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Pesquisadores do Ibict participa de seminário sobre Big Data e transição ecológica; veja o vídeo do evento
O seminário “Big Data e Transição Ecológica: Quem Conta?”, realizado em 2 de novembro no auditório da Casa de Cultura Japonesa, em São Paulo, discutiu a complexa relação entre a produção quantitativa de dados socioambientais e os desafios da transição ecológica no Brasil. Reunindo pesquisadores das ciências sociais e ambientais, além de especialistas em estatísticas oficiais, o evento destacou a tensão inerente à quantificação do mundo e a necessidade de desenvolver novas métricas para orientar políticas públicas socioambientais.
Organizado por Fabrice Bardet (CNRS/USP) e Lena Lavinas (UFRJ/USP), o seminário contou com apoio do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), da Fapesp e do Pulitzer Center.
Em uma atividade relacionada ao projeto, em 1º de dezembro, os pesquisadores Silvana Vidotti e Thiago Rodrigues, do Laboratório de Informação para a Sustentabilidade (LIS/Ibict) e da Coordenação de Tecnologias Aplicadas (COTEA/Ibict), participaram de um workshop. O encontro marcou a recepção dos participantes do seminário e teve como objetivo reunir pesquisadores de diversas disciplinas para refletir sobre as novas questões da produção quantitativa de dados, organizadas em torno de três eixos: o surgimento de dados massivos (big data) como fonte de informação estatística; o fortalecimento da questão ambiental como problema público; e a ascensão das avaliações financeiras no contexto de organização das sociedades.
No dia 2, O pesquisador Thiago Rodrigues integrou a mesa “Padrões e métricas da contabilidade verde”. O debate contou também com Rafael Ramalho Dubeux (Ministério da Fazenda), Daniela Baccas (BNDES), Carmem Feijó (UFF) e Simone Deós (Unicamp), que apresentaram um panorama abrangente sobre métricas, instrumentos e políticas públicas voltadas à transição ecológica no país.
Entre as iniciativas governamentais e financeiras discutidas, destacaram-se o Plano de Transformação Ecológica, o Produto Interno Verde (PIV), o avanço do mercado regulado de carbono, a Taxonomia Sustentável Brasileira e o fundo Tropical Forest Forever (TFF).
Durante sua apresentação, Rodrigues apresentou projetos do Ibict destinados à comunidade científica e ao setor produtivo, com destaque para a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) — técnica que quantifica entradas e saídas de matéria e energia ao longo de todas as etapas de um produto ou serviço, permitindo identificar e mensurar impactos ambientais. Ele também ressaltou o papel estratégico da informação qualificada para subsidiar decisões de políticas públicas relacionadas à sustentabilidade, especialmente no contexto da transição ecológica.
“A informação é um insumo supertransversal para a sustentabilidade. Trabalhamos na perspectiva de informação para a sustentabilidade, principalmente na questão da Avaliação do Ciclo de Vida. A gente está fazendo a perspectiva de medir para gerir, e o passo seguinte é o gerir suportando o informar para decidir. A boa decisão é o que vai implicar nas melhorias efetivas que buscamos”, afirmou o pesquisador, ressaltando o papel do Ibict em fornecer dados e metodologias para o avanço da agenda verde no Brasil.
Rodrigues também provocou uma reflexão crítica sobre o tradicional tripé da sustentabilidade. Defendeu que os três pilares — ambiental, social e econômico — não possuem pesos equivalentes, propondo uma abordagem hierárquica em que os recursos naturais sustentam a sociedade, que por sua vez permite o funcionamento da economia.
Assista à íntegra da mesa “Padrões e métricas da contabilidade verde” :