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Primeira edição do curso Influsciencers forma jovens comunicadores da ciência no DF
Entre maio e junho de 2025, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) realizou a primeira edição do curso Influsciencers, voltado à formação de jovens comunicadores na interface entre ciência, redes sociais e combate à desinformação. A iniciativa, com carga horária de 45 horas e formato híbrido, combinou aulas presenciais e online, oficinas práticas e visitas técnicas, formando uma turma diversa de estudantes e profissionais interessados em tornar a divulgação científica mais acessível e atrativa nas plataformas digitais.
A formação foi dividida em quatro módulos, que abordaram desde os fundamentos da divulgação científica até técnicas de storytelling, roteiro, produção audiovisual e estratégias para engajamento responsável em ambientes digitais. Os participantes também desenvolveram vídeos autorais, aplicando na prática os conceitos trabalhados ao longo do curso.
A abertura da formação contou com a participação da jornalista e influenciadora Bárbara Lins, que falou sobre seu percurso na comunicação pública e na popularização da ciência. Já a Chefe da Assessoria Especial de Comunicação Social do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (ASCOM/MCTI), Ana Cristina Santos, participou de uma das aulas e compartilhou experiências institucionais sobre a comunicação governamental e o papel da escuta ativa na mediação entre ciência e sociedade.
Coordenadora do Canal Ciência e responsável pela estruturação do curso, Leda Sampson avaliou a experiência como positiva tanto para os participantes quanto para a equipe organizadora. “A proposta era construir um espaço formativo acessível, participativo e conectado com os desafios reais da comunicação científica. A interação com os alunos foi intensa e percebemos um avanço concreto no entendimento dos temas propostos, inclusive com apropriação de técnicas de edição, produção de conteúdo e uso crítico das redes sociais.”
Uma das docentes do curso, a comunicadora Gabriela Rocha, conhecida pelo trabalho como booktoker, destacou o protagonismo da juventude frente aos desafios da desinformação. “Foi a minha primeira experiência como professora e foi transformadora. Trabalhar com uma turma engajada, refletindo sobre ciência e aprendendo a comunicar com ética e criatividade nas redes sociais, só confirmou a urgência dessa formação. A internet é um ambiente de disputa de sentidos, e precisamos preparar quem vai ocupar esse espaço com responsabilidade.”
Também coordenador do curso, o biólogo e divulgador científico Eduardo Bessa apontou o potencial transformador da formação: “Nós entregamos uma caixinha de ferramentas. Agora é acompanhar como cada participante vai usar esse conhecimento para levar ciência de qualidade às suas comunidades. A ideia é que eles realmente influenciem a percepção pública sobre o que é ciência e por que ela importa.”
Entre os alunos, os relatos confirmam a potência do curso para ampliar repertórios e reposicionar a ciência como parte do cotidiano. Para Ismael de Oliveira, 18 anos, a formação permitiu uma mudança de perspectiva sobre o papel social da divulgação científica. “Entendi que a ciência não pode ser restrita a laboratórios. Ela precisa voltar para a sociedade como política pública, como informação útil. O curso me deu ferramentas para me posicionar melhor nas redes e combater o fluxo de informações falsas com base em evidências.”
Já o bibliotecário Khalil Lessa, do Jardim Botânico de Brasília, destacou como o conteúdo do curso contribuiu para o seu trabalho com educação ambiental. “As dinâmicas nos ajudaram a refletir sobre o método científico e a pensar em formas criativas de traduzir isso para o público. Levei alguns dos exercícios para as crianças que visitam o Jardim, e pude ver o impacto imediato de uma abordagem mais lúdica e informada.”
Layane Silva, responsável pela comunicação do periódico Cadernos Ibero-Americanos de Direito Sanitário (CIADS), ressaltou a conexão entre a formação e seu trabalho na área da saúde. “As aulas sobre roteiro e criatividade me deram novas ideias para divulgar os artigos da revista. O curso também ampliou minha visão sobre como dialogar com públicos diversos, inclusive nas ações de extensão universitária que coordeno em escolas públicas.”
Ao final da formação, a equipe do Ibict iniciou um processo de sistematização dos conteúdos e metodologias desenvolvidos, com o objetivo de transformar o curso em um produto formativo escalável e acessível para novos públicos. A proposta é que as próximas edições sejam ofertadas de forma 100% online, ampliando o alcance para participantes de diferentes regiões do país.
Para a coordenadora-geral de Informação Tecnológica e Informação para a Sociedade do Ibict, Cecília Leite, a iniciativa reflete o compromisso do Instituto com a qualificação do debate público. “Vivemos uma reconfiguração da informação como eixo estruturante da sociedade. Formar influenciadores que compreendam o papel social da ciência é uma forma concreta de contribuir com esse novo cenário e fortalecer a democracia informacional.”