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INOVAÇÃO
Escola de Inteligência lança Rede de Pesquisa em Inteligência Estratégica
A Rede de Pesquisa em Inteligência Estratégica, iniciativa inédita no Brasil, assinou carta de princípios em evento realizado na Escola de Inteligência (Esint), na sede da ABIN, em Brasília/DF, em 28 de maio. A Rede tem o objetivo de realizar articulação entre universidades federais e instituições públicas para fortalecer a massa crítica sobre a temática de Inteligência estratégica. A medida vai colaborar para promover o campo interdisciplinar dos Estudos de Inteligência e para incentivar a formação de linhas e laboratórios de pesquisa em programas de pós-graduação.
A Rede faz parte da estratégia de implementação da Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) da ABIN, unindo esforços de pesquisa aplicada da Esint e do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para a Segurança das Informações (Cepesc), unidade da ABIN, com objetivo de viabilizar a submissão de projetos de pesquisa conjuntos em editais de fomento nacionais e internacionais. A iniciativa de criação da Rede é do Núcleo de Pesquisa em Inteligência (NUPI) da Escola.
A Rede conta com a participação de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal do Ceará (UFC), Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Escola Superior de Defesa (ESD), Escola Superior de Guerra (ESG) e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O envolvimento de diversas áreas do conhecimento, como ciência política, ciência da computação, criptologia e estudos de segurança e defesa sinaliza a interdisciplinaridade da Rede.
Pesquisa Aplicada em Inteligência e Segurança
O evento foi seguido de um painel sobre “Pesquisa Aplicada em Inteligência e Segurança”. Foram convidados a compor a mesa de debates Ronaldo Carmona, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); Alerino dos Reis, assessor do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ); Fábio de Oliveira, diretor do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC); e Cintiene Mendes, professora da Escola Superior de Defesa (ESD).
Ao abrir as discussões, oficial de Inteligência da Esint/ABIN, e mediador do painel, ressaltou o momento histórico para o campo de estudos de Inteligência, Defesa, Segurança Cibernética e Tecnologia no Brasil, com o posicionamento da Rede no campo interdisciplinar que é a Inteligência. “Essa aproximação com centros de pesquisa, institutos, empresas e universidades é um movimento da ABIN para articular centros que produzem conhecimentos necessários para enfrentar os desafios complexos que o momento atual apresenta para a Atividade de Inteligência e para o Brasil. Nesse sentido, busca-se tanto aumentar a legitimidade do serviço, por meio do maior diálogo com a sociedade e a academia, quanto aprimorar a efetividade e qualidade da entrega final da nossa Atividade”, disse.
Carmona, da Finep, expôs o fomento da Financiadora em áreas de interesse da segurança nacional. “A instituição conta com orçamento de 14,7 bilhões de reais em 2025 para financiar o avanço tecnológico e a ABIN, por meio de sua ICT, poderá requisitar recursos da Finep”. Carmona destacou a importância da publicação de documentos como o “Desafios de Inteligência” pela ABIN, pois ajuda a indicar prioridades na alocação de recursos e investimentos.
Oliveira, do LNCC, comentou que o Laboratório tem colaborado com a ABIN em algoritmos criptográficos e poderá, por meio da ICT, colaborar em Inteligência Artificial (IA). O diretor considera que a Inteligência deve fornecer o rumo sobre os investimentos que devem ser priorizados e acredita que a IA é um deles. “Entender como a sociedade está evoluindo em termos de IA é fundamental e é importante a ABIN estar se aproximando da academia para discutirmos isso”.
Reis, do CNPQ, explicou que a instituição financia projetos de ICT desde a base. “O CNPQ apoia o início da cadeia, os primeiros passos de uma linha de pesquisa”, afirmou. Dentre os projetos apoiados pelo Conselho, citou o Programa de Apoio a Políticas Públicas Baseadas em Conhecimento Científico – Política com Ciência, por meio do qual são disponibilizados recursos aos ministérios, incluindo a Casa Civil.
Mendes, da ESD, falou sobre os desafios para a atuação integrada de diferentes órgãos e agências governamentais na consecução da política pública de Inteligência. Ele citou alguns desafios em trazer a comunidade sistêmica da Inteligência para atuar no modelo de relações interagências. “O remodelamento do Sisbin tende a melhorar a comunicação dentro da comunidade de Inteligência, o que é essencial na gestão de crises”, defendeu.
