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Representantes de países do Sul Global discutem o desenvolvimento de SMRs em workshop da AIEA
Participantes do Workshop da AIEA - Deivid Oliveira
Belo Horizonte – Os Pequenos Reatores Modulares, ou SMRs (da sigla em inglês Small Modular Reactors), são considerados reatores avançados, projetados para gerar até 300 megawatts elétricos, energia suficiente para abastecer uma cidade de pequeno a médio porte. O diferencial desse tipo de sistema é a possibilidade de fabricação, transporte e instalação em módulos, reduzindo drasticamente o tempo de construção e os custos de fabricação.
O crescente interesse por SMRs é resultado da demanda por matrizes energéticas cada vez mais seguras, confiáveis e sustentáveis no contexto global de mudanças climáticas e do aumento do consumo de energia elétrica. Para a implantação e desenvolvimento dos SMRs, é necessário estabelecer uma cadeia ampla e sustentável de suprimentos de componentes com foco em reduzir os valores de implementação e favorecer a economia de escala.
É com esse objetivo que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) promoveu o Workshop Internacional sobre normas e padrões, projeto de engenharia, testes e fabricação de componentes relacionados aos SMRs [1], entre os dias 11 e 15 de maio de 2026.
O evento contou com cerca de 30 participantes de instituições nucleares e de energia de 10 países e foi sediado pelo Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN). O Centro é a unidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) em Belo Horizonte, autarquia federal do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Representando o Brasil, participaram profissionais das unidades da CNEN (CDTN, CRCN-NE, IEN e IPEN), do Ministério de Minas e Energia e do Ministério da Defesa. Entre os convidados internacionais, foram recebidos representantes dos seguintes países asiáticos: Azerbaijão, Malásia, Myanmar e Sri Lanka; e também dos países africanos: Gana, Níger, Quênia, Tunísia e Zâmbia.
“Tivemos o privilégio de receber essa iniciativa que tem o objetivo de auxiliar países na adoção dos SMRs. Foi muito interessante receber experiências tão diferentes e poder participar dessa discussão. Os especialistas da AIEA mostraram o que vem sendo feito para padronizar os processos no mundo, com a finalidade de que os países conversem na mesma linguagem técnica, já que essa indústria exige a economia de escala, ou seja, muitos reatores sendo produzidos e uma cadeia de fornecimento mais robusta” comenta o anfitrião local, pesquisador do CDTN, Andre Campagnole.
A agenda de trabalho foi conduzida pelos especialistas da AIEA, Christina Fischer e Benoît Lepouzé, com a participação dos experts José Bastos e John Moore. A programação da semana abordou aspectos legais, além de temas como segurança, formação de profissionais, cadeia de suprimentos, ciclo de combustível, gestão de rejeitos, engenharia, dentre outros.
A visita aos setores do CDTN foi incluída na programação, com apresentações do Reator TRIGA, do Laboratório de Termo-Hidráulica e Neutrônica, além de laboratórios de Física Aplicada, Corrosão, Ensaios Mecânicos, Tecnologia Mineral, dentre outras instalações das áreas de nanotecnologia e materiais estratégicos.
O representante da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, Charles Mello, destacou a importância do evento para agregar conhecimento sobre os SMRs. “Foram trazidos contextos de diversas nacionalidades. E o apoio da AIEA é importante para a tomada de decisão bem amparada e tecnicamente adequada. A EPE apoia os formuladores de políticas públicas no Brasil. Conhecendo mais, podemos entender de que forma as alternativas energéticas se encaixam e se adequam para termos um sistema energético mais sustentável e competitivo no país”, comenta.
As fotos do encontro estão disponíveis no álbum do Flickr aqui.
[1] Tradução livre de Interregional Workshop on Codes and Standards, Design Engineering, Testing and Manufacturing of Components Related to SMRs.
Deize Paiva
Assessoria de Comunicação do CDTN
comunicacao@cdtn.br