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Revista Brasileira de Preservação Digital agora é "Qualis CAPES A4"
A Revista Brasileira de Preservação Digital (RBPD), editada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pelo Grupo de Pesquisa Estudos e Práticas de Preservação Digital, vinculado ao Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), atingiu a classificação A4 na mais recente análise do Qualis Periódicos (Qualis CAPES), sistema que classifica a produção científica de instituições brasileiras de ensino e pesquisa. Na análise anterior, a revista era categorizada como B3.
De acordo com Miguel Arellano, coordenador da Rede Brasileira de Serviços de Preservação Digital (Cariniana) e um dos editores da revista ao lado de Gildenir Carolino Santos, os artigos publicados na RBPD não são relacionados apenas a uma realidade brasileira. “A intenção dos editores é reforçar o enfoque internacional da publicação, permitindo um diálogo amplo entre regiões da América Latina e África e não apenas num contexto nacional”.
A RBDP foi criada inicialmente como um canal de divulgação dos trabalhos desenvolvidos por pesquisadores vinculados à Rede Cariniana, do Ibict. Posteriormente, constituiu-se um corpo editorial interinstitucional, e as primeiras atividades editoriais foram sediadas na Unicamp. Em 2019, no período anterior à pandemia, a proposta de uma publicação nacional dedicada exclusivamente a temas relacionados à preservação digital ainda não se apresentava como uma demanda urgente.
Miguel Arellano explica que a Revista surgiu junto com a consolidação de experiências nacionais de preservação digital. “Desde seu início ela vem funcionando como um fórum acadêmico e instrumento profissional, abordando temas como as responsabilidades das instituições custodiadoras e dos gestores dos acervos digitais, ferramentas e, mais recentemente, a inteligência artificial”.
A RBPD, segundo Miguel, lembra aos leitores como ela pode ser um acessório dos sistemas de preservação digital, mostrando o funcionamento da autoridade teórica e prática, por meio de evidências e do cumprimento de normas internacionais já estabelecidas e transmitidas ao longo de seus primeiros seis anos de existência. “Entre os temas que mais que têm sido consultados, são os artigos que tratam do risco da perda dos documentos digitais, procurando orientar aos leitores sobre a necessidade de infraestruturas confiáveis em arquivos, bibliotecas e museus, cumprindo assim com a sua função de ser um ponto de referência profissional para essas áreas”.
O editor reforça que é importante destacar a atenção dedicada à gestão editorial pelo Sistema de Bibliotecas da Unicamp, cuja liderança na atual gestão do Portal de Serviços Eletrônicos foi fundamental para conferir à RBDP coerência e consistência disciplinar. Além disso, a Rede de Pesquisa DRÍADE tem participado ativamente do trabalho editorial, compreendendo-o como um trabalho intelectual que contribui para moldar a forma como a área de pesquisa se reconhece e se organiza.
A missão da RBPD continuará sendo refletida nas temáticas principais, sem abandonar seus fundamentos disciplinares, que compreendem escolhas editoriais conectadas a novos problemas e compromissos profissionais da Rede Cariniana. “Nossa rede está comprometida com a infraestrutura profissional de formação de novos profissionais, que registre debates e documente a memória da área, além de projetos ou tecnologias individuais”.
A revista é voltada a todas as pessoas envolvidas com a preservação digital e, como periódico nacional, contribui de forma significativa para o debate preservacionista em âmbito internacional. Trata-se, segundo Miguel, de um desafio coletivo que fortalece a pesquisa desenvolvida em arquivos, bibliotecas e museus diante das constantes transformações tecnológicas. Em 2026, o projeto editorial seguirá com uma perspectiva de longo prazo, acompanhando as forças estabilizadoras da área, de modo a evitar que a preservação digital seja negligenciada ou deixada à deriva. “Nos próximos meses virão mais mudanças, mas a comunicação científica na área da preservação digital continuará contando com a oportuna e valiosa contribuição da Revista Brasileira de Preservação Digital”.