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Capítulo de livro discute desafios e soluções para preservar o conhecimento científico digital na região latinoamericana
Miguel Ángel Márdero Arellano, coordenador da Rede Brasileira de Serviços de Preservação Digital (Rede Cariniana) do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), e Júlio Santillan Aldana, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), assinam um capítulo no recém-lançado livro “Editar, publicar y financiar ciencia en América Latina – Perspectivas, experiencias y distopías en las dinámicas de la comunicación científica en la región”.
Organizada por Gimena del Rio Riande e Patricio Iván Pantaleo, a obra reúne pesquisadores de diversos países latinoamericanos para discutir, sob múltiplas perspectivas, as complexas dinâmicas da comunicação científica no continente. O capítulo “Preservação digital e sustentabilidade da comunicação científica na América Latina: experiências, desafios e perspectivas futuras”, de Márdero e Santillan, apresenta uma análise aprofundada de como a preservação digital se tornou uma questão estratégica para o futuro do conhecimento acadêmico na região.
Baseado em estudos de caso regionais, o texto examina os desafios técnicos, econômicos e políticos enfrentados pelas instituições acadêmicas latino-americanas, destacando as restrições de infraestrutura e orçamento que comprometem a longevidade dos acervos digitais. Os autores avaliam as estratégias de preservação atualmente em uso, discutindo sua eficácia diante de um cenário ainda marcado pela instabilidade tecnológica e pela necessidade de integração com políticas de Ciência Aberta.
Segundo os autores, a construção de soluções sustentáveis passa necessariamente pela cooperação interinstitucional e regional, por meio de iniciativas inovadoras que já têm demonstrado avanços significativos. Uma das ideias centrais defendidas no capítulo é a importância das redes colaborativas. “O desenvolvimento de redes distribuídas de preservação digital é essencial para garantir a segurança, a acessibilidade e a autenticidade do patrimônio digital a longo prazo. Essas redes abordam os desafios da obsolescência tecnológica, da perda de dados e da falta de colaboração, garantindo que a informação e o conhecimento possam ser preservados e utilizados pelas gerações futuras.”
O capítulo conclui com recomendações práticas voltadas a editoras científicas, instituições acadêmicas e formuladores de políticas públicas, incentivando a adoção de modelos de financiamento sustentáveis, uso estratégico de novas tecnologias e fortalecimento de políticas regionais integradas de preservação digital.