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COVID-19
Pesquisa da Fundaj, que inclui o Agreste de Pernambuco, analisa impactos da pandemia na educação
Como o ensino das ciências foi impactado pela pandemia da Covid-19 no Agreste de Pernambuco? De que forma professores e estudantes de escolas públicas avaliam as mudanças neste período? A partir desses questionamentos, entre outras motivações acadêmicas, surgiu o projeto de pesquisa da Fundação Joaquim Nabuco “Fundaj Vai à Escola: Educação e C&T na Pandemia - resgatando e repensando a Importância da Divulgação e Iniciativas Científicas”, coordenado pelo pesquisador Marcos Lucena.
Ao longo de três anos e meio, uma equipe formada por 11 integrantes, entre pesquisadores, docentes e colaboradores de diferentes instituições de ensino e pesquisa, se envolveram no projeto, em busca de tentar melhorar as políticas públicas, para que essas atendam efetivamente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), buscando uma educação de qualidade, além do avanço do conhecimento científico, e uma transformação concreta das práticas educacionais e sociais.
“Os dados coletados no projeto têm grande relevância científica, educacional e social, pois permitem uma compreensão aprofundada dos impactos da pandemia de Covid-19 no ensino de ciências, especialmente em escolas públicas do Agreste de Pernambuco”, explicou o pesquisador.
Para a coleta de dados e a realização de análises qualitativas interdisciplinares, os pesquisadores usaram metodologias de pesquisa-ação e sistemas complexos, percorrendo escolas públicas dos municípios de Caruaru, Bezerros, São Caetano, Bonito e Belo Jardim, no Agreste pernambucano.
O projeto identificou o aprofundamento das desigualdades educacionais, socioeconômicas, raciais e de gênero no contexto da pandemia, bem como fragilidades estruturais no ensino de ciências, especialmente no que se refere à formação docente, à infraestrutura escolar e ao acesso a práticas experimentais. Além disso, evidenciou dificuldades de acesso às tecnologias digitais, empecilhos no ensino experimental remoto, sobrecarga docente e impactos socioemocionais em alunos e professores.
De acordo com Marcos Lucena, a pesquisa também revelou como os estudantes associam a educação científica às oportunidades de trabalho, desenvolvimento social e redução das desigualdades, enquanto os professores destacam a necessidade de formação continuada, infraestrutura adequada e metodologias interdisciplinares para o ensino de ciências.
“Os dados coletados não se limitam apenas ao diagnóstico da realidade escolar durante a pandemia. Eles constituem um banco de dados interdisciplinar robusto, construído durante a pesquisa, que subsidia a produção acadêmica, e pode contribuir na formulação de indicadores para políticas públicas educacionais e científico-tecnológicas, e o aprimoramento de práticas pedagógicas mais inclusivas, críticas e alinhadas às necessidades reais da comunidade escolar”, pontua o coordenador do projeto.
Questionários
Além das análises realizadas nas escolas públicas do Agreste pernambucano, o projeto também desenvolveu estudo comparativo entre as respostas de questionários aplicados a estudantes e professores daquela região, e respostas obtidas junto a participantes durante minicursos, atividades formativas e eventos científicos.Entre essas atividades, estão o grupo de trabalho Ciências e Educação do 9º Encontro de Pesquisa Educacional em Pernambuco (EPEPE) na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e o minicurso de experimentação em ensino de ciências na 77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
Esse comparativo permitiu identificar convergências importantes, como o reconhecimento generalizado da relevância da educação científica para a compreensão de fenômenos sociais e da saúde, além da percepção da necessidade de formação continuada docente e do fortalecimento de práticas interdisciplinares. Ao mesmo tempo, evidenciou diferenças no nível de familiaridade dos professores com conceitos científicos, metodologias investigativas e no acesso a recursos pedagógicos, refletindo desigualdades estruturais e formativas entre os diferentes contextos educacionais.
Essas análises contribuíram para ampliar a compreensão dos impactos da pandemia no ensino de ciências, bem como para orientar ações formativas, estratégias pedagógicas e a divulgação científica em diferentes níveis de ensino e espaços educativos.
Os resultados da pesquisa têm sido divulgados em eventos científicos, junto à comunidade acadêmica, tais como nas Reuniões da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd); do Encontro de Pesquisa Educacional do Nordeste (EPEN) - ANPEd-Nordeste; do Congresso Nacional de Educação (CONEDU) e da (American Physical Society (APS). Também está sendo disseminada através da formação continuada de professores e atuação direta nas escolas públicas, com oficinas, palestras, mostras, capacitações e minicursos.
“Essas ações buscam permitir que os resultados da pesquisa possam ser incorporados às práticas pedagógicas. A devolução dos resultados à sociedade se materializa tanto no acesso ao conhecimento científico, quanto na transformação das práticas educativas, fortalecendo uma educação científica crítica, inclusiva e socialmente comprometida, em consonância com a missão institucional da Fundaj”, conclui Marcos Lucena.
Além da Fundaj, participaram da pesquisa, que foi também realizada na Região Metropolitana do Recife, instituições como a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade de Pernambuco (UPE), a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), algumas Secretarias de Educação do Estado de Pernambuco, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Secretaria Regional da SBPC/PE e o Espaço Ciência.