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Operação conjunta realiza maior apreensão de armadilhas de lagostas da história
Uma operação articulada pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e coordenada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com participação de outras instituições, realizou a maior apreensão de armadilhas para captura de lagostas já realizada em território nacional.
Cerca de 10 mil armadilhas foram encontradas, distribuídas em uma área de 15 mil metros quadrados na praia de Aranaú, localizada no município de Acaraú (CE). Os petrechos, popularmente chamados de marambaias, estavam prontos para serem lançados ao mar antes do fim do defeso, período reprodutivo da lagosta durante o qual a captura da espécie é proibida.
O grande aparato para a prática ilegal foi avistado também do espaço, por satélite utilizado pela operação. A estimativa é que, como resultado da operação, cerca de 300 toneladas de lagosta deixem de ser capturadas ilegalmente apenas em 2025.
Com articulação interinstitucional da ABIN – órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (SisBin), o qual promoveu a integração das instituições envolvidas –, e coordenada pelo Ibama, a ação fiscalizatória contou com o suporte de segurança da Polícia Militar do Ceará e com uma complexa rede logística com a participação do Exército Brasileiro, da Marinha do Brasil, da Receita Federal do Brasil.
Impactos do uso de marambaias
Fabricadas com uso de diversos materiais, como tambores metálicos, forros de câmaras frias enferrujados, geladeiras descartadas e pneus velhos, as marambaias causam danos severos aos estoques pesqueiros e ao meio ambiente. Seu uso gera captura indiscriminada da lagosta, com tamanhos de exemplares abaixo do permitido, o que compromete a reprodução dos animais e a reposição do estoque para a safra pesqueira do ano seguinte.
Por outro lado, o despejo de tambores metálicos no mar causa uma série de consequências danosas ao meio ambiente e à saúde humana, como a contaminação das águas com produtos como solventes e óleos lubrificantes residuais, dano à vida marinha, podendo levar à diminuição da biodiversidade e à extinção de espécies, além da possibilidade da contaminação se espalhar por toda a cadeia alimentar, afetando desde o plâncton até os grandes predadores. Recifes de coral e outros ecossistemas sensíveis podem ser particularmente afetados, com potencial de destruição.
A área onde estavam depositadas as marambaias a céu aberto também continha uma oficina rudimentar onde os tambores metálicos eram cortados e amassados antes de seguirem para as pilhas de armazenagem. A investigação verificou que, diariamente, os infratores carregavam caminhões e deslocavam esses petrechos para barcos de pescas, para os lançarem ao mar.

