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16ª Conferência Lusófona de Ciência Aberta reúne pesquisadores em Goiânia e anuncia próxima edição em Portugal
Créditos: Adriana Lemos
A 16ª Conferência Lusófona de Ciência Aberta (ConfOA) aconteceu de 8 a 11 de setembro de 2025, em Goiânia, com organização da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás).
A ConfOA reúne as comunidades dos países lusófonos que realizam atividades de pesquisa, desenvolvimento, gestão de serviços e definição de políticas relacionadas com a Ciência Aberta em todas as suas vertentes. O encontro desse ano reuniu cerca de 250 participantes e mais de 200 autores de trabalhos científicos.
A sessão de encerramento aconteceu no dia 11 de setembro, no auditório da Escola de Formação de Professores e Humanidades da PUC Goiás e contou com a participação de diversas autoridades de instituições de ensino e pesquisa de Portugal e do Brasil.
O diretor do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), Tiago Braga, ressaltou que a Ciência Aberta é um conceito fundamental para o avanço e o desenvolvimento contínuo da sociedade, atuando como um pilar institucional e social. Braga destacou que o tema, que começou como uma discussão emergente na ConfOA, vai além de um modelo de fazer ciência, mas também é relacionado a conceitos como soberania e a integridade da informação.
"Vivemos um momento de desordem informacional num contexto mundial que pode e deve ser enfrentado com as ferramentas e princípios da Ciência Aberta", afirmou o diretor, sublinhando o papel da ciência no combate à desinformação e na preservação da confiabilidade da produção de conhecimento.
Para o diretor, a ciência constitui a matéria-prima do desenvolvimento social, ambiental e econômico, e a Ciência Aberta é o mecanismo capaz de assegurar que esse recurso continue ativo e sustentando a sociedade. Ele acrescentou ainda que a Ciência Aberta deve ser entendida como um compromisso filosófico e social. “Ela projeta a perspectiva de uma sociedade transparente, que se abre para se conhecer e se construir coletivamente”, afirma Braga.
Bianca Amaro, coordenadora de Governança de Dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, elogiou a organização e a participação do Brasil na Conferência. "A UFG e a PUC Goiás fizeram muito bonito com o acolhimento e a participação do Brasil. Foi uma ConfOA vibrante, a participação de todos foi maravilhosa", disse Amaro.
Ela destacou a importância de observar as pesquisas desenvolvidas e os avanços na área da Ciência Aberta em seus variados aspectos. "Foi muito importante ver as pesquisas que foram desenvolvidas, o avanço que a gente faz no nosso trabalho relacionado à Ciência Aberta nos seus mais amplos e variados aspectos. É muito bom ter essa troca anual", concluiu.
A ConfOA contou com a participação de diversos representantes de países lusófonos, como Portugal, Angola e Moçambique, consolidando o evento como o principal fórum para a discussão e avanço da Ciência Aberta na comunidade de língua portuguesa.
O Diretor da Área de Conhecimento Científico da Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal (FCCN/FCT), João Mendes Moreira, enfatizou a importância da ConfOA para o avanço científico da comunidade lusófona, destacando a importância de temas da atualidade que foram debatidos no evento, como a Inteligência Artificial (IA), a soberania de dados e o debate sobre governança de dados indígenas.
Horácio Zimba, professor da Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique, descreveu a ConfOA como um marco importante que acompanha o estado da arte da Ciência Aberta na comunidade lusófona. Segundo o professor, a Ciência Aberta em Moçambique ainda se encontra em uma fase inicial, com a recente implementação de um repositório no último ano.
"Neste momento, a Ciência Aberta em Moçambique se resume principalmente ao Acesso Aberto, e existe uma necessidade de trazer outras vertentes para o contexto moçambicano", afirmou Zimba. Ele ressaltou a importância da troca de experiências entre os países como um fator crucial para a adoção de boas práticas e para o crescimento da infraestrutura de Ciência Aberta em seu país. "Ao criar e expandir a comunidade de Ciência Aberta, espero que Moçambique possa eventualmente alcançar os níveis de desenvolvimento que o Brasil possui nessa área", declarou.
Eloy Rodrigues, diretor dos Serviços de Documentação e Bibliotecas da Universidade do Minho, destacou que a ConfOA foi marcada pela criação da revista Ciência Aberta Lusófona, lançada durante o evento. “A revista foi criada para publicar os trabalhos da ConfOA, mas busca servir a todos os eventos de Ciência Aberta no espaço lusófono e em língua portuguesa”, diz.
A revista é uma coedição das três instituições que fazem parte da comissão organizadora permanente da ConfOA: Universidade do Minho, Ibict e FCT. “Ela nasce com o compromisso com as melhores práticas de Ciência Aberta, como a revisão por pares aberta e a publicação de pré-prints, visando ser um exemplo e um veículo de experimentação e afirmação da Ciência Aberta”, complementa Rodrigues.
