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Sala Derby recebe roda de conversa sobre a 5ª Mostra de Cinema Árabe Feminino
No último sábado (16), a Sala Derby do Cinema da Fundação recebeu uma roda de conversa especial com a curadoria da 5ª Mostra de Cinema Árabe Feminino, que começou no dia 13 de agosto e se encerrou nesse domingo (17). As curadoras Alia Ayman, Analu Bambirra e Carol Almeida compartilharam com o público o processo de escolha das obras audiovisuais, além de detalharem a proposta formativa que guia a Mostra.
No início do encontro, Analu Bambirra explicou o pensamento norteador das pesquisas e da seleção dos filmes. “Nós pesquisamos bastante sobre os trabalhos cinematográficos produzidos. A nossa escolha não estava desconectada do mundo; estava, também, fora das telas. Os processos coloniais que esses países árabes passam e passaram nos atravessaram muito nessa etapa de escolha; permearam todas as discussões que tivemos na curadoria”, pontuou.
Entusiasmada, Carol Almeida comemorou o sucesso da Mostra no Recife. “No primeiro dia, praticamente lotamos as duas sessões, e as demais também foram muito bem frequentadas. As pessoas que assistem nos procuram nos corredores dos cinemas e nas redes sociais para comentar sobre os filmes e para elogiar. Nas sessões com debate, o público interagia bastante. Eu digo que os filmes sozinhos existem, mas é muito importante a gente construir e trocar ideias após as exibições”, disse.
O servidor André Frege, frequentador do cinema, elogiou a iniciativa do festival. “A Mostra é de grande importância para a gente compreender e desconstruir a visão deturpada que temos das mulheres do mundo árabe. Elas não são submissas e se envolvem ativamente na arte e na cultura. Na resistência palestina, vemos o protagonismo delas não só nos campos de batalha, mas também na resiliência, na força, no sentido de permanecer. Essas exibições contribuem para quebrar o preconceito de quem não conhece a realidade delas”, reforçou.
Ainda durante a roda de conversa, a médica Leonor Maalouf, que também estava na plateia, fez um depoimento emocionado. “Sou filha de uma libanesa e estou muito tocada com a Mostra e extremamente grata por terem trazido esses filmes para o Recife. O Brasil inteiro precisa conhecer. Todos os dias eu entro nas redes sociais, vejo imagens pavorosas do que está acontecendo na Palestina, e tudo isso me afeta. Quando vocês trazem esses filmes para cá, para nos mostrar o que acontece lá fora sob a perspectiva dessas mulheres, mexe muito com a gente.”
No domingo (17), último dia da Mostra, a Sala Derby exibiu curtas-metragens e “O filme Q” , de Jude Chehab, que retrata a influência insidiosa de uma ordem religiosa matriarcal secreta no Líbano sobre três gerações de mulheres da família Chehab.
5ª Mostra de Cinema Árabe Feminino
Criada em 2019, a Mostra busca difundir obras que destacam narrativas, linguagens e formatos que rompem com o olhar hegemônico sobre essa cinematografia. Assinada por Alia Ayman, Analu Bambirra e Carol Almeida, a curadoria reforça o compromisso com um olhar que rejeita estereótipos, como o da “mulher árabe oprimida”, e evidencia o campo fértil que existe nessa produção audiovisual sob perspectivas autorais e contemporâneas. Para elas, mais do que exibir obras cinematográficas, a Mostra insere diretoras no centro do debate, ao discutir os contextos em que produzem e os pontos de vista que constroem por meio da imagem. Depois do Recife, a Mostra segue para o Rio de Janeiro, onde acontece de 22 a 30 de agosto.