Com projeto no CENANO, mestre em Farmácia avança no uso da microscopia eletrônica e contribui para caracterização de aço
Graduado em Química com Atribuições Tecnológicas pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), Alan Menezes do Nascimento concluiu o mestrado em Ciências Farmacêuticas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e continuava lá com uma bolsa de capacitação técnica, quando soube do edital para bolsista PCI no Instituto Nacional de Tecnologia (INT). Com excelentes referências de ex-colegas que passaram pelo Instituto, o interesse foi imediato. Inscreveu-se para trabalhar com análise microestrutural de aços: uma oportunidade de ampliar seus horizontes profissionais e reencontrar a microscopia eletrônica de varredura, técnica com que havia trabalhado ainda na graduação, mas com amostras biológicas.

Destaque na área de Materiais - Alan Menezes do Nascimento
Selecionado, Alan Menezes foi trabalhar no Centro de Caracterização em Nanotecnologia para Materiais e Catálise do INT, o CENANO, laboratório estratégico do Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologias (SisNANO/MCTI). Orientado pelo engenheiro metalúrgico Cássio Barbosa, tecnologista da Divisão de Materiais (DIMAT), no período de maio de 2019 a maio 2022, ele desenvolveu o projeto Caracterização de materiais através de técnicas de microscopia eletrônica de varredura (MEV/FEG/FIB) e de microanálise correlacionadas (EDS/EBSD).
“Foi uma experiência ímpar, pois pude adquirir novos conhecimentos na área da microscopia e aprender um pouco sobre as ciências dos materiais, em especial a metalografia. Confesso que no início foi um desafio sair da ‘zona de conforto’ para uma área completamente diferente, onde o pouco conhecimento que tinha era sobre a técnica da microscopia em si” – relata o bolsista.
“Mesmo vindo de outra área, o Alan aprendeu com enorme rapidez e facilidade, apresentando soluções inovadoras no trabalho” – confirma o orientador Cássio Barbosa.
Objeto da caracterização feita por Alan Menezes, o aço inox 430 foi submetido a dois diferentes tratamentos. As análises do metal permitiram notar mudanças significativas na sua microestrutura, sugerindo alterações em suas propriedades mecânicas. Assim, o trabalho trouxe resultados para o direcionamento dos ensaios mecânicos do material.
“O Alan contribui na metodologia de análise em microscopia eletrônica de varredura, inclusive em EBSD: análise cristalográfica por difração de elétrons retroespalhados, que não é coisa simples, mesmo para quem tem experiência em análise de materiais cristalinos, como metais, cerâmicos e minerais. Além disso, aprendeu a metodologia das análises por FIB: feixe focalizado de íons, também técnica moderna e avançada” – avalia Cássio Barbosa.
O projeto se encaixa em um linha de pesquisa que prioriza a inovação incremental, buscando agregar novos valores a materiais como aços já consolidados no mercado e na indústria.
“Enquanto o alto custo de desenvolver e produzir industrialmente um novo material pode representar um empecilho, estes materiais de uso mais tradicional, a um menor custo, podem ter suas propriedades químicas (de resistência a corrosão, por exemplo), mecânicas e microestruturais bem consolidadas. Em suma, nosso objetivo não é ‘reinventar a roda’, mas solucionar problemas de maneiras mais sustentáveis e minimizando custos” – explica o bolsista.
Suporte de excelência
A infraestrutura do INT, sobretudo no CENANO e no Laboratório de Caracterização de Propriedades Mecânicas e Microestruturais (LACPM), é destacada por Alan Menezes:
“Temos um arcabouço bastante completo para o desenvolvimento deste projeto e tantos outros de grande relevância para a comunidade científica, sobretudo no cenário nacional. Laboratórios deste porte, bem equipados e multiusuários, como temos no INT, não são facilmente encontrados, ainda que em outras instituições de excelência.”
“Tive a sorte ainda de ser orientado pelo pesquisador Cássio Barbosa, que dispôs de seu tempo e paciência para me ensinar, basicamente do zero, os principais fundamentos da metalurgia, fractografia e metalografia. Também não posso deixar de agradecer às equipes do CENANO e do LACPM, que me ajudaram bastante com a parte operacional do trabalho” – completa.
O êxito do projeto e a consolidação dos conhecimentos de microscopia contribuíram para Allan Menezes ser selecionado para um novo projeto no INT, iniciado em julho, desta vez sob orientação do tecnologista Maurício Paiva, da Divisão de Corrosão e Biocorrosão (DICOR).

Orientador Cássio Barbosa
“Acredito que esta nova oportunidade surgiu com a necessidade de suprir a demanda por profissionais na área de microscopia e poderei mais uma vez me reconectar com técnicas com as quais trabalhei durante a graduação e o mestrado, relacionadas à microtomia, mas com um olhar diferenciado: para os catalisadores e materiais voltados para as técnicas de microscopia de transmissão” – explica o jovem pesquisador.
A nova modalidade de bolsa obtida – Desenvolvimento Tecnológico Industrial do CNPq – por sua vez, permitirá ao bolsista atuar em outros projetos e até mesmo completar sua formação com um doutorado, que já está em seus planos.
“Comecei a vislumbrar algumas possibilidades de mesclar a microscopia eletrônica com técnicas analíticas que tive contato durante o mestrado”, adianta Alan, que vê um horizonte promissor para ambientes de conexão entre diferentes áreas do saber.