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RiSAF - RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR MAI/25
RiSAF
SEVERIDADE DA SECA PARA AGRICULTURA
De acordo com o calendário de plantio da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) para as culturas de feijão e milho, dezessete estados encontram-se com calendário de plantio vigente (Figura 1).
As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, mas não necessariamente um impacto na produção. Por outro lado, secas nas categorias moderada a excepcional já podem sinalizar algum impacto, dependendo do período em que ocorre o déficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e, caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar a redução de safra.
Assim, referente ao mês de maio, a região Sudeste apresentou 4 municípios com condição de seca extrema, todos eles em São Paulo. Além disso, 243 municípios na condição de seca severa, sendo 153 deles no estado de São Paulo e 90 em Minas Gerais. Outros: 585 municípios com condição moderada, 339 em Minas Gerais e 246 em São Paulo.
Na região Norte, por sua vez, 50 municípios apresentaram condição severa, distribuídos nos estados do Amazonas (23), Pará (17), Tocantins (6), Amapá e Rondônia (2). Outros 171 municípios com condição de seca moderada, sendo a maior parte deles nos estados do Tocantins (78), Pará (48), Amazonas (23), Rondônia (20) e Roraima (2).
Na região Centro-Oeste, para o mês de maio, 7 municípios apresentaram condição de seca severa: 4 municípios no estado de Goiás e 3 municípios no estado do Mato Grosso. Outros 117 municípios apresentaram condição de seca moderada: 82 em Goiás e 35 no Mato Grosso.
Na região Nordeste, 1 município apresentou condição de seca severa no Rio Grande do Norte. Outros 56 apresentaram condição de seca moderada para o mês de maio, sendo 18 deles no Rio Grande do Norte, 12 em Sergipe, 11 na Bahia, 10 na Paraíba e 5 em Alagoas. Por fim, em relação à região Sul, para o mês de maio, segundo o calendário da CONAB, não tem calendário vigente para plantio.

- Figura 1 - Severidade da Seca (IIS1) Referente ao mês de maio considerando apenas os estados com calendário vigente.
O monitoramento da severidade da seca no contexto da agricultura familiar é realizado por meio do Índice Integrado de Seca (IIS), tal índice combina informações sobre o déficit de precipitação na escala de um mês (SPI1), umidade do solo (anomalia da umidade do solo considerando um metro de profundidade) e o índice de saúde da vegetação (VHI), que combina dados de temperatura e condição do vigor vegetativo. A partir do IIS é possível inferir áreas com maior potencial de impactos em razão da seca. As diferentes condições da severidade da seca podem indicar atenção nas diferentes etapas do ciclo das culturas. Seca fraca sinaliza uma atenção, mas não necessariamente um impacto na produção, por outro lado, secas nas categorias moderada a excepcional já podem sinalizar algum impacto, dependendo do período do deficit hídrico. Se as condições de seca moderada a excepcional ocorrerem no início do plantio, pode indicar o atraso no calendário de plantio; e caso ocorra no meio do ciclo, pode indicar a quebra de safra.
RISCO DE SECA NA AGRICULTURA FAMILIAR
O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.
As Figuras 2, 3 e 4 evidenciam, respectivamente, o risco de seca para o plantio realizado nos meses de maio/25, abril/25 e março/25. Para o plantio realizado no mês de maio (Figura 2), 1 município apresenta risco muito alto, na região Norte, estado do Amazonas. Outros 89 municípios apresentaram risco alto em relação à seca: 49 na região Norte, 21 na região Nordeste, 14 na região Sudeste e 5 na região Centro-Oeste. Outros 418 municípios apresentaram risco moderado: 288 na região Sudeste, 89 na região Norte, 22 na região Nordeste e 19 na região Centro-Oeste.
Considerando o plantio em abril (Figura 3), 2 municípios apresentaram risco muito alto, ambos na região Nordeste. Outros 114 municípios apresentaram risco em relação à seca alto, distribuídos entre as regiões Nordeste (76), Norte (33), Centro-Oeste (4) e Sudeste (1). Além disso, outros 199 municípios apresentaram risco moderado, distribuídos nas regiões Nordeste (90), Norte (75), Sudeste (22), Centro-Oeste (7) e Sul (5).
