Histórico
A história do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) começa em 1954, com a criação do Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD), por meio do Decreto Presidencial nº 35.124, de 27 de fevereiro. A iniciativa surgiu em um contexto de fortalecimento da ciência e da documentação científica no Brasil, impulsionada por recomendações da Unesco para a criação de centros nacionais especializados em informação. Ainda naquele ano, foi implantado o Catálogo Coletivo Nacional de Publicações Seriadas (CCN), um dos primeiros serviços oferecidos pela instituição, inicialmente disponível para consulta presencial por meio de fichas catalográficas. Pouco tempo depois, em 1955, o IBBD deu início ao Curso de Documentação Científica (CDC), contribuindo para a formação de especialistas e para o desenvolvimento da área no país.
À medida que a produção científica brasileira crescia, o Instituto ampliava suas iniciativas para acompanhar as transformações tecnológicas da época. Em 1968, promoveu o I Seminário de Informática, antecipando discussões sobre o uso do processamento de dados na organização da informação. Nesse mesmo período, lançou a primeira Bibliografia Brasileira produzida por processo automatizado, na área da Física, demonstrando seu pioneirismo na adoção de novas tecnologias.
A década de 1970 representou um marco para a consolidação da Ciência da Informação no Brasil. Em 1970, o Instituto organizou, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o primeiro curso de mestrado em Ciência da Informação do país, iniciativa que contribuiu decisivamente para a institucionalização da área. Dois anos depois, criou a revista Ciência da Informação, o primeiro periódico científico brasileiro dedicado ao tema. Em 1975, passou a atuar como Centro Nacional da Rede ISSN e, no ano seguinte, assumiu uma nova identidade institucional ao ser transformado em Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict). A mudança refletiu a ampliação de sua missão e reforçou seu papel como coordenador das atividades de informação científica e tecnológica no Brasil.
Nos anos seguintes, o Ibict fortaleceu sua atuação nacional. Em 1980, transferiu sua sede para Brasília, aproximando-se dos principais centros de formulação de políticas públicas de ciência e tecnologia. Na mesma época, consolidou-se como Centro Brasileiro do ISSN e implantou o Programa de Comutação Bibliográfica (COMUT), ampliando o acesso de pesquisadores a documentos técnico-científicos disponíveis em bibliotecas nacionais e internacionais. O período também foi marcado pela criação do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PADCT), em 1986, e pelo lançamento da Base de Dados de Filmes em Ciência e Tecnologia, em 1988.
Durante a década de 1990, o Instituto passou a investir ainda mais na democratização do acesso à informação. Em 1993, lançou o Programa de Tecnologias Apropriadas e a Rede Antares, iniciativas voltadas à disseminação do conhecimento científico e tecnológico. No ano seguinte, teve início o curso de Doutorado em Ciência da Informação, ampliando sua contribuição para a formação de pesquisadores. Em 1997, foi disponibilizada a primeira versão brasileira da Classificação Decimal Universal (CDU). Ao longo desse período, o Catálogo Coletivo Nacional acompanhou a evolução tecnológica, migrando gradualmente dos formatos impressos e em microfichas para o ambiente eletrônico.
Com a chegada dos anos 2000, o Ibict assumiu protagonismo em temas que se tornaram centrais para a comunicação científica contemporânea. Em 2002, lançou a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), iniciativa que integra e dá visibilidade à produção acadêmica brasileira, além do Canal Ciência, voltado à divulgação científica para a sociedade. Nos anos seguintes, foram criados o Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas (SBRT), a LIINC em Revista e a Revista Inclusão Social. O Instituto também passou a defender de forma ativa o acesso aberto à informação científica, culminando na criação do Oasisbr, em 2006, que reúne publicações e dados científicos disponibilizados em acesso aberto.
Esse movimento em favor da ciência aberta ganhou ainda mais força na década seguinte. Em 2010, o Ibict participou da criação do Programa Brasileiro de Avaliação do Ciclo de Vida (PBACV). Pouco depois, lançou a Rede Cariniana, referência nacional em preservação digital, e o Diadorim, diretório de políticas editoriais de acesso aberto. Também desenvolveu importantes plataformas para integração e compartilhamento de informações científicas, como o BRCris, o SICV Brasil e o Deposita. Em 2018, iniciou o projeto Hipátia, voltado à preservação arquivística digital, ampliando sua atuação na área da memória e preservação da informação.
Mais recentemente, o Instituto tem ampliado sua atuação em transformação digital, ciência aberta e inovação. Em 2022, o Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação teve sua excelência reconhecida pela CAPES, enquanto o Instituto recebeu o Selo Nacional de Modernização do Estado por iniciativas como o VISÃO e o Hipátia. No mesmo ano, foram lançadas plataformas estratégicas como a Rede Moara, a Civis e o PGDBR. Em 2023, ao celebrar seus 70 anos de trajetória, o Ibict reafirmou seu compromisso com a inovação por meio de projetos como o Lavoisier, a Nice e a Rede Minerva. Já em 2025, iniciou uma nova etapa de sua história com a modernização da sede em Brasília e a criação do Centro Integrado de Informação, consolidando uma trajetória marcada pelo pioneirismo, pela promoção do conhecimento científico e pelo compromisso com o desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da inovação no Brasil.