vigor das plantas e consolidaram perdas no potencial produtivo, apesar da melhora das chuvas no período reprodutivo.

Bahia: Feijão-caupi 2ª safra: A redução dos volumes pluviométricos limitou o potencial produtivo das lavouras de sequeiro implantadas tardiamente.

Bahia: Feijão cores 3ª safra: A escassez de precipitações durante o desenvolvimento vegetativo provocou restrição hídrica em parte das regiões produtoras.

Bahia: Feijão-caupi  3ª safra: As precipitações abaixo da média comprometeram o desenvolvimento inicial das lavouras, reduzindo o vigor vegetativo e o potencial produtivo.

Bahia: Milho  3ª safra: A redução significativa das chuvas afetou principalmente as lavouras de sequeiro, comprometendo o desenvolvimento da cultura e consolidando perdas de produtividade em parte das áreas produtoras.

Alagoas: Feijão cores 3ª safra: A escassez e a distribuição irregular das chuvas reduziram a área semeada e prejudicaram o desenvolvimento vegetativo das lavouras, comprometendo o potencial produtivo.

Alagoas:Feijão-caupi 3ª safra: A deficiência hídrica dificultou o desenvolvimento vegetativo das lavouras, reduzindo seu potencial produtivo.

Minas Gerais: Milho 2ª safra: A estiagem, especialmente nas regiões do Noroeste e do Triângulo Mineiro, comprometeu o desenvolvimento da cultura e reduziu a produtividade.

  

DOWNLOAD DO BOLETIM (CLIQUE AQUI)

DOWNLOAD DOS DADOS (CLIQUE AQUI)

REGISTRO DE IMPACTOS : Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município? Sua informação é bem-vinda, mesmo ocorrências de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .

Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br

Como citar:
CEMADEN - CENTRO NACIONAL DE MONITORAMENTO E ALERTAS DE DESASTRES NATURAIS. RiSAF - Risco da Seca na Agricultura Familiar, SP, v. 6, n.70, JULHO, 2026. ISSN: 2965-2014

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