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Projeto Plano Conjunto é vencedor do VII Concurso de Boas Práticas da Sociedade Civil do Mercosul em Acessibilidade Audiovisual
O Projeto Plano Conjunto - Laboratório de Cinema, Educação e Acessibilidade, que conta com apoio do Cinema da Fundação, foi o vencedor do VII Concurso de Boas Práticas da Sociedade Civil do Mercosul em Acessibilidade Audiovisual, promovido pela Reunião Especializada de Autoridades Cinematográficas e Audiovisuais do Mercosul (RECAM).
Com incentivo do Sistema de Incentivo à Cultura da Prefeitura do Recife, o projeto se estrutura em dois eixos principais. O primeiro foca na exibição de animações brasileiras em versões acessíveis, direcionadas a alunos com deficiência de escolas públicas do ensino fundamental e médio. Essas sessões são acompanhadas por atividades lúdicas e educativas que promovem a aprendizagem por meio do cinema.
O segundo eixo envolve oficinas com profissionais do cinema, da educação inclusiva e da acessibilidade audiovisual, visando integrar estudantes com deficiência ao setor cinematográfico brasileiro. Dessa forma, o projeto amplia o acesso ao conteúdo audiovisual, contribuindo para a construção de uma comunidade educacional e profissional mais inclusiva.
O júri, composto por representantes dos países membros do Mercosul, premiou o projeto por sua contribuição ao cinema, à educação e à acessibilidade, destacando seu impacto no setor audiovisual inclusivo. “O projeto é fundamental pela criação desse laboratório, um espaço para experimentar, acertar e errar, pensando nas formas de fruição do cinema para alunos de escolas públicas. Focamos em alunos com deficiência, que necessitam de acessibilidade para que a mediação do filme seja eficiente. Além disso, o cinema é utilizado como um instrumento pedagógico, permitindo que crianças com deficiência explorem seu potencial educativo. Esse trabalho é desenvolvido em parceria com professores, técnicos e gestores escolares, que precisam entender o cinema como uma possibilidade de ensino”, explica Túlio Rodrigues, coordenador do projeto.
Segundo o Censo de 2022, realizado pelo IBGE, mais de 17 milhões de brasileiros declararam ter algum tipo de deficiência. No Recife, a Gerência de Educação Especial aponta que, em 2023, cerca de 4.500 alunos com deficiência estão matriculados na rede municipal, incluindo 1.031 estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), 306 com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), 196 com deficiência auditiva, 111 com cegueira ou baixa visão e 112 com síndrome de Down.
A iniciativa reflete o compromisso da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) com a promoção da arte, educação e inclusão por meio do Cinema da Fundação, um equipamento cultural vinculado à Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca).
“A equipe do Cinema da Fundação trabalha para oferecer excelência em seus serviços, inclusive nas parcerias que realiza. Entendemos que alguns serviços são valiosos, independentemente de reconhecimento externo, pois são necessários. O projeto Alumiar, e suas derivações como o Plano Conjunto, é um exemplo disso. Ficamos muito felizes em saber que esse trabalho foi premiado internacionalmente, reforçando a ligação da Fundaj com esse título”, afirma Luiz Joaquim, coordenador do Cinema da Fundação.
No primeiro ciclo do projeto, a sala de cinema foi adaptada com ambiente mais iluminado e som reduzido, proporcionando uma recepção adequada para pessoas neurodiversas, como aquelas com TEA, TDAH e síndrome de Down. Uma equipe especializada, com intérpretes de Libras, auxiliou o público, oferecendo uma mediação acessível após as sessões. A programação incluiu ainda atividades voltadas ao diálogo sobre cinema, acessibilidade e educação inclusiva.
“Estamos muito felizes em receber o prêmio e por ver o projeto ser acolhido pela Fundaj, que nos deu a oportunidade de exibir os filmes, realizar as sessões e promover as atividades formativas. Essa parceria foi essencial para o sucesso de um trabalho que já vínhamos desenvolvendo no cinema com acessibilidade, mas que, aqui, teve um novo recorte ao dialogar com alunos e professores sobre cinema e outras possibilidades de uso na educação”, concluiu Túlio Rodrigues.
Sobre o Concurso e RECAM
O Concurso de Boas Práticas, promovido pela RECAM, premia iniciativas que ampliam o acesso a conteúdos audiovisuais para pessoas com deficiência, especialmente cegas ou com deficiência auditiva. A acessibilidade audiovisual é uma das principais pautas da RECAM desde 2015, buscando promover a inclusão nos países do Mercosul. O Concurso é realizado sob a coordenação da Presidência Pro Tempore do Uruguai e integra o Plano de Trabalho sobre Acessibilidade Audiovisual da RECAM.