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Coordenação de Informação Científica e Técnica encerra 2025 com avanços em projetos, produtos e serviços
A Coordenação-Geral de Informação Científica e Técnica (CGIC) do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) apresentou, durante a reunião geral de encerramento do ano, um balanço detalhado das atividades desenvolvidas em 2025. O documento sistematiza os principais resultados alcançados ao longo do período e explicita as diretrizes estratégicas que orientarão as ações da área no próximo ano.
Composta pela Coordenação de Tratamento, Análise e Disseminação da Informação Científica (CODIC) e pela Coordenação de Serviços Bibliográficos (COBIB), a CGIC é responsável pela criação, manutenção e aprimoramento de sistemas e serviços de informação científica e bibliográfica, além da condução de iniciativas estruturantes relacionadas à Ciência Aberta no âmbito do Instituto.
O ano de 2025 foi marcado pela consolidação de serviços considerados estratégicos para o ecossistema nacional de informação científica, pela incorporação de inovações tecnológicas e pelo alcance de marcos institucionais relevantes para a Coordenação. De acordo com o coordenador da CGIC, Washington Segundo, o período representou avanços significativos. “Foi um ano de amadurecimento institucional, no qual conseguimos fortalecer infraestruturas estratégicas, ampliar a capacidade tecnológica dos sistemas e reafirmar o compromisso do Ibict com práticas abertas, colaborativas e sustentáveis de produção e disseminação da informação científica”, destacou.
Para o coordenador, a sustentabilidade dos serviços e das plataformas constitui um dos pilares centrais do trabalho da CGIC. Essa diretriz orienta a manutenção e o desenvolvimento contínuo de infraestruturas abertas, baseadas em software livre e de código aberto, bem como as atividades de pesquisa e desenvolvimento associadas a essas infraestruturas, incluindo a adoção sistemática de padrões, métricas e boas práticas consolidadas ao longo dos anos.
Confira os principais destaques das atividades desenvolvidas.
Modernização da Biblioteca Lydia de Queiroz Sambaquy
Com um acervo especializado e de reconhecida relevância, a Biblioteca Lydia de Queiroz Sambaquy, localizada na sede do Ibict, oferece acesso qualificado a informações e conhecimentos em múltiplos campos, que abrangem desde a história da biblioteconomia até as mais recentes abordagens e tendências da ciência da informação.
Em 2024, após um processo de reestruturação, a Biblioteca do Ibict reabriu ao público com um espaço renovado, mais funcional e acolhedor, pensado para qualificar as atividades de estudo, pesquisa e consulta. Ao longo de 2025, as obras de modernização tiveram continuidade, com foco em reposicionar a Biblioteca como um espaço central na estrutura física e institucional do Instituto.
Nesse contexto, foi inaugurado o novo Espaço Maker da Biblioteca, de uso exclusivo do Ibict. O ambiente foi concebido para apoiar reuniões, oficinas e atividades de coworking, oferecendo condições adequadas para o desenvolvimento de projetos colaborativos e a interação entre profissionais de diferentes áreas. O espaço conta com infraestrutura tecnológica, incluindo TV para apresentações e impressora 3D, disponível exclusivamente para os profissionais do Instituto, reforçando o papel da Biblioteca como um polo de inovação, colaboração e experimentação.
O período também foi marcado por uma aproximação da Biblioteca do Ibict com o Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, agora ofertado de forma singular. Neste contexto, a Biblioteca passa a apoiar as atividades de ensino e pesquisa, por meio da prestação de serviços especializados e de um calendário de capacitações direcionadas aos discentes do PPGCI.
Repositório Aleia: conquista certificação internacional CoreTrustSeal
O repositório institucional de dados de pesquisa do Ibict, o Aleia, conquistou a certificação internacional CoreTrustSeal, a mais utilizada no reconhecimento de repositórios digitais confiáveis. O reconhecimento posiciona o serviço como um ambiente digital de alta confiabilidade para a comunidade científica. Atualmente o Aleia é um dos dois únicos repositórios na América Latina a possuir a certificação CoreTrustSeal, sendo o outro o Arca Dados, da Fiocruz. A certificação é fundamental, pois reconhece o Aleia como um repositório confiável e com um modelo de governança seguro, garantindo à comunidade científica do Instituto plenas condições para depositarem seus dados de pesquisa.
Desenvolvimento do Pinakes.ia
Em 2025, teve início o desenvolvimento do Pinakes.ia, uma ferramenta de Inteligência Artificial generativa que atua como um assistente de conversação na consulta a catálogos e registros bibliográficos. O Pinakes.ia está sendo desenvolvido utilizando consulta nas bases do CCN e do Bibliodata, permitindo responder a sugestões de pesquisa e perguntas específicas feitas pelos usuários, além de exportar registros em formatos específicos, a partir das bases. Para 2026, está prevista uma expansão do modelo para que possa ser utilizado em catálogos de Bibliotecas. O piloto será realizado com o catálogo da Biblioteca Lydia de Queiroz Sambaquy, do Ibict.
