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RiSAF - RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR SET/25
RiSAF
SEVERIDADE DA SECA PARA AGRICULTURA
De acordo com o calendário de plantio da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) para as culturas de feijão e milho, sete estados encontram-se com calendário de plantio vigente (Figura 1).
As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, mas não necessariamente um impacto na produção. Por outro lado, secas nas categorias moderada a excepcional já podem sinalizar algum impacto, dependendo do período em que ocorre o déficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e, caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar a quebra de safra.
Assim, referente ao mês de setembro, a região Sudeste apresentou 13 municípios com condição extrema, todos em São Paulo; 177 municípios com condição de seca severa, destes 157 em São Paulo, os demais em Minas Gerais; e 534 municípios classificados como de seca moderada, sendo 238 em São Paulo e 296 em Minas Gerais.
Em relação à região Sul, para o mês de setembro, 7 municípios apresentaram condição de seca severa no estado do Paraná. Além disso, outros 79 municípios apresentaram condição de seca moderada, destes 77 no Paraná, (1) no Rio Grande do Sul e (1) em Santa Catarina.
Na região Centro-Oeste, para o mês de setembro, apenas o estado do Mato Grosso do Sul estava com calendário de plantio vigente. Dessa forma, 13 municípios apresentaram condição de seca severa e 20 municípios de seca moderada.
Na região Norte, por sua vez, 1 município com condição de seca severa no estado do Amazonas, todos eles distribuídos no estado do Amazonas, e 3 municípios na condição de seca moderada também no estado do Amazonas.
A região Nordeste, para o mês de setembro, não possui calendário de plantio vigente, segundo a CONAB.

- Figura 1 - Severidade da Seca (IIS1) Referente ao mês de setembro considerando apenas os estados com calendário vigente.
O monitoramento da severidade da seca no contexto da agricultura familiar é realizado por meio do Índice Integrado de Seca (IIS), tal índice combina informações sobre o déficit de precipitação na escala de um mês (SPI1), umidade do solo (anomalia da umidade do solo considerando um metro de profundidade) e o índice de saúde da vegetação (VHI), que combina dados de temperatura e condição do vigor vegetativo. A partir do IIS é possível inferir áreas com maior potencial de impactos em razão da seca. As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, mas não necessariamente um impacto na produção, por outro lado, secas nas categorias moderada a excepcional já podem sinalizar algum impacto, dependendo do período do deficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar a quebra de safra.
RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR
O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.
As Figuras 2, 3 e 4 evidenciam, respectivamente, o risco de seca para o plantio realizado nos meses de setembro/25, agosto/25 e julho/25. Para o plantio realizado no mês de setembro (Figura 2), 1 município apresentou risco muito alto à seca na região Norte; 2 municípios com risco alto à seca, também na região Norte. Outros 216 municípios apresentaram risco moderado à seca: 193 na região Sudeste, 13 na região Centro-Oeste, 9 na região Sul e 1 na região Norte.
Considerando o plantio em agosto (Figura 3), 64 municípios apresentaram risco alto em relação à seca, distribuídos entre as regiões Sudeste (60) e Norte (4). Além disso, outros 40 municípios apresentaram risco moderado, distribuídos nas regiões Sudeste (39) e Norte (1).
Para os municípios que iniciaram o plantio no mês de julho (Figura 4) e, portanto, encerraram o seu ciclo no mês de setembro. Ao todo, 32 municípios apresentaram risco alto em relação à seca, sendo 25 na região Norte, 3 nas regiões Centro-Oeste e Nordeste e 1 no Sudeste.
Outros 98 municípios apresentaram risco moderado, sendo 43 na região Norte, 23 na região Centro-Oeste, 22 na região Sudeste e 10 na região Nordeste.
O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.
IMPACTO DA SECA NA AGRICULTURA
O impacto da seca na agricultura considera o boletim da CONAB e traz os destaques para o plantio de grãos no geral, possibilitando a comparação de estimativa de safra inicial e do mês corrente, panorama geral e as principais commodities.
Na primeira estimativa de outubro de 2024 para a safra de grãos 2024/25, previa-se uma produção total de 317,5 milhões de toneladas. A décima segunda estimativa da safra, divulgada em setembro de 2025, indica o volume de produção de 350,2 milhões de toneladas. Comparativamente à primeira estimativa, observa-se um acréscimo de 10,30% ou aproximadamente 32,7 milhões de toneladas.
