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Fundação Casa de Rui Barbosa lamenta a morte do documentarista Silvio Tendler
Fundação Casa de Rui Barbosa lamenta a morte do documentarista Silvio Tendler
Morreu na manhã desta sexta-feira (5/9), aos 75 anos, o cineasta Silvio Tendler, uma das vozes mais importantes da cultura brasileira. Conhecido como o “cineasta dos sonhos interrompidos”, Tendler nasceu no Rio de Janeiro em 1950. No fim dos anos 1960, passou a se dedicar ao cinema e, para escapar da ditadura militar, buscou exílio no Chile, mudando-se depois para a França em meados dos anos 1970, onde estudou história e cinema em Paris.
Professor, historiador, fazedor cultural, ativista e parceiro da Fundação Casa de Rui Barbosa, Sílvio dedicou quase seis décadas ao cinema, transformando a sétima arte em instrumento de denúncia, reflexão e luta por democracia e justiça social. Deu voz a personagens que marcaram a história do Brasil, como Juscelino Kubitschek, João Goulart, Carlos Marighella, Leonel Brizola e Castro Alves. Foram mais de 80 documentários produzidos, 60 prêmios recebidos e uma contribuição inestimável para a preservação da memória nacional, com seu acervo particular de imagens, que reúne mais de 80 mil títulos sobre a História do Brasil e do mundo dos últimos 60 anos.
“Silvio Tendler acreditava, com toda a sua vida e obra, no poder transformador da cultura. Seu cinema foi espaço de memória, gesto de esperança, ato de coragem. Ele nos ensinou que cada história contada, cada imagem registrada, sustenta a esperança, mesmo nos tempos mais difíceis. Seu legado é imenso, gerações de cineastas e cidadãos conscientes, e uma obra que permanece como luz, abraço, lição. Silvio nos mostrou que a história não se domina, se atravessa, e que, mesmo quando o mundo pesa, é possível caminhar com coragem, ternura e esperança. Tendler está presente na cultura, na memória, na luta e no coração do Brasil”, ressaltou o presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, Alexandre Santini.
Entre seus filmes, destacam-se os três documentários de maior público do cinema brasileiro: O Mundo Mágico dos Trapalhões (1,8 milhão de espectadores), Os Anos JK (1 milhão) e Jango (1,3 milhão). Tanto Os Anos JK quanto Jango acompanharam as reviravoltas da história recente do país, denunciaram o autoritarismo e alimentaram a esperança em tempos de luta.
Silvio costumava dizer: “O meu cinema é uma tentativa de participar das lutas políticas por transformação. Faça do cinema uma arma de luta, uma arma de reflexão, uma arma de pensamento.” Essa foi a marca de sua obra: um cinema comprometido com a memória e com o futuro, que jamais se rendeu ao esquecimento.
Em 2024, esteve com a Fundação Casa de Rui Barbosa na realização da mostra “Memória, Coração do Futuro", dedicada às obras do período da ditadura militar. A iniciativa reafirmou seu compromisso com a preservação da memória das lutas democráticas e o combate às violações dos direitos humanos. Silvio esteve presente em muitos momentos da Fundação, contribuindo para fortalecer sua missão cultural e histórica.
Silvio Tendler deixou um legado que transcende o cinema: um legado de coragem, compromisso e esperança. Em suas próprias palavras: “Sou movido à memória não como um refúgio no passado, mas como um refúgio para o futuro.” Hoje, o Brasil se despede de um artista imprescindível, cuja força criativa seguirá inspirando novas gerações. “Sou um utopista e acredito que a vida vai melhorar. Desistir, jamais.”