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Live debateu o papel estratégico e os desafios dos observatórios no ambiente digital
O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) realizou uma live institucional com o tema “Observatórios: conceitos, usos e desafios no ambiente digital”, com o objetivo de difundir estudos desenvolvidos pela Coordenação de Tecnologias para Informação (COTEC) e ampliar a compreensão dos observatórios como sistemas de informação complexos.
A mediação foi conduzida por Milton Shintaku, coordenador da COTEC, que destacou a relevância dos observatórios como ambientes estruturados por conceitos, métodos e padrões, fundamentais para qualificar a análise de dados e apoiar processos de tomada de decisão. O debate contou com a participação de Lisandra Guerreiro Pérez, pesquisadora da COTEC, e Diego Macedo, tecnologista do Ibict.
Evolução histórica e conceitual dos observatórios
Em sua apresentação, Lisandra Pérez apresentou um panorama histórico e conceitual do termo “observatório”, cuja origem está associada à astronomia e que, posteriormente, foi incorporado às ciências sociais para designar espaços de monitoramento, avaliação e interpretação da realidade. Segundo a pesquisadora, o primeiro observatório no mundo surgiu na França, em 1988, enquanto no Brasil o marco inicial foi o Observatório da Imprensa, criado em 1996.
A pesquisadora explicou que a trajetória dos observatórios pode ser compreendida em três gerações, que refletem o amadurecimento dessas estruturas ao longo do tempo. A primeira geração, nos anos 1990, caracterizava-se pela função de centros de documentação e coleta de dados, com forte semelhança às bibliotecas digitais. A segunda geração, consolidada a partir de 2006, passou a enfatizar a análise de dados monitorados, especialmente em áreas como saúde e educação, com foco no apoio estratégico à gestão pública. Já a terceira geração define os observatórios como ambientes colaborativos de reflexão coletiva, voltados à formulação de políticas públicas e a processos de transformação social.
Apesar desse avanço conceitual, Lisandra destacou que estudos indicam que 87% dos observatórios governamentais brasileiros ainda operam com características das duas primeiras gerações, o que evidencia os desafios para a consolidação de modelos mais colaborativos e participativos.
Publicação e lançamento de grupo de pesquisa
Durante o evento, Diego Macedo abordou a estruturação de modelos e tecnologias para observatórios digitais e apresentou o livro Estudos em Observatórios: conceitos, modelos e aplicações, publicado pela Editora Ibict. A obra reúne e sistematiza a experiência institucional do Ibict em projetos de observatórios e apresenta os requisitos mínimos para sistemas digitais, como fluxos de coleta, processamento e construção de indicadores.
Segundo Macedo, o objetivo da publicação foi compartilhar o conhecimento prático acumulado pelo instituto. “Buscamos apresentar experiências exitosas e projetos desenvolvidos no Ibict”, afirmou. Entre os casos abordados estão o Observatório do Turismo de Eventos, o estudo de caso do Observatório do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Observatório de Desenvolvimento Integrado Sustentável (Odis), que ilustram a aplicação concreta dos modelos e conceitos discutidos na obra.
Na ocasião, o tecnologista também anunciou o lançamento do Laboratório de Estudos em Observatórios (LEO), grupo de pesquisa vinculado ao Ibict. O LEO nasce com a missão de atuar como espaço institucional de pesquisa e experimentação científica, desenvolver metodologias para a criação de observatórios temáticos e territoriais, disponibilizar um portal de dados para consulta de indicadores e integrar ciência, tecnologia e políticas públicas por meio da gestão da informação.
Desafios e transparência pública
Ao final do encontro, os palestrantes discutiram desafios contemporâneos relacionados aos observatórios digitais, como a padronização de dados, o uso de inteligência artificial e a formação de redes colaborativas.
Lisandra Pérez ressaltou que os observatórios funcionam como verdadeiras “bússolas de conhecimento”, nas quais a informação é a matéria-prima e a transformação social constitui o objetivo final. Segundo a pesquisadora Lisandra Pérez, ao utilizarem indicadores interativos, gráficos e vídeos, os governos podem apresentar resultados de áreas como saúde e economia de forma que a sociedade compreenda e exerça o controle social de maneira consciente. Além disso, essas estruturas permitem que o próprio Estado identifique falhas e demandas sociais não atendidas, funcionando como um mecanismo de prestação de contas e justiça social.
O grupo também debateu ferramentas tecnológicas que podem apoiar o desenvolvimento de observatórios com soluções baseadas em software livre, como o Apache Superset, além do software Visão, desenvolvido pelo próprio Ibict, voltado ao georreferenciamento e à visualização de dados.
Diego Macedo enfatizou que um observatório digital deve ser compreendido como um ecossistema de informação robusto, onde a arquitetura tecnológica atua em conjunto com equipes qualificadas e fluxos metodológicos bem definidos para assegurar a sustentabilidade e a continuidade da operação. Milton Shintaku reforça essa perspectiva ao pontuar que tais sistemas transcendem o conceito de software, integrando padrões, conceitos e métodos necessários para a análise de dados. Nesse cenário, as ferramentas digitais funcionam como catalisadores que transformam dados brutos em indicadores e entendimento estratégico, servindo como "bússolas de conhecimento" essenciais para promover a transparência pública, o controle social e o fortalecimento democrático em prol do bem comum
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