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Pesquisador da Fundaj palestra sobre a segurança hídrica da bacia do Rio São Francisco em webinar da UFRPE
O pesquisador João Suassuna, da Diretoria de Pesquisas Sociais (Dipes) da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), participou, nesta quinta-feira (10), como palestrante em uma videoconferência sobre segurança hídrica na bacia do Rio São Francisco. O encontro foi promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial (PPGADT) da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e integrou as atividades do doutorado profissional do programa.
Mediada pelo coordenador do Doutorado Profissional em Agroecologia e Desenvolvimento Territorial, Jorge Mattos, a palestra teve como ponto de partida o projeto de transposição do Rio São Francisco. Desde o seu processo de elaboração, o projeto de deslocamento das águas da bacia hidrológica para o Nordeste Setentrional é alvo de discussões na comunidade científica brasileira a respeito da sua eficácia em combater a seca e os impactos socioambientais decorrentes da sua execução.
Entre as questões trazidas por João Suassuna, que também é engenheiro agrônomo e especialista em hidrologia no semiárido nordestino, está a gestão eficiente dos recursos hídricos da bacia do Rio São Francisco. Para ele, a importância social e ambiental do rio pressupõe eficiência na gestão de suas águas. “Cheguei à conclusão, após 30 anos de estudo do São Francisco, de que essa gestão eficiente não está acontecendo”, comentou.
O curso de água é responsável por abastecer 504 municípios distribuídos nos estados de Minas Gerais, Goiás, Bahia, Pernambuco, Sergipe, Alagoas e no Distrito Federal. Já a rede da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) é responsável por grande parte da energia elétrica da região. “Esses municípios têm, hoje, cerca de 20 milhões de pessoas que consomem água e produzem esgoto, que não tem um destino certo. Isso gerou um problema sério, inclusive, de saúde pública”, explicou o pesquisador da Dipes.
Os impactos ambientais decorrentes da ocupação do Vale do São Francisco no processo de interiorização do Brasil também foram pontuados pelo pesquisador. “Com a criação de gado na bacia do São Francisco, no que os animais começaram a ser transportados para o Centro-Sul [do Brasil] por meio de vapores, o rio foi considerado o Rio dos Currais”, conta Suassuna. No entanto, os barcos que levavam o gado eram movidos à lenha, o que acelerou o processo de desmatamento da vegetação das margens do rio para o terreno cumprir a função de pasto e a madeira retirada, de combustível. “Dizimaram as matas ciliares do Rio São Francisco, que é um rio de barranco. Quando você retira a vegetação de um rio de barranco, […] vai causar um assoreamento.”
A redução da vazão do rio foi outra questão importante trazida pelo pesquisador da Fundaj aos alunos do doutorado profissional. Hoje, o Rio São Francisco enfrenta problemas crônicos devido ao controle do seu fluxo natural e a períodos de seca cada vez mais intensos. A última seca, que durou de 2012 a 2017, fez com que parte dos recursos do Aquífero Urucuia, o maior do Brasil e em parte responsável por abastecer o rio, fossem utilizados de maneira descontrolada para abastecimento. O resultado foi uma redução ainda maior da vazão, provocando o rebaixamento dos lençóis freáticos, o desaparecimento de lagoas marginais e a incursão da água salgada do oceano na foz.
Os estudantes da turma do doutorado profissional do PPGADT também contribuíram com as discussões trazidas pelo pesquisador João Suassuna. Parte dos alunos são naturais da Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, o que permitiu uma troca ainda mais rica a partir de relatos e questões a respeito da transposição do Rio São Francisco. A previsão do governo federal é de que a implementação do projeto seja concluída até 2026.