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Ibict promove evento de conscientização sobre a construção da masculinidade e violência contra a mulher
O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) sediou, no último dia 19 de março, a palestra “O Espelho da Realidade: violência contra a mulher e a construção da masculinidade”, ministrada pela psicóloga e psicanalista Juliana Santo. O evento foi direcionado aos homens e reuniu colaboradores para uma reflexão aprofundada sobre as raízes culturais e sociais da violência de gênero, com foco no papel dos homens na transformação desse cenário.
Durante a apresentação, Juliana Santo abordou dados recentes sobre a violência contra a mulher e discutiu como a sociedade constrói a ideia do que é “ser homem”. Entre os pontos centrais, destacou a misoginia como um mecanismo de defesa psíquica, a chamada crise da masculinidade e o conceito da “escada da violência”, processo que se inicia com discursos de ódio e comportamentos naturalizados, como piadas e agressões consideradas “brincadeiras”, e pode culminar em feminicídio.
Para a palestrante, a experiência foi marcante e necessária. “Foi sensacional estar aqui. A ideia foi conscientizar sobre o crescimento do número de violências contra a mulher, e isso é preocupante, isso é urgente. Às vezes o homem acha que puxar o cabelo está tudo bem, que é uma brincadeira, e não é. Uma piadinha é uma brincadeira, e não é. Ver os participantes atentos, escutando isso, para mim já é um ganho enorme”, afirmou.
O diretor do Ibict, Tiago Braga, ressaltou que a iniciativa está alinhada tanto às diretrizes do Governo Federal quanto à missão institucional do órgão. Segundo ele, promover esse tipo de debate é fundamental para o desenvolvimento social. “Ter uma sociedade desenvolvida significa uma sociedade em que as questões de gênero não se pautem pela violência e pela desigualdade, mas pela convivência harmônica e pelo respeito mútuo. Esse trabalho que realizamos hoje é pioneiro. Pela primeira vez, o Ibict promove um evento no contexto do Dia das Mulheres voltado à conscientização dos homens, para que compreendam esse processo social e saibam como atuar na transformação dessa realidade”, destacou.
Para Jeremias Correia da Silva, da Coordenação de Planejamento, Avaliação e Acompanhamento (COPAV), o tema precisa ser amplamente debatido. “A palestra foi bastante esclarecedora. Eu acredito que esse tema é um problema cultural e geracional que precisa realmente ser debatido e trabalhado com o público masculino, a fim de gerar um nível de consciência capaz de reduzir e evitar esse tipo de violência, e auxiliar na construção da masculinidade da sociedade atual", avaliou.
Já o tecnologista Deivan Lourenço da S. Júnior, também da COPAV, destacou o caráter reflexivo do encontro. "Mais do que uma palestra, este foi um momento de reflexão para nós, homens do Instituto. É uma oportunidade para entendermos como ser agentes ativos na mudança desse cenário, promovendo uma visão mais consciente sobre nosso papel na construção de um ambiente seguro e respeitoso para as mulheres e no debate sobre a masculinidade", afirmou.
Realizada no âmbito das ações do Dia Internacional da Mulher, a iniciativa dialoga com políticas públicas voltadas à promoção da igualdade de gênero e ao enfrentamento da violência contra as mulheres. A atividade também está em consonância com esforços conjuntos entre ministérios, que buscam ampliar a participação feminina e combater o machismo estrutural no país, por meio de ações integradas e contínuas.