A Tabela 1 indica os estados, as culturas impactadas e a variação da produção estadual divulgada em setembro de 2025 comparada com a primeira estimativa (outubro de 2024). Além da seca, outros fatores, como a diminuição ou o aumento da área semeada, migração para culturas mais rentáveis e infestação de pragas, podem influenciar a variação na produção.

- Tabela 1 - Culturas impactadas pela seca nos estados e variação total da produção divulgada em setembro de 2025 comparado a primeira estimativa de outubro 2024. As culturas consideram a produção total (Fonte: CONAB).
Atualmente, conforme a Conab os impactos na produção agrícola em alguns estados se destacam:
Minas Gerais: Feijão Cores 2ª Safra: Nesta safra, notou-se um ciclo mais tardio que no ano passado, principalmente em razão da falta de chuvas no período ideal de plantio, entre fevereiro e meados de março.
Paraíba: Feijão Cores 2ª Safra: Ao longo do ciclo, intercorrências climáticas ocorreram, algo que afetou o potencial produtivo da cultura, que tem apresentado um rendimento médio menor que o da temporada passada, também pelo fato de o plantio ter sido mais tardio e reduzida a participação das chuvas.
Paraíba: Feijão-caupi 2ª Safra: Nesse ciclo, a irregularidade pluviométrica comprometeu a expectativa de produtividade, visto que o atraso na semeadura altera o calendário usual e faz com que a cultura se desenvolva em um cenário desfavorável, fora da estação chuvosa habitual.
Paraíba: Milho 2ª Safra: As lavouras de milho tiveram seu potencial produtivo reduzido devido ao déficit hídrico na fase de desenvolvimento vegetativo e início da formação da espiga. Estes fatores afetaram a produção e a rentabilidade da cultura. Em algumas situações, os agricultores estão optando por fazer silagem do milho como alternativa para amenizar o prejuízo com a lavoura.
Rio Grande do Norte: Feijão-caupi 2ª Safra: Houve decréscimos no potencial produtivo da cultura, tendo esse fato íntima relação com as condições climáticas ao longo da safra, pois a distribuição e o volume pluviométrico incidido foram irregulares e trouxeram incertezas à época do plantio, bem como reverberaram no potencial produtivo quando a escassez pluviométrica ocorreu em fases reprodutivas na fenologia da cultura.
Rio Grande do Norte: Milho 2ª Safra: Houve queda expressiva na produção total devido às adversidades climáticas, sobretudo à estiagem prolongada e à irregularidade das chuvas em fases críticas do desenvolvimento das lavouras.
Maranhão: Milho 2ª Safra: Em algumas áreas de cultivo dos municípios de São Raimundo das Mangabeiras e São João dos Patos, o menor volume de chuvas causou perda de produtividade, mas foi compensada com as altas produtividades obtidas na maioria dos municípios produtores.
Ceará: Milho 2ª Safra: A cultura sofreu uma queda expressiva nos rendimentos nesta safra. O veranico da primeira quinzena de fevereiro, durante a implantação da cultura, e a escassez de chuvas em abril e maio afetaram o desenvolvimento da cultura, principalmente no centro do estado.
Alagoas: Feijão Cores 3ª Safra: As lavouras se encontram com 95% entre as fases de enchimento de grãos e maturação. As chuvas em agosto reduziram um pouco a expectativa de colheita e mantiveram a estimativa de produtividade média abaixo do valor obtido no ano passado. Além disso, o ciclo apresentou redução na área plantada, devendo contribuir para a confirmação de um resultado final inferior àquele alcançado em 2024.
Paraná: Feijão Cores 3ª Safra: Em agosto, as precipitações que ocorreram no norte paranaense, região onde se concentra essa produção de feijão terceira safra, foram de baixo volume e irregulares. Assim, os estágios de umidade nos solos estão mais baixos, preocupando o potencial produtivo das lavouras que hoje se apresentam nas fases mais críticas do ciclo para a produção final, como o estádio de enchimento de grãos, ocasionados por irregular distribuição de chuvas ao longo do ciclo da cultura, com consequente deficiência hídrica nas áreas de cultivo.
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REGISTRO DE IMPACTOS : Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município? Sua informação é bem-vinda, mesmo ocorrências de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .
Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br
Como citar:
CEMADEN - CENTRO NACIONAL DE MONITORAMENTO E ALERTAS DE DESASTRES NATURAIS. RiSAF - Risco da Seca na Agricultura Familiar, SP, v. 5, n.60, SETEMBRO, 2025. ISSN: 2965-2014


