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Sessão Debate do “Coquetel Molotov.DOC” no Cinema do Porto mostra potência da cena pernambucana no In-Edit Brasil 2024
Imagens antigas e novas, de baixa e alta qualidade, de fãs e da produção, constroem na tela a imagem de algo igualmente multifacetado na cena cultural pernambucana. O documentário “Coquetel Molotov.DOC”, de UHGO, sobre o festival No Ar Coquetel Molotov, ganhou sessão debate gratuita no sábado (21/09), na Sala Porto do Cinema da Fundação, como parte da edição Recife do festival “In-Edit Brasil 2024: Festival Internacional do Documentário Musical”.
Os 20 anos do festival são recontados por meio de entrevistas dos fundadores Ana Garcia, Viviane Menezes e Jarmeson de Lima, destacando as grandes conquistas e os diversos desafios da produção de um evento desse porte. Além disso, também foram incluídas no material falas de artistas que já se apresentaram em edições do No Ar Coquetel Molotov, como Tasha & Tracie, Karol Conká e Milton Nascimento.
Inspirada em produções como o “Homecoming”, documentário da cantora Beyoncé, a narrativa mescla cenas mais recentes do festival com uma recontagem cronológica de grandes momentos de sua história. Entre os marcos destacados, estão shows icônicos na história do No Ar Coquetel Molotov, como o dos Racionais MCs, em 2011, e a passagem do festival pelas diversas localidades que já o receberam, como a Coudelaria Souza Leão e o Campus Recife da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Após a exibição, UHGO, que atuou na direção e na montagem do projeto, respondeu a perguntas de Marcelo Aliche, diretor artístico do In-Edit, mediador da sessão debate, e do público presente no Cinema do Porto. No bate-papo, o artista destacou as complexidades do processo de criação do “Coquetel Molotov.DOC” e as escolhas criativas feitas para o longa.
“Acho que foi uma preocupação minha, não de deixar claro a dificuldade que se tem de se fazer [um festival], mas de entender que é um circuito independente, que tenta se articular como pode para acontecer. Acho que essa era minha visão.”
“Me colocar nesse lugar para fazer [o documentário] foi importante, aprendi muita coisa no processo. Inclusive até nesses trampos menores, a velocidade como eu decupo, desenvolvo, penso narrativa. Passei um ano fazendo uma obra, então isso me ajudou também em outros trampos. Foi massa no final. Foi estressante o processo, mas foi bem bacana quando eu vi pronto”, pontuou UHGO.
Joheliton Miranda, componente do coletivo de audiovisual Erê Sankofa, foi um dos espectadores da exibição. Ele compareceu à sessão debate motivado por seu interesse nesse tipo de produção artística e também na produção de festivais, pensando, inclusive, na realização de possíveis produções próprias futuramente.
“Meu maior interesse é na parte do áudio, mas a gente precisa entender o todo, quanto a direção, roteiro, a gente estuda o todo para poder fazer a montagem do ‘brinquedo’. Como [a sessão] também tinha uma conversa com o diretor, a pessoa que montou o projeto, a ideia, eu vim para entender um pouco como ele funcionou, na idealização desse ‘filho’ dele”, destacou o profissional.
“O festival [No Ar Coquetel Molotov] me atrai muito em base de novidades. São as novidades que fazem a diferença de muita coisa para quem viu algumas coisas acontecerem dentro de Pernambuco, vi montagens, vi o princípio de muita coisa que está acontecendo aqui em Recife… Eu vim entender como era a montagem desse festival, e quem não quer também ter seu festival, seu encontro de pessoas? Vim tentar entender como era feito para, quem sabe, [realizar] uma montagem.”
Joheliton também prestigiou a exibição de outros filmes do In-Edit 2024 na Sala Porto do Cinema da Fundação, como “Saravah” e “O Homem Crocodilo”, obras dentre a variada programação do festival focado em documentários musicais. Além do “Coquetel Molotov.DOC”, também foram exibidos no Cinema do Porto, no sábado (21), as produções “Terra de Ciganos”, “Black Rio! Black Power!” e “Carlos”.