Implementação da Rede dARK
Desenvolvido pelo Ibict, com o apoio da rede LA Referencia, o dARK é uma ferramenta aberta e descentralizada para a atribuição de Identificadores Persistentes (PIDs). Diferentemente dos modelos tradicionais, trata-se de um PID de uso dinâmico, mantido de forma colaborativa pela comunidade de usuários, sem custos de adesão ou manutenção, o que representa uma inovação significativa no ecossistema de identificadores atualmente existente.
Em 2025, o dARK passou a ser adotado por instituições brasileiras, com a implementação da fase piloto da Rede dARK, iniciativa voltada à gestão e à identificação persistente de publicações científicas. Seu uso tem potencial para transformar a forma como a produção científica nacional é identificada, acessada e avaliada. Ressalta-se que a adoção do dARK não substitui nem invalida outros identificadores persistentes, como ISBN, ISSN e DOI, mas os complementa.
A consolidação da Rede dARK posiciona o Ibict na vanguarda do processamento de dados científicos e das tecnologias de segurança em rede. No final de 2025, a Rede dARK foi selecionada pelo Fundo para Adoção de Redes da Invest in Open Infrastructure (IOI) para receber financiamento internacional. “A obtenção de um subsídio internacional relevante para o desenvolvimento da rede garante condições para sua expansão e consolidação nos próximos anos, reforçando o papel do Ibict na construção de soluções descentralizadas para identificadores persistentes”, afirma Washington Segundo.
Integração à Rede Blockchain Brasil (RBB)
O Ibict também passou a integrar a Blockchain Brasil (RBB), uma iniciativa liderada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Tribunal de Contas da União (TCU), com participação de diversas instituições brasileiras. No início de 2025, o Ibict implantou seus primeiros nós na rede de testes da RBB. Em julho, avançou ao colocar nós em operação no ambiente de produção, com capacidade para validar transações. Essa conexão permite ao Ibict utilizar a infraestrutura da RBB para desenvolver e implementar aplicações de interesse público que se beneficiam da tecnologia blockchain. Com isso, busca-se aumentar a transparência na gestão pública, fortalecer a confiança da população nos serviços governamentais e acelerar a transformação digital no Brasil.
Nova carga de dados no BrCris
O BrCris, por sua vez, passou por um processo de reformulação tecnológica, motivado pela constatação de que algumas soluções anteriormente adotadas não eram escaláveis frente ao volume massivo de informações do ecossistema científico brasileiro. Como resultado, a plataforma está preparada para lançar uma nova carga de dados mais consistente e abrangente, reunindo informações sobre artigos de pesquisadores brasileiros, programas de pós-graduação, patentes, pesquisadores, periódicos e demais elementos essenciais para a representação integrada e confiável da produção científica nacional.
Crescimento do Portal Oasisbr e da BDTD
O Portal brasileiro de publicações e dados científicos em acesso aberto (Oasisbr) e a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) são mecanismos de busca multidisciplinares que permitem o acesso gratuito à produção científica de autores vinculados a universidades e institutos de pesquisa brasileiros. Enquanto o Oasisbr tem um escopo mais amplo e permite acesso a diferentes tipologias documentais, a BDTD é focada nas teses e dissertações defendidas por pesquisadores brasileiros no âmbito de programas de pós-graduação stricto sensu.
Ao longo de 2025, o Oasisbr alcançou um marco expressivo, ultrapassando 2 mil fontes coletadas e 6 milhões de documentos científicos disponibilizados, o que reforça sua posição como importante base de dados nacional de acesso aberto. Esse crescimento decorreu, sobretudo, do mapeamento de novas fontes para o Portal, com destaque para as revistas cientificas, bem como da melhoria da interoperabilidade com softwares de gerenciamento de acervos.
A BDTD também apresentou evolução no número de instituições participantes, o que lhe permitiu alcançar o número de 1 milhão de teses e dissertações coletadas. Além disso, novos recursos de acessibilidade foram implementados na plataforma, além de melhorias nos mecanismos de busca avançada e na seção de perguntas e respostas.
Solicitações ao Comut e ISSN
No que se refere aos serviços tradicionais bibliográficos, o Comut, serviços de comutação bibliográfica, registrou 971 solicitações, das quais 61% foram atendidas. Parte das demandas não atendidas decorre da inexistência de versões digitalizadas ou da indisponibilidade dos documentos nas instituições detentoras, o que revela desafios estruturais ainda presentes no acesso à informação científica. Observa-se, ainda, uma demanda elevada que, muitas vezes, é atendida por vias informais externas ao sistema, indicando a necessidade de fortalecimento contínuo do serviço. O desempenho do serviço reforça o papel estratégico do Comut como instrumento de apoio à pesquisa, ao ensino e à produção do conhecimento no país.
