INT: 30 anos de apoio à inovação em micro e pequenas empresas
Éricson Brito *
Ao longo dos anos, seja por intermédio de políticas públicas, de demanda da sociedade e do mercado, o INT sempre manifestou preocupação com as micro e pequenas empresas e mais recentemente com as categorias de microempreendedores individuais e empresas nascentes (startups), transversalmente com projetos de P,D&I.
Com o objetivo de criar e aproximar as micro e pequenas empresas de uma instituição científica e tecnológica, na década de 1990, foi instalado no INT o Balcão Sebrae. Outras ações fruto da parceria entre o INT e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) surgiram, como, por exemplo, o Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas (SBRT), o Programa de Apoio Tecnológico às Micro e Pequenas Empresas (Patme) e o Bônus Design, focados na promoção de informações tecnológicas, no fomento ao aperfeiçoamento de produtos e/ou processos, na ampliação da competitividade, dentre outros.
Com a finalidade de realizar, por meio de qualificação tecnológica, melhoria de produtos e/ou processos industriais, estritamente para a micro e pequena empresa, nasceu o Programa de Apoio Tecnológico à Exportação (Progex), fruto de uma ação pioneira do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) em parceria com o Sebrae/SP.
O Programa possuía atuação direta em dez estados – Amazonas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, todos nucleados em instituições científicas e tecnológicas (ICT), nas quais se responsabilizavam pela execução de projetos em cada estado da federação brasileira. Vale ressaltar que o Progex nasceu de uma ação integrada entre os ministérios da Ciência e Tecnologia e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior junto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
No Estado do Rio de Janeiro, o Progex foi operacionalizado por intermédio do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) no período de 2002 a 2012.
A seguir, apresentamos na Tabela 1 os períodos de vigência de cada convênio com os respectivos aportes financeiros.
Tabela 1: Programa governamental, nº do Convênio, período de vigência e os respectivos aportes financeiros.

Fonte: Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate).
Durante a operacionalização do Progex/RJ, foram atendidos os seguintes segmentos produtivos: aeroportuário, alimentos, artefatos em madeiras, automação, automotivo, bebidas, calçados, couros, cosméticos, cerâmica, confecções, eletroeletrônico, fármacos, granitos, mármores, médico-hospitalar, metal mecânico, metalurgia, móveis plásticos, químico e têxtil, cujos projetos buscavam focar ações nas áreas de competência do INT, particularmente de química e engenharia.
No que tange ao quantitativo, o Núcleo do Progex/RJ realizou 1.264 prospecções, o que resultou em 393 atendimentos de adequações tecnológicas com diferentes abordagens e complexidades. Como fruto de um dos atendimentos, apresentamos a seguir duas patentes depositadas.

Fonte: www.inpi.gov.br
As patentes acima destacadas foram os resultados obtidos junto ao processo de atendimento nº 015/06, perante a empresa Resort Portobello Ltda., localizada no município de Mangaratiba, costa verde fluminense.
Dentro do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação (PACTI), foi instituído o Sistema Brasileiro de Tecnologia – Extensão Tecnológica, por meio de redes estaduais, cujo foco consistiu no apoio ao avanço tecnológico com vistas à inovação, elevação da competitividade, adequação tecnológica à exportação, para a micro e pequena empresa brasileira.
A Rede RJ do Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec) – Extensão Tecnológica era composta pelo Instituto Nacional de Tecnologia (coordenador geral), juntamente com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Estado do Rio de Janeiro (Sebrae/RJ) e a Rede de Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro (Redetec).
Na Tabela 2 retratamos os períodos de vigência de cada convênio com os respectivos aportes financeiros.
Tabela 2: Programa governamental, nº do convênio, período de vigência e o respectivo aporte financeiro.

Fonte: Rede de Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro (Redetec).
Durante as ações apoiadas pela Sibratec – Extensão Tecnológica – Rede RJ, os seguintes segmentos produtivos foram atendidos: alimentos, bebidas, calçados, cerâmica, confecção, cosméticos, fabricação de produtos metais, joias, metalurgia, moveleiro, naval, plásticos e rochas ornamentais.
As medidas de prospecções resultaram em 576 abordagens, com a consolidação de 144 processos de adequações tecnológicas em produtos e/ou processos produtivos, focados na particularidade de cada empresa, na maturidade tecnológica, nas estratégias econômicas e de acesso a mercados diversos.
Na Tabela 3 apresentamos os quantitativos de prospecções, adequações tecnológicas realizadas e o total de aporte (R$) em cada Convênio.
Tabela 3: Quantitativos de prospecções, adequações tecnológicas realizadas e o total de aporte (R$) em cada Convênio.

Fonte: INT, Funcate* e Redetec**.
Em execução por aproximadamente 14 anos, os Programas de Apoio Tecnológico à Exportação e o Sistema Brasileiro de Tecnologia – Extensão Tecnológica – Rede RJ realizaram 131 prospecções e 38 adequações tecnológicas por ano.
Tanto no Progex quanto no Sibratec – Extensão Tecnológica destacou-se o papel da extensão tecnológica, que contribuiu para a criação de um ambiente favorável à inovação, por meio de ações simples e de alto impacto, tornando a micro e pequena empresa mais competitiva, proporcionando-lhes oportunidades para a solução de gargalos existentes nos produtos e/ou processos produtivos, bem como nos fortalecimentos das bases tecnológicas.
O INT é uma das Unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII) credenciada desde a fase piloto. Essa parceria tem como missão “contribuir para o desenvolvimento da inovação na indústria brasileira através do fortalecimento de sua colaboração com institutos de pesquisas e universidades”. Visando fomentar a atuação da EMBRAPII junto a pequenas empresas e startups, em 2017 foi instituída a parceria EMBRAPII/Sebrae, cujo objetivo central é reduzir o investimento financeiro das pequenas empresas e startups em projetos de inovação, assim como o compartilhamento de riscos diante das incertezas da viabilidade tecnológica de um produto e/ou processo produtivo.
A Unidade EMBRAPII INT apoiou até o presente momento o desenvolvimento de seis projetos, com investimento de aproximadamente R$ 4 milhões em empresas localizadas nos estados do Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo, além do Distrito Federal.
*Autor
Éricson Brito
Colaborador da Coordenação de Negócios do INT. Engenheiro agrônomo, é doutorando em Química Biológica com ênfase em Educação, Difusão e Gestão em Biociências na UFRJ. Mestre em Desenvolvimento Territorial e Políticas Públicas, possui MBA em Análise de Políticas Públicas e Pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho. Atualmente, apoia a gestão da Unidade EMBRAPII INT atuando também em sua prospecção de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I).