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Museu do Homem do Nordeste tem coleção de itens afro-brasileiros revisada
Mais de 700 objetos pertencentes ao acervo da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) passaram por um processo de revisão detalhada. Os itens, que integram a Coleção Afro-Brasileira do Museu do Homem do Nordeste (Muhne), foram revisados por meio de um acordo de cooperação técnica internacional firmado entre a Instituição e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O Muhne é vinculado à Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca/Fundaj).
Sob coordenação do consultor Olavo de Souza, o processo permitiu a análise das descrições associadas aos conjuntos de acervos constantes das religiões de matriz africana candomblé e jurema, do Maracatu Elefante e da Coleção Babalorixá Mário Miranda e Pai de Santo Edmilson Severino de Santana. A partir da revisão, foi possível também atualizar a base de informações do Muhne, suplementando ou corrigindo os dados, bem como realizar uma análise antropológica das peças, incluindo suas origens, usos originais e contextualização do ponto de vista simbólico.
Para o coordenador-geral do Museu do Homem do Nordeste, Moacir dos Anjos, um dos desafios compartilhados entre o equipamento da Fundaj e os demais museus antropológicos-históricos é o de garantir a integridade física e simbólica de peças vindas dos povos escravizados no Brasil e de seus descendentes. “Enfrentar este desafio implica assumir a responsabilidade por pesquisar e verificar a origem e as formas de aquisição desses artefatos, de modo a garantir que sua incorporação na coleção do Muhne tenha sido feita […] de acordo com os preceitos éticos que devem reger a relação da instituição com as comunidades a cujos antepassados aqueles objetos e documentos pertenceram ou estejam relacionados”, inicia.
Além disso, a submissão dos 775 objetos da Coleção Afro-Brasileira para análise de um consultor especializado é fundamental para o Museu do Homem do Nordeste na visão de Moacir dos Anjos. “Somente o estabelecimento desse conjunto de dados em bases seguras torna a instituição apta a incluir tal acervo, com a correção devida, nas suas exposições, publicações e outras instâncias de publicização, contribuindo para a preservação da cultura material e imaterial dos povos aos quais estes objetos pertenceram ou pertencem”, argumenta o coordenador-geral do Muhne. Os resultados da revisão devem ser apresentados ao público no primeiro semestre de 2025.