Para os municípios que iniciaram o plantio no mês de março (Figura 4) e, portanto, encerraram o seu ciclo no mês de maio. Ao todo, 11 municípios apresentaram risco muito alto em relação à seca, todos na região Nordeste. Outros 194 apresentaram risco alto, sendo 166 na região Nordeste, 21 na região Norte e 7 na região Centro-Oeste. Além disso, outros 109 municípios apresentaram risco moderado, distribuídos nas regiões Norte (45), Nordeste (40), Sudeste e Centro-Oeste (10) e Sul (4).
O risco de seca na agricultura familiar é avaliado considerando o cultivo de feijão e/ou milho não irrigados. O risco considera a exposição ao déficit hídrico associada às vulnerabilidades e capacidades adaptativas de cada município em relação ao sistema de agricultura familiar. Além disso, é utilizado o calendário agrícola disponibilizado pela CONAB*.
IMPACTO DA SECA NA AGRICULTURA
O impacto da seca na agricultura considera o boletim da CONAB e traz os destaques para o plantio de grãos no geral, possibilitando a comparação de estimativa de safra inicial e do mês corrente, panorama geral e as principais commodities.
Na primeira estimativa de outubro de 2024 para a safra de grãos 2024/25, previa-se uma produção total de 317,5 milhões de toneladas. A oitava estimativa da safra, divulgada em maio de 2025, indica o volume de produção de 332,9 milhões de toneladas. Comparativamente à primeira estimativa, observa-se um acréscimo de 4,9% ou aproximadamente 14,4 milhões de toneladas.
A Tabela 1 indica os estados, as culturas impactadas e a variação da produção estadual divulgada em maio de 2025 comparada com a primeira estimativa (outubro de 2024). Além da seca, outros fatores, como a diminuição ou o aumento da área semeada, migração para culturas mais rentáveis e infestação de pragas, podem influenciar a variação na produção.

- Tabela 1 - Culturas impactadas pela seca nos estados e variação total da produção divulgada em maio de 2025 comparado a primeira estimativa de outubro 2024. As culturas consideram a produção total (Fonte: CONAB).
Atualmente, conforme a Conab os impactos na produção agrícola em alguns estados se destacam:
Bahia: Feijão Cores 1ª safra: A escassez de chuvas em fases críticas da cultura atrasou o ciclo e reduziu o potencial de produção. Milho 1ª safra nas regiões centro-norte e sul: foi observada baixa produtividade em decorrência da irregularidade das chuvas.
Piauí: Feijão-caupi 1ª safra: em áreas do sudeste e parte do centro-norte, a situação é crítica, com falta de chuvas. As lavouras que se encontravam em início de desenvolvimento vegetativo foram prejudicadas, o que reduziu o potencial produtivo.
Com relação ao milho, a 1ª safra foi em função do longo período de veranico, com algumas áreas contabilizando até 30 dias sem ocorrência de chuvas, e esta situação prejudicou as lavouras que se encontravam em momento crítico de enchimento de grãos.
Minas Gerais: Milho 1ª safra: as lavouras semeadas mais tardiamente sofreram mais intensamente os efeitos da estiagem, pois estavam em pleno período reprodutivo e atravessaram boa parte do período de enchimento de grãos, com umidade do solo limitada, afetando a produção.
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REGISTRO DE IMPACTOS : Gostaria de contribuir registrando ocorrência de eventos de secas no seu município? Sua informação é bem-vinda, mesmo ocorrências de pequenos impactos são de extrema importância. Você pode enviar suas informações pelo link: REGISTRO DE IMPACTOS DE SECAS .
Para mais informações fale conosco: secas@cemaden.gov.br
Como citar:
CEMADEN - CENTRO NACIONAL DE MONITORAMENTO E ALERTAS DE DESASTRES NATURAIS. RiSAF - Risco da Seca na Agricultura Familiar, SP, v. 5, n. 56, MAIO 2025. ISSN: 2965-2014