Já o Centro Brasileiro do ISSN, responsável pelo trâmite do International Standard Serial Number, contabilizou 1.178 solicitações de registro ao longo do período, número que reafirma sua importância no contexto das publicações seriadas contínuas. A atribuição do ISSN é essencial para a identificação, a normalização e a visibilidade de publicações seriadas brasileiras, tanto impressas quanto eletrônicas, contribuindo para a organização do registro editorial, a circulação qualificada da produção e sua integração a bases de dados e sistemas internacionais.
Participação em eventos estratégicos e produção científica
A atuação da CGIC em eventos nacionais e internacionais também foi intensa ao longo do ano. A participação em encontros estratégicos como a ConfOA, o ENANCIB e o SNBU, bem como em eventos internacionais como o Open Repositories e a International Data Week (IDW), além de fóruns e redes como OpenAIRE, LA Referencia, Research Data Alliance (RDA) e COAR, permitiu fortalecer o diálogo internacional e a tradução de padrões e boas práticas para o contexto brasileiro e regional.
A participação nesses eventos ocorreu conjuntamente à produção científica da Coordenação. Ao longo do período, foi registrada uma produção técnica e acadêmica expressiva dos pesquisadores da CGIC, evidenciando o dinamismo e a diversidade das atividades desenvolvidas. No total, foram produzidos e publicados cerca de 26 artigos em anais de eventos, 16 capítulos de livros, 12 artigos publicados em periódicos científicos e 11 comunicações técnico-científicas, incluindo palestras, workshops e participação em painéis.
Realização de mais uma ConfOA e preparativos para próximas edições
Em 2025, a Universidade Federal de Goiás (UFG) sediou a 16ª edição da Conferência Lusófona de Ciência Aberta (ConfOA), que reuniu cerca de 250 participantes ao longo de sua programação. “A edição foi marcada por ampla participação da comunidade acadêmica, científica e institucional, consolidando-se como um espaço qualificado de debate, articulação e troca de experiências sobre políticas, práticas e infraestruturas de Ciência Aberta no contexto lusófono”, afirma Fhilipe Campos, pesquisador do Ibict.
O sucesso da ConfOA 2025, realizada pelo Ibict em parceria com outras instituições, impulsionou o início antecipado do processo de organização da edição de 2026, que será sediada na Universidade do Algarve, em Portugal, bem como o estabelecimento de diálogos estratégicos com instituições parceiras para a realização da Conferência no Brasil em 2027.
Novos financiamentos para projetos de pesquisa
A expertise da equipe técnica da CGIC auxiliou na obtenção de financiamentos para novos projetos de pesquisa, alguns já iniciados durante o ano de 2025 e outros, embora com orçamentos aprovados, para execução a partir de 2026.
Dentre esses financiamentos, destaca-se o projeto com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que teve sua primeira entrega realizada em dezembro de 2025. Foi lançada a versão beta da nova Plataforma de Serviços do INPI, desenvolvida para reunir de forma integrada todos os serviços oferecidos pelo Instituto. Nesta fase inicial, estão disponíveis as funcionalidades de buscas de diferentes registros de propriedade industrial registrados junto ao órgão, como patentes, marcas, desenhos industriais e programas de computador. O objetivo é criar uma solução de busca escalável, eficiente e adaptada aos diferentes perfis de usuários.
Além disso, a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) aprovou dois projetos voltados à implementação de novos serviços no âmbito da CGIC. O primeiro, Portal semântico da Rede Bibliodata, coordenado pela professora da Universidade de Brasília, Ana Carolina Simionato Arakaki, prevê o desenvolvimento de um protótipo para um portal semântico da Rede Bibliodata. A iniciativa é fundamentada nos princípios do Linked Open Data e de tecnologias semânticas, a partir da publicação para estruturação de um ecossistema de dados bibliográficos e autoridade. O segundo projeto, Proposição do Diretório brasileiro de avaliadores científicos e técnicos, coordenado por Bianca Amaro, coordenadora de Governança de Dados do MCTI, prevê a criação de uma base de dados nacional que possa ser utilizada para a busca de potenciais avaliadores para trabalhos científicos e técnicos submetidos em diferentes contextos.
No cenário internacional, a Rede Latino-americana de Ciência Aberta (LA Referencia) foi selecionada pelo Fundo para Adoção de Redes da Invest in Open Infrastructure (IOI) para receber financiamento internacional. A aprovação da proposta representa um marco relevante para os países e instituições integrantes da LA Referencia, da qual o Ibict é membro fundador. Ao longo dos próximos três anos, estão previstos investimentos em tecnologias multilíngues de recuperação da informação, no fortalecimento da adoção de repositórios de dados de pesquisa baseados na plataforma Dataverse e na consolidação do desenvolvimento do identificador persistente dARK. Esses avanços serão fundamentais para impulsionar a implementação de práticas de Ciência Aberta no Brasil e em outros países do Sul Global, reforçando o papel estratégico do Ibict e de seus parceiros na promoção de infraestruturas informacionais abertas, equitativas, sustentáveis e robustas.