Bolsista desenvolve sistemas para otimizar recursos produtivos na indústria
Engenheira de Produção formada pelo Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos (UniMSB), no Centro do Rio de Janeiro, Raquel da Conceição Santos tem o INT presente em sua formação desde a época da graduação, quando foi bolsista de iniciação tecnológica (PIBITI/CNPq) e, em seguida, estagiária, até se graduar em 2017. Desde então, levou à frente o projeto PCI/CNPq/INT “Desenvolvimento de sistemas baseados em programação matemática para otimizar o uso dos recursos produtivos na indústria”. Destacado pelos avaliadores em toda a área de Engenharia, o trabalho combina ciência de dados e otimização matemática, visando aprimorar os processos decisórios na indústria, diante de incertezas, dentro do paradigma do Business Analytics.

Destaque da área de Engenharias - Raquel da Conceição Santos
Segundo Raquel, o Instituto funcionou como uma porta para o conhecimento, onde aprendeu a trabalhar com pesquisa e a entender de fato o papel do engenheiro de produção. No Laboratório de Simulação e Otimização de Sistemas Produtivos (LASOS), sob orientação da tecnologista Andréa Carvalho, colocou em prática conhecimentos da sala de aula, mas também aprendeu coisas novas, que considera fundamentais para o seu desenvolvimento profissional.
“Na faculdade, eu já havia visto um pouco de programação matemática, mas nada comparado ao que eu aprendi no INT. Acompanhei de perto casos de empresas reais, aonde tive a oportunidade de ir, entender o processo produtivo, identificar onde acontecia o problema e a partir disso desenvolver um algoritmo de programação matemática que apresentasse a melhor solução para a empresa” – conta a bolsista.
No decorrer da bolsa PCI, ela desenvolveu protótipos didáticos e protótipos baseados em problemas reais, tendo por referência os modelos de otimização elaborados na tese de doutorado da orientadora Andréa Carvalho. Um ponto alto do projeto foi participar como co-autora no artigo “Validação de um modelo de planejamento da capacidade em empresa ETO: Resultados preliminares de uma pesquisa-ação”, aprovado e apresentado no XXVII SIMPEP - Simpósio de Engenharia de Produção.
Para Andréa Carvalho, por sua vez, o destaque obtido pelo projeto significou o reconhecimento de uma linha de trabalho recente, iniciada em 2017, com muitos desafios.
“Nesse período todo, a Raquel sempre se mostrou muito aplicada e perseverante, superando cada dificuldade, em um trabalho que exigia muitas habilidades” – destaca a orientadora.
Durante o período da bolsa, Raquel Santos realizou atividades de pesquisa, estudou linguagem de programação, implementou modelos matemáticos, desenvolveu protótipos. Mas uma contribuição decisiva apontada pela tecnologista Andréa Carvalho foi o domínio da linguagem livre (open source) de programação, que significou um grande ganho para toda a linha de pesquisa, considerando a dificuldade de recursos para a aquisição de novos softwares pagos.
Já Raquel Santos atribui à orientação uma ajuda decisiva no direcionamento da sua atividade: “Com a orientação da Andréa, aprendi a construir modelos matemáticos e a buscar artigos científicos de forma estratégica. A união desse estudo com a prática na construção de modelos matemáticos foi essencial para o desenvolvimento do projeto”.
Bolsista e orientadora também são unânimes em destacar como resultado o novo projeto que já iniciaram juntas, combinando programação matemática com machine learning, onde Raquel desenvolve os modelos preditivos.
“Esse trabalho dela é um marco nesse projeto, que é muito importante e estratégico para o nosso grupo” – reconhece Andréa Carvalho.
Para o futuro, Raquel Santos tem boas expectativas baseadas nos êxitos do seu projeto PCI.
“Acredito que o meu projeto trata de um assunto inovador e que vem sendo explorado por empresas e universidades. Esse é o meu último ano como bolsista PCI, mas quero continuar nessa área de pesquisa, por ser um assunto que eu me identifiquei e por enxergar a possibilidade de ingressar no mercado de trabalho”- avalia a jovem engenheira de produção.
Benefício em mão-dupla
A orientadora Andréa Carvalho é uma entusiasta do Programa PCI, pois identifica benefícios tanto para o bolsista quanto para o centro de pesquisa. Pelo lado da Instituição, acredita que o programa cria uma alternativa para ampliar sua capacidade de pesquisa. A tecnologista chama a atenção para o valor dos bolsistas mais jovens, que “chegam mais abertos, com vontade de aprender, sem vícios”.

Orientadora Andréa Carvalho
“Isso foi muito importante no caso da Raquel, pois ela entrou aqui de cabeça para tentar resolver os diversos desafios que o projeto oferecia” – avalia Andréa.
Por outro lado, a engenheira de produção ressalta o valor da oportunidade para os bolsistas, pois saem da faculdade sem uma bagagem tão grande e de repente se deparam com os desafios do mundo real e outros conteúdos que o profissional acaba não aprendendo na faculdade. Nesse ponto, ela relembra a sua própria história no INT.
“Quando fui bolsista – não do PCI, mas do Programa RAE – tive oportunidade de adquirir novos conhecimentos dentro do Instituto. Isso consolidou minha formação de engenheira. Em resumo, ganhamos dos dois lados. O INT ganha com os seus bolsistas e os bolsistas ganham com o INT.”