A expectativa é que a revista se torne um importante veículo para a troca de experiências e o avanço da Ciência Aberta na comunidade lusófona.
Fhillipe Campos, pesquisador do Ibict e membro da comissão organizadora da ConfOA, afirma que essa edição do evento foi emblemática por diferentes razões. “Essa foi a primeira edição da ConfOA que aconteceu na região Centro-Oeste do Brasil, o que por si só já é algo muito representativo. O envolvimento dos docentes e discentes da UFG, coordenado pela professora Laura Vilela, demonstrou como uma Conferência desse porte pode ser enriquecida mediante contribuições tão ímpares. Além disso, ter durante a 16ª ConfOA o lançamento de quatro livros e da revista Ciência Aberta Lusófona reafirmam como o espaço da Conferência é fundamental para as discussões do que vêm sendo empreendido no espaço lusófono nas mais distintas vertentes da Ciência Aberta”, disse o pesquisador.
Ibict na ConFOA
Pesquisadores, professores e tecnologistas do Ibict marcaram presença na 16ª ConfOA, com a apresentação de trabalhos e a participação como moderadores, formadores e palestrantes em atividades e debates sobre a produção de conhecimento na área de Ciência Aberta.
Foram apresentados mais de 20 trabalhos em que os pesquisadores do Ibict participaram como autores e/ou co-autores, em diferentes modalidades de trabalhos apresentados na Conferência, como 'Comunicação', 'Pecha Kucha', 'Demos', 'O Meu Pôster em 1 minuto' e Workshops. Confira aqui a relação dos trabalhos.
As pesquisadoras do Ibict Emanuelle Torino e Silvana Vidotti foram premiadas pelo melhor trabalho na modalidade “Comunicação” na 16ª ConfOA. O trabalho “Soberania e Governança de Dados de Povos Indígenas em tempos de Inteligência Artificial Generativa” discute desafios éticos e legais do uso de dados no contexto da IA para a soberania e governança de dados de povos indígenas.
Já o tecnologista do Ibict André Appel, proferiu a conferência de encerramento do evento, com o tema “O valor do diamante no mercado da comunicação científica”, que abordou as nuances do modelo de publicação acadêmica no qual periódicos e plataformas não cobram taxas nem de autores nem de leitores.
O Ibict também promoveu o workshop “Deposita Dados na prática: como depositar dados de pesquisa no repositório”, ministrado pela tecnologista do Ibict, Letícia Guarany Bonetti, e pela pesquisadora Tatyane Guedes, da Coordenação de Tratamento, Análise e Disseminação da Informação Científica (CODIC) do Ibict.
Durante a ConfOA, o Ibict lançou três livros que aprofundam debates sobre Ciência Aberta no Brasil.
A obra "Ciência Aberta no Brasil: conquistas e desafios", organizada por pesquisadores do Ibict e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi um dos destaques. Com 14 capítulos, o livro oferece uma análise abrangente sobre a institucionalização da Ciência Aberta em diferentes esferas do sistema nacional de ciência e tecnologia.
Outro lançamento importante foi "Práticas de Ciência Aberta", publicado pela Editora Ibict. A obra tem como objetivo aprofundar o conhecimento sobre as diversas possibilidades de aplicação e disseminação da Ciência Aberta no contexto brasileiro, servindo como um guia prático para pesquisadores e instituições.
Completando o trio de lançamentos, o livro "Infraestruturas de Ciência e de Acesso Aberto no Brasil: iniciativas do Ibict" também foi apresentado. Esta publicação da Editora Ibict tem como propósito resgatar e registrar historicamente as ações, produtos e serviços desenvolvidos e mantidos pelo instituto para a área de Ciência Aberta e Acesso Aberto, consolidando o papel fundamental do Ibict na promoção dessas práticas.
Esses lançamentos reforçam o compromisso do Ibict em fomentar o debate e a prática da Ciência Aberta, contribuindo para um ecossistema científico mais transparente, acessível e colaborativo no país.
ConfOA em 2026
O encerramento da 16ª Conferência Lusófona de Ciência Aberta (ConfOA) foi marcado pelo anúncio de que a próxima edição, a 17ª ConfOA, acontecerá em Faro, Portugal. O evento está programado para ocorrer entre os dias 06 e 09 de outubro de 2026, sediado pela Universidade do Algarve.
Desde 2010, a ConfOA é organizada por uma comissão permanente composta pelo Serviço de Documentação e Bibliotecas da Universidade do Minho (USDB/UMinho), o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal (FCT). Esta colaboração interinstitucional tem consolidado a Conferência como o principal fórum para a discussão e o avanço da Ciência Aberta na comunidade lusófona.