Notícias
Edital do CNPq contempla 9 projetos de pesquisadores do IPEN
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) divulgou o resultado final da chamada do Programa de Capacitação Institucional (PCI) de 2026. Ao todo, 9 projetos de diversas áreas do conhecimento, propostos por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN-CNEN), foram aprovados e devem receber, no total, aproximadamente R$ 10 milhões em investimentos. As iniciativas foram selecionadas pelo Comitê Julgador constituído pelo CNPq, órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Criado em 1997, o PCI é destinado a projetos com potencial de contribuir de forma significativa para o desenvolvimento científico e tecnológico e para a inovação do país. Nesta edição, será investido um total de R$ 160 milhões — valor que foi retificado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) —, por meio de recursos próprios e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Os valores direcionados para os projetos podem ser aplicados em itens de custeio, materiais, bolsas de pesquisa em diferentes modalidades, além de despesas acessórias de importação.
Para o diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Ensino, Niklaus Ursus Wetter, os projetos aprovados representam uma conquista significativa, demonstrando a qualidade e a competitividade das pesquisas desenvolvidas no IPEN-CNEN. “Essa aprovação mostra que o IPEN é forte e atuante, pois foi uma avaliação independente do próprio CNPq. Isso significa também uma grande quantidade de novos bolsistas em cada uma destas propostas, o que vai permitir o desenvolvimento dessas pesquisas. Eu vejo um futuro promissor com um forte aumento do número de bolsistas para o Instituto”, destacou.
“Das 11 propostas submetidas por diferentes instituições coordenadas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), 9 foram do IPEN, o que comprova a maturidade dos projetos das equipes do IPEN e sua capacidade de competir”, acrescentou Niklaus.
As 9 propostas aprovadas serão desenvolvidas no Centro de Biotecnologia (SEBIO), Centro de Ciência e Tecnologia de Materiais (SECTM), Centro de Tecnologia das Radiações (SETER), Centro de Metrologia das Radiações Ionizantes (SEMRI), Centro de Laser e Aplicações (SELAP) e no Centro de Engenharia Nuclear (SEENG), sendo alguns desses projetos em parceria com instituições como a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), entre outras.
As propostas aprovadas correspondem à faixa 3 do edital, destinada a instituições com maior capacidade de execução de projetos e com relevância expressiva para a consolidação das diretrizes do PCI, como a expansão de pesquisas estratégicas com impacto nacional que fortaleçam a capacidade científica, tecnológica e de inovação do país.
Entre os critérios considerados pelo edital, estão a missão institucional da organização executora e o interesse público em ciência, tecnologia e inovação. As pesquisas serão realizadas por um período de 48 meses e deverão apresentar resultados à sociedade, como produção e transferência de conhecimento, com entregas científicas, técnicas e tecnológicas, além da divulgação dos impactos sociais e a cooperação com o setor produtivo.
Projetos visam áreas estratégicas para saúde, meio ambiente e tecnologia
As propostas aprovadas abrangem diferentes áreas estratégicas, demonstrando a multidisciplinaridade das pesquisas desenvolvidas no IPEN-CNEN. Os estudos envolvem desde o aprimoramento de técnicas aplicadas à saúde até o desenvolvimento e a avaliação de novos materiais, além de soluções voltadas à sustentabilidade e à inovação tecnológica.
Na área da saúde, os projetos buscam ampliar a capacidade de aplicação de tecnologias nucleares e acelerar o desenvolvimento de soluções para a prática clínica.
Entre as iniciativas está a do pesquisador Daniel Alexandre Bonifácio, que pretende fortalecer a capacidade institucional do IPEN-CNEN em dosimetria personalizada, procedimento utilizado para calcular a dose de radiação aplicada a pacientes em tratamentos radioterápicos. Por sua vez, o projeto do pesquisador Ademar Benévolo Lugão tem como objetivo desenvolver curativos avançados para serem incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Também voltada à saúde, a proposta coordenada pela pesquisadora Martha Simões Ribeiro prevê o desenvolvimento de uma plataforma para aproximar os resultados obtidos em pesquisas de laboratório de aplicações práticas na terapia do câncer e no controle de infecções. Outra iniciativa que busca contribuir para o avanço de tecnologias na saúde é o projeto do pesquisador Carlos Roberto Jorge Soares, que propõe o desenvolvimento molecular para o tratamento de tumores humanos.
No campo ambiental, a pesquisadora Duclerc Fernandes Parra coordenará uma pesquisa voltada à análise de filmes agrícolas biodegradáveis. Em outra frente, o estudo proposto por Niklaus Ursus Wetter pretende desenvolver sensores ópticos e tecnologias baseadas em luz para detectar poluentes no meio ambiente com alta precisão.
As propostas também contemplam o desenvolvimento tecnológico e a geração de conhecimento aplicado, como o projeto do pesquisador Jesualdo Rossi que visa desenvolver componentes metálicos utilizados na área da saúde e no setor de usinagem.
Ainda nesse sentido, o projeto coordenado pela pesquisadora Denise Maria Zezell pretende desenvolver metodologias com auxílio da Inteligência Artificial para avaliar alterações bioquímicas em biópsias humanas, tecidos e fluidos biológicos.
Já a proposta coordenada pelo pesquisador Roberto Navarro de Mesquita tem como objetivo desenvolver e avaliar algoritmos de Inteligência Artificial para a detecção, classificação e identificação de falhas em instalações nucleares.
O resultado final da Chamada, divulgado em 2 de setembro de 2026, pode ser acessado aqui