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Ibict destaca ferramentas de economia circular e inovação sustentável no Global Meeting – Circuito COP30
Portal Global ESG
O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), teve participação estratégica no “Global Meeting – Circuito COP30: Simpósio de Economia Circular e Cadeias Produtivas Sustentáveis”, realizado no Complexo Na Praia, em Brasília, no último dia 17 de setembro. Consolidado como um dos principais fóruns preparatórios para a Conferência das Partes da ONU sobre mudanças climáticas (COP30), o evento reuniu autoridades, especialistas e representantes de diversos setores para discutir caminhos concretos de transição rumo à sustentabilidade.
Estiveram presentes pelo Ibict, o pesquisador Thiago Oliveira Rodrigues; a coordenadora de Tecnologias Aplicadas a Novos Produtos (COTEA) Silvana Aparecida Borsetti Gregório Vidotti; a coordenadora de Serviços Bibliográficos (COBIB) Emanuelle Torino; a pesquisadora Luane Souza; e a tecnologista Clara Coelho. A atuação institucional reforçou o compromisso do Ibict com a promoção da ciência, da inovação sustentável e da integração entre conhecimento técnico e formulação de políticas públicas.
Durante o simpósio, Thiago Oliveira Rodrigues reforçou o protagonismo da instituição ao lembrar que participar do Global Meeting significa estar no centro de um movimento que conecta ciência, tecnologia e inovação aos desafios da sustentabilidade. Ele destacou que, ao assumir a liderança do Conselho Permanente de Inovação e Tecnologias Limpas do Programa ESG20+, em sintonia com o Princípio 10 do Manifesto ESG na Prática, o Ibict reafirma seu papel no desenvolvimento de soluções com impacto real na transição para uma economia de baixo carbono.
O Instituto também contribui diretamente para a construção do Marco Regulatório do ESG para o Desenvolvimento Sustentável (MRESG), que está sendo desenvolvido de forma colaborativa com base em 20 princípios norteadores. Um dos instrumentos essenciais desse processo é a consulta pública ESG20+, que busca garantir diretrizes transparentes e participativas.
A integração entre ciência, tecnologia e governança foi ressaltada por Paola Comin, responsável pelas relações internacionais do Instituto Global ESG e secretária da Frente Parlamentar ESG na Prática (FPESG). Segundo ela, o Ibict tem a capacidade de transformar conhecimento em soluções práticas para o desenvolvimento sustentável, e sua liderança no Conselho Permanente de Inovação e Tecnologias Limpas evidencia como a tecnologia pode ser base sólida para a agenda ESG20+ e para a construção de políticas públicas efetivas.
Na ocasião, Thiago Rodrigues também destacou que a economia circular não pode ser reduzida à reciclagem ou a soluções pontuais, mas requer uma abordagem sistêmica e baseada em evidências. Para isso, é essencial o uso de instrumentos técnicos como a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), normalizada pelas normas ISO 14040 e 14044, que permite mensurar o impacto real das soluções sustentáveis. Segundo ele, se o custo socioambiental de uma alternativa for maior do que o custo do próprio resíduo, a tecnologia não se justifica. A ACV é a ferramenta que permite verificar se há, de fato, ganhos líquidos para a cadeia produtiva ou apenas transferência de impactos para outro ponto do processo.
Thiago alertou ainda para os dados do Circularity Gap Report 2025, que mostram que apenas 6,9% da economia global é circular, enquanto 93% ainda opera em modelos lineares. Ele ressaltou que os relatórios vêm apontando retrocessos ano após ano, e isso exige ação imediata e sistêmica. Para ele, a destinação de resíduos para aterros e lixões, ainda predominante no Brasil, representa a pior forma de gestão de recursos e perpetua impactos ambientais e sociais.
Nesse contexto, o pesquisador destacou a importância do SICV Brasil – Sistema de Inventários do Ciclo de Vida, iniciativa pública, gratuita e gerida pelo Ibict, como uma das ferramentas mais robustas para análises alinhadas à realidade nacional. Com mais de 200 inventários de processos produtivos brasileiros, o sistema oferece uma base de dados confiável e estratégica para tomada de decisão. Segundo ele, com o SICV, o Brasil conquista autonomia em dados e deixa de depender de bases estrangeiras que não refletem a complexidade de seu cenário produtivo. A consolidação do sistema contou com apoio do Instituto Global ESG e com articulação no Congresso Nacional, que já incluiu o SICV na proposta da Política Nacional de Economia Circular.
O pesquisador também ressaltou que a economia circular precisa ser entendida como uma transformação profunda do modelo econômico, com bases regenerativas, inclusivas e competitivas. A seu ver, o Brasil tem ativos únicos para liderar esse movimento global, e a realização da COP30 em Belém será uma oportunidade de mostrar ao mundo essa capacidade de protagonismo.
Com informações do Portal Global ESG