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Sexto Seminário ODIS - “Humanidades Digitais: As Bibliotecas do Sul Global na Contemporaneidade”
No último dia 8 de dezembro, a Biblioteca Nacional de Brasília sediou o Sexto Seminário ODIS, que neste ano abordou o tema “Humanidades Digitais: As Bibliotecas do Sul Global na Contemporaneidade”, promovido pelo Observatório de Desenvolvimento Integrado e Sustentável (ODIS), coordenado pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict).
O encontro reuniu especialistas de diversos países e instituições para discutir os desafios e as oportunidades das bibliotecas diante das transformações tecnológicas e sociais, estimulando um diálogo amplo sobre inovação, inclusão digital e fortalecimento das instituições de conhecimento na construção de um futuro colaborativo e sustentável.
A abertura do evento contou com a participação de Tiago Braga, diretor do Ibict; Cecília Leite, coordenadora-geral de Informação Tecnológica e Informação para a Sociedade (CGIT/Ibict); e Marcelo Martinez, chefe da área de temas digitais do Itamaraty. Em sua fala, Tiago Braga destacou a importância da soberania digital e ressaltou que a construção desse princípio vem permeando o Ibict desde 2023, reforçando um movimento institucional de aproximação entre países que buscam discutir um tema essencial para o desenvolvimento social, ambiental e econômico.
O diretor ressaltou ainda que há uma crescente compreensão, por parte da sociedade, do valor dos ativos digitais e afirmou que realizar um evento que discute humanidades digitais no contexto das bibliotecas, sob uma perspectiva global, representa uma iniciativa “vanguardista e necessária”.
Cecília Leite enfatizou que o ODIS nasceu da “vontade e da fé nas pessoas que querem um mundo não apenas globalizado, mas integrado”, ressaltando que o observatório vem se consolidando como um modelo participativo no qual todos podem interagir e construir conjuntamente. Para ela, o encontro mantém viva “a chama de vontade, de fé e de trabalho” que marca o projeto desde o início, fortalecendo iniciativas colaborativas e resultados que têm se mostrado promissores.
Marcelo Martinez destacou que, em um mundo amplamente digitalizado, no qual pessoas produzem e consomem informações em grande escala, as bibliotecas precisaram se transformar e assumir novas funções. Para ele, essas instituições tornaram-se “estruturas de cidadania”, verdadeiros espaços democráticos de inclusão, sem perder seu papel de guardiãs da memória coletiva.
Após a abertura, a programação seguiu com a mesa “As Bibliotecas do Sul Global”, mediada por Wal Moraes (Ibict/UnB), que reuniu Nancy Abreu Baez (Porto Rico), Horácio Francisco Zimba (Moçambique) e Gabriela Ayres (Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro). O grupo discutiu o papel das bibliotecas na preservação cultural e na democratização do acesso à informação em países marcados por desigualdades históricas, destacando práticas colaborativas e estratégias para fortalecer redes de bibliotecas no hemisfério sul.
Na sequência, a mesa “As Bibliotecas como Pontos de Inclusão Social e Digital”, mediada por Michelli Costa (UnB), reuniu Adriana Tiscornia (Uruguai), Rosa Garcia (Colômbia) e Emir Suaiden (Ibict/UnB), que apresentaram iniciativas de uso das bibliotecas como espaços de transformação social. As falas abordaram ações voltadas à ampliação de serviços digitais, alfabetização informacional e políticas de conectividade para comunidades em situação de vulnerabilidade, reforçando o papel das bibliotecas como plataformas de cidadania.
No início da tarde, a mesa “O Futuro da Ciência da Informação”, novamente mediada por Wal Moraes, trouxe estudantes da Universidade Federal do Pará e da Universidade de Brasília, que compartilharam pesquisas sobre tecnologias emergentes, curadoria digital e métodos inovadores de organização da informação.
A programação seguiu com a mesa “A Ciência da Informação como Protagonista de Inovação”, mediada por Cecília Leite, com a participação de Daniel Iberê (UnB), Maria Nélida (PPGCI/Ibict) e Dalton Lopes (UnB/IBRAM). O debate destacou o papel estratégico da área na criação de soluções tecnológicas para preservação e interoperabilidade de sistemas informacionais, além de discutir políticas públicas voltadas ao fortalecimento do acesso ao conhecimento.
Encerrando o evento, a mesa “IA e a Coleção da Inteligência Amazônica na Biblioteca ODIS” reuniu Marcos Sigismundo (IBRAM), Wal Moraes (Ibict/UnB) e Cecília Leite (Ibict), que discutiram como ferramentas de inteligência artificial podem apoiar a preservação, análise e difusão de acervos relacionados à Amazônia. O debate ressaltou o respeito aos saberes tradicionais, a importância da soberania informacional e a necessidade de desenvolver tecnologias que fortaleçam a autonomia das comunidades amazônicas na gestão de seus próprios conhecimentos.
Criado a partir dos resultados da série de Seminários Latino-Americanos de Políticas Públicas para a Inclusão Digital, promovidos pelo Ibict em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e o Instituto Lula em 2023, o ODIS nasceu como desdobramento de um fórum iniciado em 2022 para reunir informações e experiências sobre políticas de inclusão digital em diversos países da região. O seminário de 2025 dá continuidade a essa trajetória, consolidando o observatório como espaço de diálogo e construção conjunta de estratégias para enfrentar os desafios contemporâneos.
O vídeo do evento pode ser acessado neste link: https://www.youtube.com/watch?v=GJ3I-ypzKaU