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Abertura do BRACV 2025 foca na aplicação prática da ACV e no fortalecimento da economia circular
Entre os dias 7 e 9 de outubro, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), campus Sorocaba, sediou o IV Fórum Brasileiro de Avaliação de Ciclo de Vida (BRACV 2025). O evento foi organizado pelo Laboratório de Informação para Sustentabilidade (LIS), do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com apoio do Grupo de Engenharia da Sustentabilidade (Grupo EngS) da própria universidade.
A solenidade de abertura, realizada no dia 8 e apresentada pelo pesquisador Thiago Rodrigues, contou com a participação de representantes da academia, do setor industrial e de instituições públicas. Estiveram presentes a professora Silvana Aparecida Borsetti Gregorio Vidotti, coordenadora de Tecnologias Aplicadas do Ibict e responsável pelas atividades do LIS; a professora Monica Fabiana Bento Moreira Thiersch, diretora do Centro de Ciências em Gestão e Tecnologia (CCGT) da UFSCar; e a especialista em sustentabilidade Bruna Góes, representante da Indovinya, divisão global de especialidades químicas e surfactantes da Indorama Ventures.
Em sua fala, a professora Monica Thiersch destacou a contribuição da UFSCar, especialmente na pós-graduação, por meio de pesquisas em sustentabilidade desenvolvidas em diversos programas da universidade. Bruna Góes, por sua vez, apresentou a atuação da Indovinya nas Américas, ressaltando o papel da empresa como principal produtora de surfactantes não iônicos e óxido de etileno na região e segunda maior em etoxilação no mundo. Ela enfatizou a importância da participação ativa do setor produtivo em eventos como o BRACV, reforçando o compromisso das indústrias com a sustentabilidade.
Já Silvana Vidotti lembrou que o BRACV vai além de um evento técnico, sendo um processo contínuo de construção de capacidades, consensos e compromissos em torno da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) como base para decisões públicas e empresariais. “Em toda sua trajetória, o BRACV se consolidou como uma comunidade plural que leva a ACV do artigo científico para a prática, na formulação de políticas, na inovação empresarial e no cotidiano das pessoas”, afirmou. Ela também destacou a relevância da ciência aplicável, dados confiáveis, curadoria, métricas de qualidade, critérios de priorização, rotulagem ambiental e ecodesign.
A palestra magna de abertura foi conduzida pelo professor Diogo Silva, docente da UFSCar no campus Sorocaba. Em sua apresentação, ele relacionou a Avaliação do Ciclo de Vida a temas cruciais como economia circular, uso de recursos naturais, transgressão dos limites planetários, saúde ambiental, impacto ambiental e reciclagem.
Com base em dados de pesquisa, reportagens e estudos de caso, o professor destacou como a ACV pode e deve ser aplicada no cotidiano e na formulação de políticas públicas e estratégias empresariais. Ele reforçou ainda a importância da capacitação técnica, da harmonização metodológica, da abordagem social na ACV e de projetos que integrem a avaliação à lógica da economia circular.
Ainda na parte da manhã, foi realizada a mesa-redonda “ACV no Plano Nacional de Economia Circular”, que reuniu especialistas de diferentes áreas. Participaram da discussão Felipe Dall, do Centro de Tecnologia Ambiental do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA); professora Virgínia Aparecida Silva Moris, da UFSCar e membro do Grupo de Pesquisa em Engenharia da Sustentabilidade do CNPq; e Josué Graton, Gerente Sênior de Inovação em Economia Circular no FIT - Instituto de Tecnologia.
Os participantes compartilharam experiências institucionais sobre a aplicação prática da ACV e da economia circular, discutiram o cenário atual das políticas e práticas de sustentabilidade no Brasil e refletiram sobre os caminhos possíveis para integrar de forma mais eficaz a indústria, a academia e os governos em torno de objetivos sustentáveis.