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CLIMA
ABIN realiza reunião do Sistema Brasileiro de Inteligência sobre a COP30
A ABIN realizou reunião do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) em Manaus/AM para discutir o tema “COP30 – Economia climática e Amazônia: oportunidades e óbices para o Brasil”. O evento ocorreu na última quarta-feira – 16 de julho –, no auditório da Petrobras.
O encontro teve a participação de cerca de cem profissionais de mais de 30 instituições governamentais de todas as esferas e da sociedade civil. O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o Comando Militar da Amazônia (CMA), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Petrobras e organizações indígenas – como a Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Apiam) e a Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime) – foram alguns dos participantes.
A abertura do encontro foi realizada pelo superintendente da ABIN no Amazonas, Edwin Lang, que destacou o papel fundamental dos povos originários no debate sobre as mudanças climáticas. "Os verdadeiros especialistas em mudanças climáticas da Amazônia são os povos que habitam a região", afirmou.
Oficial de Inteligência da ABIN apresentou as atualizações sobre o Sisbin e discorreu sobre as oportunidades e os desafios na realização da COP30 para o Brasil.
A perspectiva indígena
Representantes dos povos indígenas tiveram voz ativa durante o evento. Fábio Munduruku, da Funai, ressaltou que as atividades econômicas dos povos originários do Amazonas são pouco conhecidas pela grande mídia e que a função da Fundação é promover a participação na construção de políticas públicas.
Ele também abordou os impactos diretos das mudanças climáticas nas comunidades. “Em 2024, por conta das mudanças climáticas, parentes tiveram que sair de seus territórios. O rio da minha comunidade secou. Nunca vi isso em 40 anos de vida”, relatou.
Munduruku enfatizou que os custos dos impactos climáticos ainda não são contabilizados pela economia de mercado e que a experiência dos povos indígenas pode contribuir significativamente para a COP30, inclusive no enfrentamento de problemas como o narcotráfico em territórios indígenas.
Marcivana Sateré Mawé, da Copime, chamou a atenção para a expressiva presença indígena na área metropolitana de Manaus, estimada em mais de 100 mil pessoas. Ela apresentou iniciativas de cultivo de alimentos na capital amazonense, viabilizadas com o apoio da Embrapa e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
Mariazinha Baré, da Apiam, questionou a origem dos recursos para a ação climática e o real compromisso dos financiadores. Para ela, o planeta já atingiu um ponto de não retorno no que diz respeito às mudanças climáticas. "Ano após ano, não temos avançado no combate aos problemas climáticos", lamentou.
A representante ainda defendeu o protagonismo indígena no desenvolvimento de novas tecnologias. “Estamos abertos para desenvolver tecnologia juntos, mas queremos ser protagonistas. Não queremos que o estado brasileiro reproduza o que sempre foi feito por outros conosco”, destacou.
Inteligência e transição energética
A reunião também contou com a participação do gerente-geral de Inteligência da Petrobras, Luiz Paulo Carvalho Fonseca, que apresentou a estrutura e as funções da área de Inteligência da companhia.
O encontro foi encerrado com a apresentação da engenheira Renata Fróes, coordenadora do projeto Carbono Neutro - NET Zero na Petrobras, que reforçou o compromisso da empresa com a transição para uma economia de baixo carbono, tema central da COP30 e de vital importância para o futuro da Amazônia e do Brasil.



