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Oficinas de Carnaval na Fundaj destacam estética, consciência corporal e herança
Como existir no Carnaval? E como ele pode ser uma ferramenta de manifestação, identidade e coletividade? Essas perguntas nortearam as atividades do edital Carnaval das Artes, realizadas pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), no Campus Ulysses Pernambucano, no bairro do Derby.
A oficina “Fresta: corpo, Carnaval e Território”, ministrada nesta quarta-feira (11), apresentou formas de se fazer consciente na folia de momo. A oficina foi dividida em historicidade do carnaval, consciência corporal, cadeia produtiva, fabulação e crítica.
Com conversas sobre como cada participante da oficina vivencia o Carnaval, Mayara Ferreira, docente responsável pela oficina, apresentou as raízes das danças que fazem parte da folia momesca.
“Quero que a gente inscreva esses movimentos para o nosso corpo. Quando a gente está no carnaval a gente precisa se movimentar de diversas formas, para o lado, para a frente, para trás. Ter consciência desses movimentos, da dança, da forma de andar, facilita a nossa presença na festa”, explicou a professora Mayara.
A docente apresentou técnicas de Ijexá, maracatu, caboclinho e frevo, passando pela historicidade que construiu esses movimentos até ao que eles se adequam à movimentação nas ladeiras e ruas de Pernambuco durante o período festivo.
Diferente de uma aula de dança convencional focada apenas em coreografias, a oficina propôs uma investigação sobre como as comunidades negras e indígenas garantiram a transmissão de suas histórias através do corpo. "É um lugar também de partilha dessas sabedorias de forma oralizada, de forma textual e de imagem", explicou a pesquisadora
A aluna Hana Silva, de 35 anos, resumiu o sentimento do grupo ao descrever a oficina como uma "experiência incrível" para se apropriar da própria cultura e aprender os "gingados e manhas" que o Carnaval ensina.
“Eu estou nesse processo de aprender, porque a gente brinca como brincante, né? Mas pegar alguns gingados, algumas mungangas, também é interessante até mesmo para a gente se apropriar da própria cultura”, explicou Hana.
A Fundaj também se cobriu de alegria e cores com a oficina “Maquiagem Carnavalesca: Brilho, Cor e Criatividade”, no campus Ulysses Pernambucano, no Derby, celebrando a estética como forma de manifestação artística, cultural e de identidade.
Com carga horária de 5h, a atividade foi ministrada pela maquiadora - e foliã - Anna Cantarelli. Buscando construir um espaço de troca de saberes sobre este universo cultural e sensibilidade à festividade, a facilitadora abordou técnicas para a maquiagem carnavalesca, desde a preparação da pele à selagem, correção, pigmentos e pedrarias, acabamento e retirada.
“Eu sempre senti a dificuldade de fazer uma maquiagem que durasse muito no carnaval e a experiência me ensinou muita coisa que estou repassando aqui”, explicou a maquiadora.
Para a educadora Marília Carla, uma das participantes da oficina, a atividade superou as expectativas. “Achei maravilhosa. Eu já tinha feito outras duas e minha ideia era me atualizar”, disse.