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Memória de Wilson Carneiro da Cunha celebrada na Fundaj
A noite de lançamento do álbum de fotobiografia digital, o E-book “Wilson Carneiro da Cunha: do Instantâneo de Rua aos Registros Caseiro”, no campus Ulisses Pernambucano, no Derby, foi muito prestigiada pelo público que lotou o Auditório João Cardoso Ayres, na quinta-feira (28). Na mesa de abertura, a presidenta da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), a professora doutora Márcia Angela Aguiar, a diretora do Centro de Documentação e de Estudos da História Brasileira Rodrigo Mello Franco De Andrade (Cehibra), setor vinculado à Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte da Fundaj (Dimeca), Nádja Tenório, da neta de WCC, organizadora do projeto, a arte educadora e neta, Bia Lima, neta de Wilson Cerneiro da Cunha e organizadora do projeto juntamente com pesquisadora e artista Bruna Rafaella Ferrer.
Na fala de abertura, a presidenta da Fundaj destacou a relevância de se preservar a memória. “Sinto uma imensa alegria de estar aqui em uma noite tão importante para todos nós. É uma noite recifense com as pessoas da família Carneiro da Cunha, que representam o legado de Wilson. Então, ele está presente e nós ficamos muito emocionados. São coisas positivas e isso dá um sentido maior a nós todos que fazemos parte da humanidade e que vale à pena lutar pelos bens feitos pela própria humanidade. É uma honra!”
Para Nádja Tenório, a parceria feita com a família Carneiro da Cunha é motivo de celebração. “Ter o acervo de Wilson Carneiro da Cunha é um privilégio. E colocá-lo na rua, colocar o acervo da Fundaj para o público, é nossa prioridade. temos inúmeras coleções, muitas já digitalizadas e disponíveis no site da Villa Digital, mas todas podem ser vistas presenecialmente”, adiantou. Wilson Carneiro da Cunha, observou, retratava muito bem o cotidiano do Recife e a maior parte desse acervo iconográfico está na Fundaj e dá muito respaldo e apoio a pesquisadores e a quem estiver interessado em conhecer a história do Recife com registros entre os anos 1950, 1960 e 1970.
Bia Lima agradeceu à Fundaj pela parceria em todo o processo de elaboração do e-book e pelo apoio da cessão da Sala de Leitura Nilo Pereira, que abriga a exposição fotográfica. “Estamos felizes com a presença de todos”, comemorou. Bruna Rafaella ressaltou a importância de mostrar “a forma de trabalho de Wilson, que passou décadas se dedicando ao Centro do Recife, onde registrou muitos processos históricos e sociais, mas que, para além desse olhar científico e histórico, é importante perceber o que atravessa o fazer dele, com um cunho estético e político, produzindo identidade em todas as pessoas”.
Em um segundo momento do evento, houve um bate-papo com as curadoras Bia Lima e Bruna Ferrer, a pesquisadora da Fundaj, Rita de Cássia Barbosa, a historiadora e orientadora da pesquisa, Fabiana Bruce, além da filha de Wilson e guardiã de parte do acervo fotográfico, Olegária Carneiro da Cunha.
Falando baixinho e com muita simpatia, Olegária descreveu o pai como um homem de muita criatividade, engraçado e de personalidade humana. Contou algumas histórias vivenciadas em família e o modo surpreendente de ser de Wilson, que chegou a presentear um álbum inteiro de fotografias a um casal, por entender as condições financeiras das pessoas. Criador de bordões, destacou o “hollywood puro”, que falava quando se referia a situações bacanas, porque era fascinado pelo cinema e artistas de Hollywood. “Ele era um cara maravilhoso! Ele era meu pai”, disse emocionada.
A pesquisadora da Fundaj Rita de Cássia falou sobre o estudo e afirmou que o projeto tem múltiplas faces, mas uma que se ressalta é a da memória coletiva. “É importante preservarmos a memória, construir a memória sobre a cidade. A relação que Wilson tinha com a rua é que dá um grande diferencial e faz com que a gente perceba o Recife novo, o Recife moderno. O urbanismo acelerado, o consumismo, seja de alimento, de diversão ou da roupa”, observa. Segundo Rita, uma constatação da pesquisa é também um paradoxo na vida de Wilson. “O que foi responsável pela ascensão dele, essa mesma modernidade que acabou com essa sociabilidade, também o engole. “Não dá mais para fotografar o Recife, que virou um caos com a presença dos ambulantes”, dizia Wilson, referindo-se ao processo de degradação do centro da cidade.
A historiadora e orientadora do projeto, Fabiana Bruce fez considerações sobre o acervo fotográfico, retratando a vida pública e privada. “É um instante, que através do registro fotográfico, a gente pode acessar e historiar um tempo”. Publicação em formato de e-book, tem distribuição gratuita e em conformidade com as Diretrizes de Acessibilidade para o Conteúdo da Web (WCAG).
Exposição fotográfica
A exposição de fotografias na Sala de Leitura Nilo Pereira, no campus Ulisses Pernambucano, no Derby, atraiu dezenas de visitantes com olhares curiosos a conhecerem o Recife dos anos 1950, 60 e 70 e o estilo de vida das pessoas, através da lentes do jornalista fotográfico, Wilson Carneiro da Cunha, também conhecido como “o fotógrafo do Kiosque”. A mostra reúne 60 fotos originais do acervo da família Carneiro da Cunha e ficará aberta até 31 de outubro. O horário de funcionamento é de segunda à sexta-feira, das 9h às 18h. Excepcionalmente, neste sábado (30), estará aberto das 15h às 19h.