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Semana de férias do Muhne encerra programação com oficina musical
A Semana de Férias Muhne e Cais do Sertão reuniu, ao longo de seis dias, atividades educativas e culturais voltadas ao público infantil e às famílias, promovendo experiências de aproximação com a arte, a música e o patrimônio cultural nordestino. A programação, promovida na Fundação Joaquim Nabuco por meio da Coordenação de Ações Educativas e Comunitárias do Museu do Homem do Nordeste, aconteceu em dois momentos: no Museu Cais do Sertão e, na segunda semana, no Muhne.
As oficinas foram desenvolvidas a partir de uma parceria entre as duas instituições museais, com atividades realizadas nos espaços dos museus e conduzidas por suas equipes educativas. A proposta ofereceu vivências que estimulam a criatividade, o aprendizado e o contato direto com expressões culturais da região. “Fizemos uma programação educativa com vivências musicais, elementos da xilogravura e lendas, trazendo a riqueza cultural da Região Nordeste para repassar esse conhecimento de forma lúdica aos pequenos participantes”, ressaltou Edna Silva, coordenadora de Ações Educativas e Comunitárias do Muhne.
Durante a programação, as crianças participaram de oficinas de artes visuais, com atividades inspiradas na xilogravura e na obra de J. Borges, utilizando pintura, materiais reciclados e grãos, além de vivências musicais que apresentaram instrumentos tradicionais ligados ao forró, como a sanfona, o triângulo e a zabumba. Também integrou a agenda uma contação de histórias com acompanhamento musical, abordando lendas do Rio São Francisco e temas relacionados à preservação ambiental.
Segundo a educadora do Museu Cais do Sertão, Thalita Mesquita, a proposta das atividades foi ampliar o acesso das crianças a experiências culturais que muitas vezes não fazem parte do cotidiano. “A intenção é aproximar quem não tem contato com instrumentos musicais, permitindo que as crianças conheçam esses instrumentos que são a base do nosso forró”, destacou.
Na oficina de artes visuais, a educadora Andreza Nicole ressaltou a importância de trabalhar a cultura de forma prática e fora do ambiente digital. “Utilizamos pintura, material reciclado e grãos para que as crianças fizessem uma nova leitura das obras. É uma forma de ampliar o repertório cultural e estimular a criatividade em um mundo muito voltado para as telas”, explicou.
A programação também atraiu famílias de diferentes lugares, que acompanharam de perto as atividades. Para Maria Cristina Feltrin Scher, mãe de Vicente, de 9 anos, que visitava o Recife vinda do Rio Grande do Sul, a experiência foi marcante. “A vivência com a arte amplia horizontes, que é o que buscamos como família”, afirmou.
Do ponto de vista das crianças, o aprendizado foi percebido tanto na dimensão artística quanto na conscientização ambiental. Pérola Feliciano, de 8 anos, contou que passou a entender melhor a importância de cuidar dos rios. “Aprendi que não podemos jogar lixo no rio, porque precisamos da água para beber, tomar banho e até ter energia em casa”, disse.
Para Cleyton Nóbrega, do Museu do Homem do Nordeste, a parceria permitiu construir uma narrativa integrada de ações educativas entre as instituições. “Conseguimos criar um conjunto de oficinas que valoriza a relação das crianças com a arte e a cultura nordestina, fortalecendo a percepção do que é ser nordestino e pernambucano. Essa troca entre as equipes foi muito importante”, avaliou.
O músico e arte-educador Arthur Fernandes, do Museu Cais do Sertão, também destacou o caráter colaborativo da iniciativa. “Essa atividade é fruto de uma parceria entre instituições que se instigam e buscam se conectar a partir de narrativas em comum. Unir espaços tão potentes amplia o diálogo com o público e fortalece o papel educativo dos museus. Acreditamos que essa seja a primeira de muitas parcerias”, concluiu.
Com essas iniciativas a Fundação Joaquim Nabuco, mais uma vez, contribui com o desenvolvimento das políticas culturais.